O Ceifador

Eis aqui o retorno da categoria "Contos". Para marcar essa volta, e em grande estilo, apresento não só um
dos meus melhores contos, mas também o meu primeiro conto de terror. Só tenho a desejar uma ótima leitura!


26 de janeiro de 2005
A noite deste dia surgiu rápido. As luzes das ruas daquela pequena cidade já estavam se apagando. Eram exatamente 23h00m, o cemitério da cidade estava prestes a fechar. O coveiro que ficava no cemitério até altas horas observando aquelas lápides em condições precárias e enterrando alguns corpos decidiu ir embora naquele dia. Ele olhou para o portão que dava entrada para o assombroso local e ficou pasmo com toda aquela escuridão do lado fora. Nunca havia visto uma noite tão sombria desde que seu pai se suicidou na sua frente em um dia de tempestade, há 30 anos atrás.

Resolveu ir embora naquele instante, pois como as ruas estavam bastante escuras temeu que pudesse ser assaltado. Abriu o portão e foi andando devagar com uma expressão triste e ao mesmo tempo de medo. Medo da morte. Ele acreditava em uma lenda que seu pai lhe contara quando tinha apenas 8 anos, e desde então desenvolveu o medo que lhe assombra todas as noites e o atormenta exageradamente.

Passou-se uma hora. Era meia-noite. Por incrível que pareça quanto mais as horas passavam o cemitério se tornava um ambiente completamente sombrio e macabro. Eis que um grupo de jovens aspirantes à detetives decidiu adentrar no local. Eram quatro jovens, tinham um espírito aventureiro em comum.

Pedro, Flávia, Lívia e André. Todos os quatro entraram de uma vez no cemitério. André era o mais apavorado e não achava uma boa ideia visitar um lugar tão misterioso.
- Acho melhor a gente voltar pra casa, não é bom visitar cemitérios à noite.
Pedro, que era visto como líder do grupo, explicou para André o verdadeiro motivo de estarem ali.
- Deixa de ser medroso cara, nós viemos aqui por um único motivo.
Flávia questionou Pedro a respeito disso.
- A gente não vai desenterrar corpos né!?
Lívia disse em tom de medo.
- Só de pensar nisso me dá um frio na espinha, eu não quero passar por uma experiência dessas.
Pedro começou a rir dos três em tom humorístico.
- Calma galera. A gente só vai investigar e tentar comprovar a existência de zumbis, só isso.
Flávia reclamou se mostrando mal-educada.
- O quê? Ficou louco Pedro!? Não viemos aqui pra fazer aquela brincadeira do copo?
Flávia trazia consigo uma maleta cor-de-rosa com todos os apetrechos para a "brincadeira".
Pedro a respondeu.
- Ah, é mesmo. Tinha me esquecido disso. Podemos nos sentar aqui no chão.

André, que era fanático pela tal brincadeira, avistou uma mesa de ferro próximo a um túmulo que parecia estar aberto.
- Pessoal, olha ali! Parece que é uma mesa ou sei lá, um objeto estranho.
Pedro se aproximou do objeto. Flávia, Lívia e André o seguiam devagar. Quando chegaram bem próximo ao objeto, deram de cara com uma mesa de ferro, parcialmente enferrujada e com bastante sangue por cima. As duas garotas horrorizaram-se.
- Nossa, mas o que é isso? Por que essa mesa tá cheia de... sangue? Isso é sangue não é? - perguntou Flávia em voz alta.
- É sangue sim. Mas pelo que tô vendo é uma espécie de mesa de tortura, usada para sacrifícios. - disse Pedro em tom sério.
- Que.. que tipo de sacrifícios? - perguntou Lívia apavorada.
- Para sacrifícios humanos. Meus avós disseram que existia essa mesa aqui no cemitério, mas eu nunca acreditei, eu achava que era um cemitério comum como todos os outros, mas pelo visto há algo de muito assustador nesse lugar. - respondeu Pedro bastante sério e pálido.

André começou a roer as unhas de tanto medo. Flávia percebia que estavam em perigo e que precisavam ir embora o mais rápido possível.
- Galera, eu tô com uma mau pressentimento, esse lugar tá me dando arrepios. - disse ela.
- Eu não quero mais ficar aqui, eu tô morrendo de medo! - desesperou-se Lívia.
- Calma, calma. Vai ficar tudo bem, só precisamos achar o portão de onde a gente entrou. - tentou Pedro acalma-las.
Um nevoeiro começou a se espalhar por todo o cemitério. O pânico tomou conta do grupo, que ficou estagnado sem saber o que fazer. André deu alguns passos para trás e acabou pisando em uma mão. Era a mão de um cadáver, já em estado de decomposição. O garoto levou um susto e deu um grito de pavor assustando Pedro, Lívia e Flávia. O corpo estava pútrido, e vermes saíam e entravam nos orifícios decompostos. Pedro ouviu um zumbido ensurdecedor e gritou como se estivesse morrendo. Flávia e Lívia tentam ajuda-lo, mas Pedro gritava bastante alto e se debatia no chão de uma forma repugnante e doentia.

