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Nem tudo é o que parece #16

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Enquanto eu morava com meus tios, quando eu era criança, eu fui transferida à uma escola nova. Logo na primeira semana tentando me adaptar, eu encontrei uma bela caixinha de música numa lata de lixo, em uma rua próxima à escola. De imediato, me encantei por ela. Girei a pequena manivela e fui me envolvendo ao suave toque daquela música. Quando ela começava, uma miniatura de um palhaço emergia de dentro da caixa. Ao passo em que a música continuava a tocar, fiquei me olhando no espelho circular, eu era muito vaidosa, confesso. Mas o que me chamou a atenção, de verdade, não foi a música em si... mas aquele boneco de palhaço. Assim que fechei a caixa, prestes a entrar no colégio, vi a figura de um palhaço escondida em uma árvore do parque que ficava próximo. Ele franzia as sobrancelhas enquanto sorria (ele era meio bocudo, diga-se de passagem) e eu ficava sem entender o que ele realmente queria. Ele vestia uma roupa circense típica, de cor preta com bolinhas vermelhas. Enfim, tinha...

Cancelamentos e mudanças à caminho.

Então, como podem ver (eu acho) algumas séries estão tardando a retornarem ao blog, como é o caso de Biografia Nerd e Para Debater. Pois bem, eu andei pensando bastante sobre o quão bom ou ruim isto seria, tanto para o site quanto para o meu tempo (cada vez mais curto).  Portanto, decidi cancelar as duas séries citadas por motivos de força maior. Um deles é o Enem, cujos estudos estão tomando muito do tempo que eu tinha livre. Logo, diminuir a quantidade das séries do blog nesse período foi uma decisão praticamente inevitável - mas não pense que o blog foi o único afetado, a minha lista de séries e animes que pretendo ver também foi rsrs.  Bem, com isso, Biografia Nerd e Para Debater juntam-se aos cancelamentos ditos no post (já editado) que marcou o fim do segundo hiato do blog, o qual você acessa por este link: http://universoleituracontoscreepys.blogspot.com.br/2015/05/e-voltando.html Elas podem voltar? Sim, existe essa possibilidade. Vai depender do m...

Raiva

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Senti raiva por não ter tido aquilo que eu desejava. Senti raiva por acreditar que eu não era merecedor. Senti raiva por valorizar ideias estúpidas. Senti raiva por pensar estar sendo vítima de uma conspiração. Senti raiva por temer meus piores medos. Sinto raiva por ainda me sentir definhado, de dentro pra fora. Sinto raiva dos julgamentos passados feitos à mim. Sinto raiva da quietude dos que são capazes. Sinto raiva do fardo que carrego. Sinto raiva dos que me proporcionaram desilusões. Sinto raiva por não conseguir conter sentimentos que não se aquietam. Sinto raiva por tentar agir naturalmente, e falhar em todas as vezes. Sinto raiva do silêncio torturante. Sinto raiva por essa dor nunca passar. Sinto raiva por não conseguir estar plenamente em paz. Sinto raiva por deixar esta raiva arrasar meu espírito. E, por fim, sinto raiva... por ainda não saber como para-la.

Sem lugar...

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Deixe-me. Deixe-me enquanto ainda resta-me um curto tempo para executar os últimos suspiros. Abandone-me e brilhe no coração de um genuíno merecedor. Continuarei manchando estas paredes com sangue a cada passo de lentidão. Olhos vazios por lágrimas não jorrarem mais nesta doce escuridão. Rendido à medos que voltaram à tona, até findar-se na loucura iminente. As vozes... elas finalmente se calaram por eu recolher os últimos resquícios de minha alma. Não mais pertenço, logo me afundo em meu desalento. Não mais protesto, pois nenhum som minha voz pode reproduzir. Não mais luto, por minhas forças estarem esgotadas. Este sangue vai apodrecendo esta parede aos poucos. Irei caminhando com minhas já cansadas pernas por este longo corredor. Agora vá. O bem mais precioso que preservei durante tempos e não pude valorizar suficientemente. Deixe-me aqui, andando, afastando-se deles... enquanto alça voo em busca de alguém que possa usa-la e que possua uma alma digna. Pois esta, embora...

Capuz Vermelho #9: "Reunião na cabana e plano de ataque"

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"Sinto-me uma nova criatura. Disposta a enfrentar este mal que me afronta, quantas vezes for preciso, até que o mesmo se reduza em cinzas. Não irei parar até que tudo isto esteja acabado. É chegada a hora de elaborar estratégias, usar a cabeça e avançar para a linha de frente.  Eu, definitivamente, cansei de fugir."                                                                                       Trecho do Diário de Rosie Campbell; pág 60.      ____________________________________________________________________________ CAPÍTULO 09: REUNIÃO NA CABANA E PLANO DE ATAQUE Robert Loub aprontava de modo apressado suas malas em seu quarto, na mansão onde residia. Enfiando as roupas e outras peças onde deveriam ser armazenadas, o cientista, ao...

Monstro no final do livro (parte II)

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Parte II Eu custei a acreditar no que acabara de ver. Quase caí para trás devido ao susto. Pior mesmo foi ter, inevitavelmente, lido aquelas palavras escritas com sangue. O sangue da garota. Minha espinha gelou completamente. Somente pude sair daquela casa, abaixando a cabeça e mantendo uma certa discrição. As três páginas permaneceram comigo pelo resto daquele dia. Mas posso jurar que apenas fiquei observando as figuras nelas contidas, uma mais estranha que a outra, vale ressaltar. Prometi à mim mesmo averiguar os pertences da garota, investigar os lugares por onde ela passou e coletar o máximo de informações possíveis. Priorizar a resolução daquele mistério era o mínimo que eu podia fazer, àquela altura. Finalmente o "Dia D" chegara. Fixei meus olhos na casa da amiga de minha mãe, logo ao sair para contemplar o radiante sol da manhã daquele sábado. Aparentemente não havia ninguém, e, claro, só aproveitei a brecha para me instalar novamente. Talvez naquele exato momen...

Nem tudo é o que parece #15

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Minha irmã havia ganhado sua primeira boneca articulada naquele ano. Diferentemente de muitas, eu não tinha ficado com inveja, pelo contrário, eu estava feliz por ela estar feliz. No entanto, a tal boneca não aparentava ser de qualidade, apresentando algumas deformações no braço, olhos mal posicionados e uma pele que ia se alterando e desgastando-se muito rápido. Nossa, era o dia inteiro correndo para lá e para cá com aquela boneca. Ela não parava quieta. Quanto à mim, eu continuava com as minhas feitas de pano que nosso pai fazia. Certo dia, após um mês inteiro vendo aquela boneca se tornar uma coisa horrível, eu não havia encontrado minha irmã em lugar nenhum da casa... exceto o seu quarto, o qual não me era permitido entrar (por ela mesma). Próxima à porta, lá estava ela. Falo da boneca. Toda quebrada, com os braços e pernas retirados. Ah sim, eu tinha me lembrado que eu fiz aquilo, pois eu me ofereceria para comprar uma boneca nova para ela. Chutei aquela coisa dali e abri...