Crítica - O Poderoso Chefinho


Metáfora hiperbólica sobre dividir atenção.

AVISO: A crítica abaixo contém SPOILERS. 

Para não fazer parecer que só dou bola para a Disney, esta review serve para destacar que as animações da DreamWorks também possuem minha adoração e espaço aqui no blog, o único porém é que não ando tão por dentro dos últimos lançamentos do estúdio tanto quanto os da casa do Mickey Mouse (a Pixar está no topo, não me passa uma coisa batida acerca de tudo que é novidade). Para estrear a inclusão das produções do estúdio (que conta sempre no meu favoritismo os dois primeiros longas de Shrek), mirei numa produção recente, lançada em março do ano passado que a princípio atiçou minha curiosidade quanto ao seu enredo meio que bizarro. Sendo franco, esta crítica terá o respaldo de uma teoria de um vídeo do Youtube que você pode acessar aqui.

Se você não quiser assistir, tudo bem eu resumo ao mesmo tempo dando uma sinopse básica: Tim é um garoto de 7 anos (o longa é ambientado no passado e com algumas narrações em off pelo Tim adulto) confortado pela atenção oferecida pelos pais que qualquer criança poderia merecer, mas num dia ele se depara com uma mudança que abala seu mundo: a chegada de um irmão que, por sinal, é cogitada por seus pais numa cena um tanto quanto conveniente para escancarar o X da questão respondida pela teoria. Ele se pergunta de onde vem os bebês e adormece. Fim do prólogo e em seguida temos a fofinha abertura do filme apresentando vários bebês numa espécie de dimensão com uma passagem que realiza um teste e dependendo do resultado podem ser enviados para os lares ou a Babycorp, organização secreta chefiada pelo Bebê (não tem nome) que esbanja ares vilanescos no primeiro ato disputando com Tim o afeto dos pais. Teria sido tudo um sonho? Olha, de uma coisa tenho certeza: essa foi a teoria mais plausível desde a da Pixar. Não faz muito sentido... faz TODO o sentido.

E sabe o quê mais? Atribui enriquecimento à premissa que pode soar estranha a quem não se ligar nos pequenos detalhes que constroem a hipérbole central embasada na teoria. O Bebê está em missão para impedir que um CEO, grande antagonista do filme, destrua o amor dos pais por seus filhos bebês substituindo-os por cãezinhos fofos, jovens e imortais porque cães (assumindo que isto é um sonho de Tim) costumam facilmente estimular afetividade nos humanos e o trunfo de Francis E. Francis faz o tipo da maioria. Inicialmente todo o conjunto desenvolve a gangorra de drama e humor que permeia o balanço que a vida de Tim sofre com ameaçadora chegada do irmãozinho. E aí começam as bizarrices que você esforça-se para compreender: O Bebê todo exibindo saindo do táxi de terno e gravata agindo como um adulto, os pais nem se dão conta disso (como Tim lutando numa perseguição com direito a explosão e tudo para mostrar a gravação de uma fita que compromete o disfarce do Bebê e na visão deles é apenas brincadeira normal de criança), apenas Tim nota que tem algo errado, o lance da Babycorp e etc. Não estar com percepção aumentada pode te fazer cair numa armadilha e provocar uma impressão de estranhamento fazendo sentir que o filme caga e anda para a lógica e coerência. Um olhar atencioso e pronto, temos a suposta resposta com 99;99% de verdade.

Situações como as citadas sairiam injustificadas se o filme não desse uma pista tão clara na cena que Tim questiona a origem dos bebês. O roteiro não jogou isso aleatoriamente, acredito que há sim um propósito e nesse ponto a teoria entra. A trama, sem que o espectador ligue os pontos ao final e ache tudo uma animação bestinha, pode parecer boba no decorrer do primeiro e segundo ato, mas vai ganhando contornos melhores graças a bem trabalhada relação entre Tim e o Bebê que se permite evoluir até ambos esquecerem da rivalidade criada com anseio pela atenção dos pais e tornarem-se aliados contra o plano maligno de Francis - um antigo bebê influente na Babycorp que foi demitido e exilado na Terra para viver sob os cuidados de uma família cujo cão lhe deu a ideia para a "brilhante empreitada" à morte do amor incondicional entre pais e filhos. Ainda que possa ser (POSSA SER, não estou afirmando nada) um sonho, o enredo põe elementos que não façam tudo ganhar atmosfera de um nonsense infantil, inserindo o elixir que mantinha os bebês da Babycorp como eles são, uma fonte de vida eterna, só que não é o bastante porque o bebê tem consciência adulta para agir e falar como um adulto e sem isso ele envelhece como um ser humano comum, então o detalhe do porque deles terem essa compostura madura demais para o que aparentam ficou inexplicado. Porém, vamos continuar nos apoiando na ideia do sonho.

