O Ceifador (parte 2)


Névoa... um céu nublado... tempestuoso... as nuvens desta noite tinham um aspecto sombrio, que realçava assustadoramente o clima de terror que se encontrava no cemitério... onde o clima monótono da normalidade vai embora e dá lugar ao paranormal que se encontrava na mais súbita sombra... e agora se mostra presente... na forma de um ser... um ser que não se mede por sua aparência... e sim pelas suas capacidades... consideradas mortais... não há mais para onde fugir... a morte está sempre à espreita.

O homem misterioso emanava uma energia maligna perceptível aos olhos de Pedro. Ele aparentava ser um justiceiro das sombras que faria de tudo para vingar as vidas que foram ceifadas por ninguém menos que ele... sim, o ceifador, que virou sua atenção diretamente para o tal homem vestido de preto e "armado" com um crucifixo. Tudo ficou em um silêncio que permaneceu por estático por alguns milissegundos. Até que o homem se aproximou do ceifador para lhe desafiar. Ele deu passos, e disse em tom ameaçador:

- Vou fazer você sentir medo. Não vai mais atormentar inocentes.

Pedro desconfiava do homem. O ceifador o respondeu sendo arrogante:

- Se achas tão valente a ponto de me enfrentar, mero mortal, triste criatura que ainda não se deu conta de sua tamanha insignificância. Saia daqui imediatamente se não quiser morrer.

O homem ergueu seu crucifixo apontando para o ceifador e disse algumas palavras incompreensíveis que Pedro mal entendia. O ceifador tentou se proteger usando a foice, mas sua tentativa foi inútil. As palavras tinham um poder incrível fazendo o ceifador se contorcer e de repente desaparecer. Pedro se sentiu inseguro, pois sabia que mais cedo ou mais tarde o ceifador viria atormenta-lo novamente. O homem se aproximou dele lhe estendendo a mão para que se levante. Mesmo receoso, Pedro aceitou a ajuda.

André, Flávia e Lívia estavam desmaiados. As correntes haviam desaparecido, porém, os ferimentos continuavam expostos nos três. O homem decidiu ajuda-los.

- O que vai fazer com eles? - perguntou Pedro, desconfiado, achando que o homem iria fazer alguma atrocidade aos seus amigos.

- Não se preocupe, estou aqui para ajuda-los. Eu fico neste cemitério depois das dez. Sou um caçador de fantasmas, meu nome é Oliver. Senti a presença do ceifador de longe, sabia que estavam em perigo e não pude deixar de ajuda-los. Suas vidas estavam quase no fim... acredito que ele lhe atormentou muito.

Pedro se apresentou para o homem e pediu explicações.
- Meu nome é Pedro. Preciso que me responda todas as perguntas, eu quero respostas.
O homem lhe mostrou um livro. Um livro grosso, que em sua capa apresentava um símbolo estranho. Pedro pegou o livro e abriu-o passando as páginas.

- Eu não entendo nada do que tá escrito nesse livro. O que quer que eu faça? - perguntou sem entender nada, questionando o conteúdo do livro.

O homem pegou os corpos de Lívia e Flávia e o aconselhou a irem para um lugar seguro.

- Vamos, precisamos sair desse ponto onde tudo aconteceu. Sinto a presença de alguns espectros negros vagando entre nós. Eles são aliados do ceifador, são almas de pessoas malignas e podem possuir nossos corpos, vamos pra um lugar seguro. Leve seu amigo, eu levo as duas garotas.

Pedro levou pelas costas o pesado corpo de André. Os dois seguiram para uma cabana que ficava a uns quatro quilômetros depois do fim do cemitério. Ao chegarem lá se depararam com um ambiente limpo e arejado. Bem diferente do qual estavam antes.

Pedro jogou com força o corpo de André em uma mesa, pois não aguentava mais tanto peso. Oliver deixou Flávia e Lívia deitadas em um colchão velho, mas bem conservado. Agora só restava esperar que os três melhores amigos de Pedro se recuperassem para se prepararem para a batalha final. Pedro encarou Oliver, ainda desconfiado do caráter do mesmo. Oliver estranhou a desconfiança de Pedro mesmo depois de ajuda-lo.

-  O que houve? Porque está me olhando assim?

Pedro rejeitou sua desconfiança e olhou para o chão meio triste. Oliver se aproximou para consola-lo.

- Vai ficar tudo bem. Nós vamos vence-lo, não vai haver barreiras no nosso caminho que impeçam a nossa vitória, acredite no que eu digo.

