Pestilência


Relatos de: Não-identificado.

Dia 01 - Experiência básica: Uma manhã aparentemente comum dentro de casa.

Parecia até outro universo. Em verdade, todos os meus sonhos, de alguma forma, passam a clara impressão de não serem ambientados no mundo que conheço, nada parece exatamente igual, o clima, as interações e o pequenos detalhes são absolutamente diferentes, descartando os pontos que não fazem o menor sentido, coisas que qualquer sonho tem e desafia sua capacidade de decifrar e interpretar (se é que pode ser possível, pois 90% do conteúdo do sonho é varrido da mente em minutos). Mas comigo isto não ocorreu completamente. Este foi o primeiro de uma série amedrontadora de sonhos associados a elementos pestilentos. São mais manifestações de um dos meus piores medos. Sou entomofóbico... é um medo irracional de insetos, principalmente voadores. Posso abandonar esta gravação a qualquer momento se eu me sentir tocado por um deles. Abandono mesmo. Mas vou tentar me esforçar...

Era de manhã. Manhã ensolarada. Ora parecia ser sábado, ora parecia ser um dia qualquer da semana. Eu andava pelo corredor que levava até a cozinha... quando ouvi um barulho vindo do telhado, parecendo um monte de folhas secas chacoalhando. Havia uma telha transparente, acho que era de policarbonato - há uma realmente na cozinha, mas esta do sonho era meio diferente - e quando bati os olhos nela... bem, era de lá que vinha os ruídos, obviamente.

Congelei, estagnei, travei total. Vi baratas, meio cor de caramelo, aos montes, tentando quebrar a telha que se dobrava com o peso do amontoado. Já via a hora de elas saírem pelas brechas que se formavam. É somente até este ponto em que me lembro. Eram várias... Depois de correr pela casa... despertei ofegando e suando.

Eu realmente tive certeza que a casa seria invadida por aquele exército de criaturas asquerosas. Além disso, tive a ligeira impressão de não serem baratas aladas comuns... Por favor, eu preciso tomar um ar, tenho que sair antes que eu acabe surtando de pânico... não posso contar esse sonho com tantos detalhes sem reprises explodirem na minha cabeça, é tão involuntário, automático... e aterrorizante.

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Dia 02 - Experiência básica: Encaminhando-se ao banheiro para uma ducha (Porém...).

Este foi até menos arrepiante, mas não menos estranho. De fato, aliás, senti uma pontinha de medo pelo que aquelas coisinhas nojentas podiam fazer. Antes de mais nada, tenho que agradecer pela pausa de uma hora, fico feliz que respeitaram meu desconforto. Bem... Eu mal entrei naquele maldito banheiro. Recuei, sentindo uma tensão incomum tomar conta de mim e do meu corpo semi-nu.

Me deparei com pequenas minhocas vermelhas espalhadas pelo piso do banheiro - piso em cerâmica, quadriculado. Sinto nojo e ânsia de vômito só... de lembrar de ter assistido aquelas criaturinhas rastejando pelo chão na mesma velocidade de uma lesma. Em vez de contabilizar, lembro de ter chamado minha mãe aos berros, mas sem demonstrar medo no tom de voz.

Observei ela recolher cuidadosamente cada minhoca e coloca-las em um balde de plástico transparente. Neste tempo, notei algo curioso e interessante. Nem me era estranho minha mãe nem hesitar pegar nelas com mãos limpas sem questionar elas terem bocas circulares com dentes pontiagudos. Tinham o formato de sanguessugas, mas menores que uma. Uma delas caiu no meu braço esquerdo, haviam outras "grudadas" no teto.

Senti uma mordida forte que me fez rosnar alto. Peguei nela e tentei arranca-la do meu braço, mas era bem resistente e continuava a me morder. Doía a cada vez que meu sistema nervoso sentia a ponta dos dentes minúsculos. Com mais força, consegui tira-la e a joguei para longe. Minha mãe parecia ter desaparecido (coisa típica de sonho), como se nem tivesse entrado lá.

A minhoca devorou um pequeno pedaço da minha pele, a ferida estava bem feia. Ela quase cavou mais fundo. Ao tocar na ferida pude sentir um buraquinho na carne.

Por fim, saí do banheiro... e acordei... muito embora não tenha certeza de que foi assim que terminou.

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Dia 03 - Experiência básica: Dando uma volta pelo quintal.

Só lembro de ter visto lagartos de pele vermelho-alaranjada e com umas listras pretas caminhando enfileirados pelo quintal que é cheio de bastante vegetação. Notei terem olhos todos brancos.

Levantei a hipótese de serem venenosos. A aparência não era nem um pouco convidativa para tocar.

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A conclusão:

Sou o Dr. Hammer, e venho por meio deste comunicado informar que o jovem participante que serviu de testemunha escapou de sua cela de contenção hoje pela manhã. Sendo assim, a captura da fonte de suas visões encontra-se indefinida. Antes de verificarem a cela, os agentes descobriram fitas e documentos arquivados completamente destruídos, provavelmente pelo jovem. Eram parte de seus depoimentos transcritos e gravados. Ao que parece, ele sofreu um surto psicótico por influência direta com a fonte que se mantém ligada à sua mente (de existência não comprovada). No último relato - não transcrito -, cujo material de áudio não fugiu à regra de limpar cada prova, ele relatou ter visto, numa noite, uma presença estranha no quarto na forma de um suposto homem parado perto de sua janela, que exalava um odor fétido e nauseante, disse ter vomitado três vezes antes que se levantasse da cama e em seguida constatou que o invasor lhe falou sobre seus sonhos. Durante a conversa, ele disse ter escutado zumbidos de insetos voando pelo quarto, mas foi advertido para não acender a luz nem reagir com violência ou medo. O invasor misterioso, ao que pareceu, lhe contou mais do que ele se sentiu obrigado a falar no depoimento. Não terem encontrado traços de substâncias ilícitas no seu organismo não elimina a hipótese disto não passar de um caso clinicamente tratável.

Os três primeiros relatos foi tudo o que restou como provas confidenciadas à equipe e restritas à ela. O rapaz disse ter sentido o gosto da morte ao estar diante do homem cujo rosto permaneceu oculto. E parou de falar quando disse que devíamos nos preparar. Para o quê, não faço a mínima ideia. 

Será que alguém vazou a informação de que hoje faríamos a lobotomia? 

Tudo parece estar associado à insetos. A maioria quis determinar que se trata de um curso de eventos futuros, mas de ocorrências não literalmente relacionadas aos sonhos. 

Só existem duas questões: 

Estávamos lidando com um simples fóbico delirado ou um emissário de uma suposta entidade sobrenatural que ameaça intoxicar o mundo? 

De qualquer forma, deve ser detido em curto período de tempo enquanto sendo um perigo para a sociedade... 

Eu... não posso mais continuar... teria algo mais a dizer, mas... sinto algo coçando... coçando por dentro do meu braço... e ouço... ouço um barulho vibrante... como se mais de mil insetos... estivessem se aproximando... 

Creio que sentir borboletas no estômago nunca fez tanto sentido.


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Este conto foi escrito e publicado exclusivamente para o Universo Leitura. Caso o encontre em algum outro site com créditos e fonte ausentes, não hesite em avisar! 




*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos ou intenções relativas a ferir diretos autorais. 

*Imagem retirada de: http://omedoeincrivel.blogspot.com.br/p/imagens.html



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