terça-feira, 13 de junho de 2017

A verdadeira razão pela qual Capuz Vermelho está demorando tanto



Certa vez escutei alguém falar que as coisas são apenas boas (adjetivando melhor: empolgantes) no início. Tempos depois comecei a associar essa meia-verdade - explico melhor abaixo - com o meu hobby favorito que é cuidar deste espaço que lancei com o despretensioso intuito de expor minha arte, aquilo que escolhi produzir a fim de expressar meu talento. Não ligo tal frase somente a situação da série que aqui é o enfoque, mas diria que do blog em geral. Acho que até já me expressei a respeito de algo parecido, do qual lembro de ter escrito que meu comprometimento com o blog converteu-se basicamente em diversão para obrigação - ainda que um público fiel ao conteúdo estivesse ausente, porque não corri longe o bastante para alcançar esse sonho, mas mencionar esse problema já desvia do assunto, portanto, melhor manter o foco.

Bem, a frase supracitada é uma meia-verdade a meu ver por duas razões: 1) Tenho por mim que um projeto desse tipo - seja uma série literária ou televisiva -, com propensão a ter uma longa continuidade, pode vir a apresentar sinais de cansaço dependendo do tempo em que se estendeu. 2) Mesmo que tudo, em determinado momento, pareça ter "perdido a graça", não ter mais aquele clima ou não lhe proporciona mais aquela sensação que te movia a escrever a todo vapor em um passado não tão distante, você não pode jogar a toalha assim tão facilmente, em vez disso procurar se auto-desafiar pois essa fase chata não vai passar se você não explorar todo o seu potencial, mantendo o pensamento de que, no fim das contas, você pode até se surpreender com o resultado e tudo volte a ficar estável embora não resgate fragmentos do passado de quando você pensa que era mais criativo.

Esta terceira temporada de Capuz Vermelho foi problemática em todos os sentidos. Não só a mais trabalhosa, por outro lado foi também a que mais me mantive empolgado por escrever (e nem por isso apressei demais o final da segunda temporada, porque me controlei rs) por se tratar do ápice de um ciclo, precedendo uma nova era (leia-se quarta temporada). É como enfrentar o chefão num vídeo-game, mas com um nível de dificuldade que você nem sonhava em ter de lidar. Percebe o quanto você era foda nas fases anteriores, relembra seus momentos de glória enfrentando cada obstáculo que surgia a todo momento e consequentemente vem aquela sensação que faz você imaginar: "Nossa, tudo era tão simples naquela época". Todo esse saudosismo repentino é um agravante que só potencializa a dificuldade encontrada para concluir o negócio.

O ponto-chave dessa questão é sobre não conseguir fixar na mente que o melhor que eu posso fazer será o bastante por ser o mais longe que consegui chegar. Em outras palavras, é um auto-desafio inverso: Para contornar o problema, deve-se parar de exigir tanto de si mesmo e seguir com o que tem de melhor a fazer independente das condições em que se encontre (deprimido, eufórico, ansioso etc) e para favorecer sua evolução deve-se se aprofundar melhor no seu potencial criativo, mergulhar fundo o que significa às vezes forçar um pouco para que lhe satisfaça na medida do possível e isso é auto-cobrança e isso é uma faca de dois gumes. Ainda estou preso no segundo desafio, mas tentando, ao máximo, abraçar o primeiro que, ao menos, propõe benefícios que tranquilizam a consciência.

Quero deixar esclarecido que não me cansei de escrever Rosie e cia. Meu ritmo de escrita é super-lento, eu sei (algo que George R. R. Martin e eu temos em comum hehehe), mas nunca, jamais, me ocorreu um desejo de tacar o "foda-se" na série e fazer tudo "nas coxas", escrever um final meia-boca e forçado só para se livrar de uma história que é difícil sim de escrever pela densidade e complexidade desse universo multi-sobrenatural. Mas quer saber? Ser difícil de escrever é o que me motiva a prosseguir com ela. A dificuldade que aqui explanei é relacionada ao fato de que percebendo que as coisas chegaram aonde chegaram (e olha que ainda está na terceira temporada) despertou em mim um apego ao passado, somado a outros fatores como hiatos, problemas pessoais e até mesmo os eventos da narrativa nesse ponto em que a série alcançou foram essenciais para dar essa freada no ritmo e acelerar o crescimento dessa hesitação em continuar porque as coisas assumiram um rumo épico demais e está tão bem encaixado, cada acontecimento já traçado. O problema afeta exatamente a execução. Você sabe, de cor e salteado, como o enredo vai se desdobrar, mas daí vem aquele "diabinho no ombro" que diz: "Vai fazer como?".

Esse meu jeito "danbrowniano" de escrever (o que não quer dizer que eu recorria aos livros dele para me "reabastecer", mas é verdade que seu estilo me influenciou) começou lá pela segunda temporada e foi aumentando até culminar na terceira, onde está mais forte, mais latente. Eu até poderia voltar a apostar no estilo da primeira temporada (narração e diálogos rápidos, poucos detalhes), mas a verdade é que seria meio que um retrocesso. Eu quis mudar justamente visando melhorar o desenrolar dos eventos com descrições pormenorizadas - de ambientes, de expressões, de sentimentos etc -, porém houveram consequências naturais dessa evolução e a maior delas é o tamanho dos capítulos. Nos meus devaneios saudosistas também me veio essa nostalgia de quando os capítulos não eram tão demasiados longos e por causa disso, claro, a frequência de publicação costumava ser rápida.

Faltam apenas DOIS capítulos para encerrar a atual temporada. Já revelo que escrevo-os simultaneamente e não é a primeira vez que aposto nessa ideia. A única saída mesmo é perseverar... fazer o melhor que posso. Seguindo em frente, me dando uns "puxões de orelha" a respeito de não estar escrevendo um livro sob pressão de uma editora, mas sim uma história despretensiosa que fiz valer a pena mesmo não ganhando um centavo, mesmo não sendo conhecida por quase ninguém.

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