Pedro quis que ele respondesse suas perguntas para que se entendesse o que realmente o ceifador quer e o porque logo este cemitério, se existem vários pelo mundo.

- Por favor me responda. O que é o ceifador e porque ele quer a alma dos meus amigos e quer me manter vivo?

Oliver foi direto em sua resposta.

- O ceifador é um errante, uma criatura que pode assumir diversas formas diferentes. Consegue ficar até mesmo invisível, isso explica porque não conseguimos ver seu rosto. Mas acredite, por debaixo daquela mortalha há um ser repugnante que pode se materializar e lhe atormentar para sempre. Ele veio das profundezas do inferno para fazer os humanos pagarem pelos seus pecados os matando.

Pedro ficou ainda mais curioso com a história.

- Mas... então quer dizer que é uma criatura que tanto pode se transformar em demônio quanto em fantasma?

- Sim... pode assumir as duas formas. Mas sua forma fantasmagórica é a que ele mais aprecia, só assume a forma demoníaca quando é necessário, e nesta forma ele se torna muito mais perigoso e...

André se levantou da mesa, rapidamente, desesperado.

- Então é isso! É um demônio, eu sabia!


Pedro se surpreendeu com a recuperação rápida do amigo.

- André... caramba você se recuperou rápido, que bom que você tá vivo cara.

- Eu já estava acordando, não pude deixar de ouvir a conversa. Então quer dizer que o tal fantasma é na verdade um demônio? - perguntou ele, assustado.

Oliver o respondeu sucintamente.

- Ele é os dois. Temos que detê-lo antes que ele comece a pôr em prática o seu plano, que se trata de um ritual.

- Que tipo de ritual é esse? - uma voz surgiu atrás de Oliver. Era Flávia e Lívia as duas estavam ouvindo a conversa. Pedro ficou bastante feliz pelas duas e correu para abraça-las.

- Flávia, Lívia, que bom que vocês duas estão vivas!!

- Ei, eu também quero participar desse abraço. - disse André.

Oliver, vendo o abraço dos quatro amigos, alertou que não é hora para comemoração.

- Não cantem vitória antes do tempo. Temos uma batalha pela frente.

Pedro se sentiu mais encorajado e transmitiu essa coragem para seus amigos.

- E temos que impedir esse ritual. Com certeza o objetivo de tudo isso não é nada bom.

- Mas no que consiste esse ritual? - perguntou Lívia para Oliver.

- É meio difícil de explicar. Se vocês verem o que eu vi, nunca vão esquecer. - respondeu Oliver, com um semblante de seriedade.

- É melhor nós irmos logo, vamos acabar com esse monstro. - apressou-se Flávia.

- Sim, mas antes vou cuidar dos ferimentos de vocês três. Ainda estão expostos e podem infeccionar. - disse Oliver, querendo ajudar novamente.

- Então tudo bem. Enquanto isso vou tentar decifrar o que está escrito neste livro. - disse Pedro, olhando para o livro que estava em uma estante de madeira.

Depois de curar os ferimentos de André, Flávia e Lívia, Oliver preparou suas coisas. Entre elas estava uma espada e a guardou numa maleta grande, no caso de o ceifador se transformar em um demônio. Pedro ficou do lado de fora da cabana esperando seus amigos irem. Oliver foi na frente, segurando a maleta com a espada dentro. Atrás dele vão Pedro, Lívia e Flávia. Oliver perguntou para Flávia o porque de não desconfiarem dele.

- Agora mesmo que percebi. Vocês três não sabem quem eu sou, e por incrível que pareça não desconfiaram de mim.

- A gente sabe que você quer nos ajudar, não iríamos desconfiar de você em nenhum momento. - disse Flávia.

- É, nós quatro vamos contar com você nesta luta - disse Lívia.

Ao chegarem no cemitério, os cinco ouviram um zumbido. O mesmo que Pedro ouvira minutos atrás. Depois de alguns segundos o barulho cessa. Todos permaneceram em silêncio e parados. Até que um raio caiu sobre o chão, mas não próximo de Pedro e seus amigos.

O ceifador surgira logo na frente dos aventureiros. Pedro não perdeu tempo e tomou o livro das mãos de Oliver e o crucifixo. Ficando cara a cara com a morte, ele disse as palavras que estão no livro. O crucifixo brilhou intensamente. O ceifador se contorcia e começava a se debater no chão. André não gostava do que estava vendo.

- Minha nossa... mas será que isso pode ficar pior!?

