quarta-feira, 11 de março de 2015

Para debater #5: Gladiadores do Altar

Logo oficial do grupo formado pela Igreja Universal.

Na edição deste mês, falarei sobre uma polêmica que anda sendo bastante difundida na internet ultimamente. E o assunto não poderia ser menos barulhento e polêmico. Sim, a série finalmente avançou para abordar assuntos relacionados à religião. Escolhi esse tema e caso justamente pelo fato de eu ter ficado extremamente intrigado. Já não bastasse tantas polêmicas envolvendo instituições religiosas, temos mais uma... e esta realmente não deve ser ignorada.

Em janeiro deste ano, a Igreja Universal do Reino de Deus decidiu fundar um grupo jovem de evangelização. Homens de até 26 anos de idade, vestidos com fardas no estilo militar e usando coturnos marcham nos templos da instituição. Segundo a Universal, o projeto conta com mais de 4.300 participantes em todo o país. Explicando sobre o real(?) propósito da iniciativa, a assessoria da Universal contou que os jovens são pessoas que possuem a intenção de retribuir a ajuda que tiveram em momentos difíceis. Ainda não se tem a informação de quem realmente teve esta "brilhante" ideia.

Segundo o site da IURD, o projeto "visa formar jovens disciplinados e altamente preparados para enfrentar os desafios diários de ganhar almas e fazer discípulos". O texto ainda relata que os jovens "estão dispostos a abrir mão de suas vidas para que outras pessoas sejam ajudadas", sendo a única exigência "ser batizado nas águas e ter desejo e disposição de servir à Deus e estar preparado com o que vier pela frente",

O deputado Jean Wyllis, do Psol - RJ, se mostrou de pleno desacordo com a iniciativa, questionando sobre os reais intentos do grupo, exigindo explicações sobre o movimento: "O militarismo se constitui na presença de um inimigo. Afinal, quem é esse inimigo? Será que a prática atenta contra a diversidade sexual e religiosa?", questionou o deputado.

A Universal negou estar formando um exército fundamentalista. Além disso, desmentiu qualquer alusão à práticas armadas e extremistas. O grupo entoa frases de efeito, como, por exemplo, "O altar, o altar, o altar", estendendo o braço direito apontado para o dito cujo em cima do palco, além de coreografias ensaiadas.

O gesto pode ser facilmente associável à saudação do "Sieg, Heil" nazista (talvez, neste caso, qualquer semelhança não é mera coincidência). O que pretendem de verdade este exército permanece sendo um mistério.

O interessante disso tudo é que me faz lembrar dos tempos da cruzada, cavaleiros templários e tal. O logotipo acima reforça essa ideia.

Minha opinião: Tudo isto não deixa de ser meio estranho e sinistro. Vai saber quais são as verdadeiras intenções deste grupo. Radicalizar as coisas talvez não seja o melhor caminho. Ao meu ver, isto não passa de uma clara demonstração de como estão retrocedendo (como se já não fosse o bastante) e conduzindo as coisas para uma vertente mais obscura. Sinceramente, não vejo algo bom em entrelaçar religião e força militar. As distorções podem tornar tudo fora de controle, o que certamente dará merda. Não apoio. Chega a ser irônico utilizarem o termo "Gladiadores"- que eram guerreiros que matavam uns aos outros para entreter o público - em uma instituição com aparentes intentos bondosos Mas fazer o quê né? Coisas como esta só diminuem minha fé na humanidade (quase zero) e aumentam minha vontade de viver no meu mundo interior (que, modéstia à parte, está imune à qualquer tipo de corrompimento).

PS: Eu até postaria um vídeo, mas infelizmente foram todos removidos (estranho, não?).

O que vocês acham?


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