Tim é dotado de uma imaginação exageradamente fértil (o que não é estranho partindo da cabeça de uma criança com 7 anos de idade) e isso é evidenciado já na sequência próloga enquanto ele não é bombardeado pela cogitação dos pais em gerar outro filho. E sim, é algo que reforça veementemente a teoria. Até porque sonhos no geral sempre carregam nuances ilógicas e incompreensíveis que forçam a pessoa a tentar decifrar e interpretar (tem quem leve para uma ótica premonitória, o que pode haver uma relação). Pegando o lance da imaginação de Tim, é válido salientar que por conta disso o sonho ganhou mais vivacidade e consequentemente menos loucura. Da animação em si, não tenho do que reclamar, é o traço estilístico e que até mesmo a pessoa que viu duas ou três animações em vezes quase imemoráveis na infância ou adolescência reconheceria que ali é a DreamWorks. A condução é criativa à medida que torna-se possível se sensibilizar pelo vínculo formado entre dois irmãos que se fortalece, se desestrutura e depois se reergue mais forte para o ato final (o resgate dos pais e enfrentar Francis). O incômodo maior ficam para as conveniências do roteiro nessa altura do filme e não vou usar a teoria como escudo para relevar porque aí já vou forçar a barra por mais que eu acredite em 100% que ela seja uma verdade mascarada pelo próprio filme (o que aparentemente não foi capturado pela crítica especializada).

Considerações finais:

O Poderoso Chefinho promove uma grande (e supostamente onírica) retratação hiperbólica (visual em dados momentos, como Tim de castigo no seu quarto representado como uma cela de presídio) sobre carência infantil e o quanto a presença de um irmão mais novo interfere na relação com os pais do filho que sempre esteve satisfeito em ser único e passa a ser "ignorado" enquanto o bebê domina a atenção dos pais como uma entidade que os comanda para que o sirvam a todas as necessidades. Isso acontece na vida real. A chegada de um irmãozinho pode acarretar em ciúmes no primogênito e o filme encontrou a maneira certeira de explorar isso. Dá para passar o tempo, mas só se atente em não querer racionalizar tudo o que acontece entre a sequência do Bebê saindo do táxi e Tim (no pós-clímax) acordando as sete horas sentindo falta do irmão que nunca desejou, fica a dica porque o filme indica pontos que não fazem desta teoria tão teoria assim (é sério).

PS1: Referências a Todo Mundo Odeia o Chris e a Ace Ventura captadas com sucesso.

PS2: Para chegar ao local onde Francis planeja o lançamento dos filhotes, Tim disfarça o Bebê como uma criança doente pedindo ajuda a algumas mulheres festeiras, uma delas, tocada pela situação, pergunta onde eles moram e Tim responde ser no Centro de Convenções em Las Vegas e é isso, partiu, bora lá levar esses dois meninos para casa.

PS3: Raciocinando aqui: Tim se pergunta de onde vem os bebês apreensivo pela possibilidade de ganhar um irmão e ficar no canto, ele adormece, a sequência de abertura mostra Bebês numa esteira até passar num teste de cócegas e aquele que não rir vai para a Babycorp ser um agente secreto e quem responde bem é despachado para uma família (o que não faz nenhum sentido numa compreensão lógica real, claro), o Tim vive todas as aventuras com o intruso numa relação que do ódio se converte para amizade até o ponto dele se afeiçoar de verdade ao Bebê com um inimigo em comum a ser combatido que fortifica esse laço, com a missão cumprida o Bebê volta a sua empresa de táxi (o motorista é adulto e... qual adulto trabalha como motorista para uma corporação de trabalhadores bebês que se comportam como adultos?), Tim fica na bad, acorda com sua opinião completamente diferente e (acho que) alguns dias depois surge um táxi, ele fica felizão achando que sairá um bebê de terno e gravata dançando e todo pomposo, mas é só sua mãe e seu pai trazendo no colo um novo membro da família sendo um bebê normal e ele aceita na maior alegria. Alguém que assistiu ainda tem dúvidas de que essa bagaça foi um sonho?

PS4: Agora a cena final (não ela toda, só o finalzinho)... essa eu prefiro encarar como uma brincadeira do enredo mesmo para te pegar e deixar confuso, o que talvez seja mais um reforço para a teoria, o que seria bem melhor do que um indicativo para sequência (e pior que haverá, confirmada para 2021, na minha opinião é desnecessária já que esse primeiro foi tão redondinho).

NOTA: 8,0 - BOM 

Veria de novo? Sim. 

*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para lustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://cinepop.com.br/o-poderoso-chefinho-ganha-divertido-trailer-honesto-assista-163229

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