- Pedro!!! Já chega. Se continuar apontando o crucifixo pra ele mais do que um minuto ele vai se transformar! - disse Oliver tentando para-lo.

Pedro se aproximou do ceifador com um olhar raivoso. O crucifixo brilhava intensamente à medida que se aproximava do ceifador, que se debatia no chão sem chance de se defender. Pedro achara que acabou.

- Viram só isso? Somos mais fortes do que ele, nós já vencemos essa batalha!

Passado um minuto, o ceifador parou de se debater no chão e começava  exalar uma fumaça negra, que infestou todo o local. Pedro se afastou. Oliver o alertou novamente.

- É isso Pedro. Já se passou um minuto. Você deixou que ele ganhasse tempo para se transformar, agora é tarde demais!.

Flávia e Lívia ficaram desesperadas.

- Pedro não chega mais perto desse monstro. - disse Flávia.

- Ele tá se transformando! O que vamos fazer agora? - disse Lívia, assustada.

O ceifador se transformou em uma criatura macabra. Seu corpo se materializou formando as mãos e os pés que tinham uma aparência selvagem. A mortalha se transformou na fumaça negra, a criatura mostrou seu rosto...

Uns dentes afiados, olhos vermelhos e brilhantes, e uma cabeça achatada. Pedro se afastou com um olhar de horror. Todos ficaram assustados com o que estavam vendo. A criatura pulou pra cima de Pedro com extrema violência e lançando um rugido ensurdecedor. Pedro dava socos na cara dela mas não surtia efeito. O demônio abocanhou a cabeça de Pedro, que ficou com o rosto todo sujo de saliva pegajosa.

- Se não vai me ajudar, não há outra escolha a não ser te matar.

Oliver pegou um revólver e disparou contra a criatura, que não sentiu os tiros. A munição de Oliver acabou num instante. De repente a terra começou a tremer. Pedro deu um chute na cara da criatura, que dava uma risada maléfica no caída no chão, e babando um líquido preto pela boca. Ela começava a se contorcer. Os pés trocando de lugar com as mãos, a cabeça indo para a parte inferior do corpo.

Pedro olhou com bastante horror àquela cena. Da terra, que continuava tremendo, emergiu um enorme castelo. O tremor pára. Oliver, caído no chão devido ao tremor, ajuda os outros três amigos a se levantarem.

- Caramba, que doideira! O que é isso? - perguntou André.

- Nossa, é enorme. - diz Flávia, impressionada com a beleza do castelo.

A criatura se levantou e abriu a parte de seu tórax, rasgando a pele até o abdômen, e começou a sair de dentro de seu corpo vários tentáculos, como se fosse sair outro ser de dentro da criatura, de tão grotesco e abominável que era. Lívia, olhando a cena, abraçou André.

- Eu não quero mais ficar aqui! Eu queri ir pra casa, eu quero a minha mãe!!!

- Eu também!!! - André sentia a mesma dor.

Oliver abriu a maleta e tirou a espada. Flávia, olhando aterrorizada para o demônio, pergunta para Oliver:

- O que vai fazer com isso?

- Preciso dar a espada para Pedro. Ele é quem vai matar a criatura, não há outro jeito.

Pedro permaneceu imóvel sentado no chão, olhando para a criatura. Não conseguia se mover de tanto horror que sentira. Oliver jogou a espada para que ele pegasse e matasse a criatura.

- Pedro, pegue essa espada! Tente crava-la na cabeça  do demônio, é a nossa única chance, se você conseguir matar a criatura consequentemente o ceifador vai deixar de existir já que são um ser só. Vamos, LEVANTE!!!

Pedrou ouviu o pedido de Oliver e disse com bastante coragem de vencer:

- É isso... eu tenho que seguir em frente, eu sou um guerreiro, eu sou um vencedor...

Pegou a espada e se levantou correndo em direção à criatura dizendo em voz alta:

- EU VOU VENCEEEEEER!!!


A criatura desviou do golpe da espada de Pedro dando um pulo. Os tentáculos ricochetearam no chão fazendo-a pular mais alto e chegar ao topo do castelo. Pedro observou o castelo e lançou a espada como se fosse um bumerangue para atingir a criatura, porém, a mesma manda a espada de volta. O objeto pontiagudo vem na direção de Pedro, que olhava assustado com a velocidade que a espada vinha em sua direção. André correu para salvar a vido do amigo.

- Pedro, NÃAAAAAOOO!!!

- André, não vá!!! - alertou Oliver.