André iniciou uma reza acompanhada de um choro. O nevoeiro aumentava à medida que o medo de Flávia, Lívia e André se tornava mais crescente. Ouviu-se uma voz, que dizia:
- Minhas vítimas estão com medo?
A voz era grave, distorcida e não parecia ser humana. O zumbido que Pedro estava escutando desapareceu inexplicavelmente. Ele se levantou aos poucos um pouco tonto.
- De quem é esta voz? Quem está aí? - perguntou ele.
Deu alguns passos para frente e gritou:
- Quem é você!!?
Uma sombra que dava sensação de temor apareceu no meio do nevoeiro e na frente do grupo. Depois ia tomando forma, parecia que estava se aproximando. André estava pálido. Caído no chão ele sentia a morte se aproximar. Sentiu tanto medo que acabou vomitando desesperadamente.

Pedro se sentia intimidado ao ver aquela sombra apavorante, que depois se revelou sendo uma espécie de "ser misterioso" envolto de uma mortalha de um preto bastante vivo. Mostrou portar uma arma. Não era uma arma qualquer. Era uma foice de quase dois metros e meio. Aquela figura macabra se mostrava mais ameaçadora à medida que o tempo passava. Até que ela decide proferir suas primeiras palavras.
- Estão preparados?
- Preparados pra quê? - perguntou Pedro ao ser.
- Vocês já cumpriram suas missões, suas vidas acabam aqui. Não há como escapar, o destino de você está traçado.
Pedro começou a desafia-lo.
- Eu não tenho medo de você. Nós somos muito jovens, temos um futuro em nossas mãos, não vamos nos submeter às suas ordens.


- O futuro que vocês imaginam são apenas momentos em que irão compartilhar os seus anseios e enfrentarem uma longa estrada de acontecimentos. O único futuro que realmente existe é a morte, eu sou o mensageiro deste fenômeno tão perfeito e inevitável para todos os mortais que habitam este mundo que não vale absolutamente nada para vocês - respondeu à altura o ceifador.
Pedro o enfrentou novamente.
- Está errado. A minha concepção sobre a morte é totalmente diferente, e acredito que eu esteja certo.
Com este argumento Pedro deixou-o furioso.
- Como ousa me questionar seu reles mortal. Sua imperfeição só demonstra sua inferioridade, assim como os seus amigos. Veja como eles estão.
Flávia, Lívia e André estavam acorrentados e amordaçados. As correntes continham espinhos que perfuravam a carne. Os três tentavam gritar por socorro para que Pedro os salvassem, mas era inútil.
As mordaças eram fortes demais e não saía um som sequer das bocas dos três, que choravam em desespero. Pedro observou aquela cena com horror misturado com ódio. Faria de tudo para salvar os seus amigos da morte.
- Aceite a morte de seus amigos. Ela é mais do que certa, é verdadeira. Não pense que está em um sonho. Está vivendo o seu pior pesadelo! - disse o ceifador.
- Já chega!!! Deixe meus amigos em paz. Porque está fazendo isso? - esbravejou Pedro, se ajoelhando e demonstrando estar com raiva.
- Porque é preciso. Não se deve, jamais, desafiar a morte. Está fazendo o que nenhum outro mortal faria se estivesse diante de mim.
Pedro tomou coragem e decidiu se sacrificar para que seus amigos continuassem vivos.
- Me mate! Eu é que mereço morrer, não os meus amigos.
- Esta é a sua decisão? Quer se sacrificar para garantir a sobrevivência dos seus amigos? - perguntou o ceifador, furioso.
- Sim, eu quero. Quero morrer, em troca você deixa os meus amigos viverem em paz. - afirmou Pedro, decidido.
- Sofrerão muito se perderem você. Você quer ver seus amigos sofrerem por toda a eternidade?
Pedro já não aguentava mais aquele momento.
- AAAHHHH!!! Já chega, já chega, já chegaaaaaa!!! Eu estou muito confuso!
- O sofrimento dos seus amigos irá acabar quando eu mata-los. Vamos, aceite, não há outra alternativa. Você continuará vivo, porém, será muito útil para mim. - continuou o ceifador.
- O que você quer de mim? - perguntou Pedro, desconfiado.
- Saberá mais tarde. Mas você não verá mais seus amigos novamente. Vou mata-los agora mesmo.

O ceifador se aproximou de Pedro e o tocou no rosto. Pedro sentiu um arrepio imenso. O ceifador estava o hipnotizando. Pedro seria uma espécie de ajudante da morte se caso aceitasse a proposta. Seus amigos estariam mortos. Mas ainda havia uma esperança.

Um homem misterioso surgiu perto de um túmulo enorme, com um crucifixo na mão. Olhando fixamente para o ceifador. Não dava pra vê-lo devido a escuridão.
Ele se aproximou dizendo:
- Não vou deixar você fazer mais vítimas, sua criatura imunda. Mandarei você de volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído!

Continua...

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