André tomou a frente de Pedro, em em questão de segundos a espada atravessou sua garganta. Um jato de sangue foi espirrado para o ar. André caiu no chão com a espada cravada entre a garganta e a nuca. O prateado vivo da espada agora é tomado pelo vermelho do sangue que não parava de escorrer. Uma lágrima desceu lentamente dos olhos de Pedro. Se aproximou de seu amigo para tentar revive-lo.

- André, por favor, fala comigo! Não morre cara, NÃOOOO!!!

Lívia e Flávia choravam desesperadamente. Correram para tentar consolar Pedro, que abraçava o corpo do amigo chorando. Oliver abaixou a cabeça, e uma lágrima escorreu pelo seu rosto. A criatura deu um sorriso cínico e entrou no castelo atravessando o telhado. Lá iria fazer o ritual, o definitivo... que traçaria o destino dos três jovens.

Oliver se aproximou dos três bastante comovido com tudo o que aconteceu.

- Sei como estão se sentindo nesse momento. É como se o mundo tivesse desabado.

Pedro, ainda chorando, lamentou o ocorrido.

- A culpa é toda minha. Eu é quem deveria ter morrido, é a mim que ele quer.

- Você não tem culpa de nada, ele só quis te proteger. Agora ficará em paz, bem melhor do que a gente. - consolou Flávia.

- Não tenha tanta certeza - disse Oliver.

- Como assim? André não vai estar em paz no mundo dos mortos? - questionou Pedro.

- Os espectros negros aliados do ceifador estavam presentes no momento em que ele morreu. Certamente levaram sua alma para algum lugar para que seja usada no ritual.

Pedro levantou-se e chegou a uma conclusão.

- Esse é o plano dele. Ele escolheu o menos corajosos de nós, que é o André, para que morresse e sua alma sirva de ferramenta extra para o ritual, restando apenas nós três que somos escolhidos dele. Depois que fizer o ritual ele vai nos transformar em mensageiros da morte e descartar a alma de André como se fosse lixo.

- Mas não entendo qual o objetivo desse ritual - disse Flávia, ainda confusa.

- A conclusão de Pedro está mais do que certa. O objetivo do ritual é transformar vocês em guerreiros que podem espalhar o caos pelo mundo para que mais pessoas morram e poupe o trabalho dele. Ele escolheu vocês por serem jovens, a maioria das pessoas que visitavam esse cemitério eram anciões com mais de 70 anos, vocês são os primeiros jovens que entraram no cemitério e o ceifador precisa de pessoas jovens para realizar o ritual. - explicou Oliver.

- Agora tudo começa a fazer sentido... não devíamos ter entrado neste cemitério. Pagamos um preço muito alto perdendo nosso amigo. - disse Lívia, sentindo que a ficha caiu.

No castelo, a criatura desenhou um símbolo no centro da sala de estar. O símbolo consistia em um pentagrama e ao redor dele várias velas vermelhas. A criatura coloca as mãos para o alto e começou a dizer palavras em uma linguagem estranha. O símbolo começou a brilhar e raios emergiram do chão até o teto fechando o ponto do ritual como se fosse um campo de força.

O brilho se intensificou a medida que as palavras da criatura dizia ganhava força. Oliver percebeu uma intensa luz vermelha vinda do castelo. Era o ritual que estava se iniciando, era o momento certo para impedir que o pior acontecesse.

- Mas o que tá acontecendo? - perguntou Pedro, intrigado com a tal luz.

- Começou... o ritual começou. O demônio está dentro do castelo, é hora de nós agirmos. - disse Oliver preparado para enfrentar a criatura.

- O que estamos esperando? Vamos logo, vamos detê-lo! - disse Lívia confiante.

Os quatro correram em disparada para o castelo. Pedro tirou a espada do corpo de André e correu com um sentimento de vingança fervendo no seu sangue.

- Vamos lá! Vamos vingar a morte de André!!!

Oliver tirou de seu bolso um cetro mágico que usaria como arma. A batalha contra o mal estava prestes a começar e tudo pode acontecer neste imprevisível confronto mortal.

E aí?

De que lado você está?

Continua... 

Comentários

  1. Até esqueci que tu tinha um blog, tava procurando uns contos longos bora ler e.e...

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    Respostas
    1. A parte 3 desse já foi postada no ML, mas vou posta-la aqui na terça :)

      Excluir
  2. parceria? http://magefox.blogspot.com.br/p/parceria.html

    ResponderExcluir

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