Contos do Corvo #29


                                                          O ESPELHO DE BLOODY MARY

Há algum tempo pude ter a sorte inescapável de conhecer a existência de um dos objetos mais cobiçados por colecionadores do sobrenatural que não pensariam duas vezes antes de desembolsar uma grana preta seja em qual situação fosse: vendas pela internet, antiquários, leilões etc. Qualquer um que se diga pesquisador de lendas urbanas, sabe profundamente ou tem uma noção básica de uma das histórias predominantes do folclore. Impossível nenhum deles conhecerem. Eu destrinchei o verdadeiro caso, portanto esqueça o que tiver ouvido a respeito no passado, a bagaça aqui é sinistra de um jeito incomparável às versões difundidas amplamente.

Você sabe o que é um stalker né? Não sabe, nunca ouviu essa palavra antes? Não? Tá, resumindo o significado pro senhor: Um tipo de perseguidor obsessivo. Satisfeito? De volta à história... A lenda tinha retornado com força nessa época, não lembro bem o ano, mas acho que foi mais ou menos no período em que aqueles dois prédios importantes caíram. Uma garota que estudava no ensino médio chamada Leah era uma aficionada por coisas sobrenaturais e descobriu um site lançado pouco tempo depois de se declarar apaixonada por histórias sangrentas. E a que achara cumpriu todos os quesitos aos seus padrões.

O site ofertava um espelho com detalhes que tornavam claro que era antigo. Abaixo da imagem tinha uma descrição breve da origem. Especificamente, uma versão da famosa Bloody Mary bastante próxima do real, mas com aspectos ainda um tanto duvidosos. Mas quem ligava para veracidade? O preço da coisa nem chegava a duzentos dólares. A parte mais chamativa foi a de que o tal espelho aprisionava o espírito de Mary Turner depois de uma vingança mal-sucedida àqueles que a fizeram mal. Ao menos isso dá a entender que alguém, dentre os cinco alvejados, escapou para contar e, claro, participou do clube "Odeio a Vadia Mary", Esse nome é hipotético. Mas vai saber né?

Vou tentar ser direto na explicação do caso que gerou essa lenda e que tomou inúmeras versões alternativas como que um consenso ou uma conspiração para encobrir a verdade. Mary era uma garota tachada de anti-social por ser tímida, acanhada e retraída. Era quase invisível para a maior parte do colégio e não arrancava nenhum olhar de interesse dos colegas. Em um acidente super embaraçoso no banheiro, ela foi flagrada pelas garotas implicantes - acho que eram cheerlanders - que começaram a tirar sarro do horror que Mary sentia com uma coisa tão natural para sua idade.

Todo aquele sangue nas suas mãos parecia a morte se aproximando. As encrenqueiras combinaram com um dos rapazes que invadiu o banheiro feminino para olhar a confusão. Rapaz de índole perigosa. Resultado: Mary foi trancada no banheiro para ser deixada sozinha com o jovem psicopata que, a princípio, foi desafiado a apimentar as coisas, se é que me entende. Porém, ele acabou indo longe demais. O caso diz que foi usada uma faca pelo rapaz em um estupro porque ele já estava de olho em Mary desde o início do ano letivo. Serem da mesma sala só reforçou o desejo doentio. A última vista por Mary antes do último suspiro foi o reflexo de seu espelho. Seu rosto desfigurado, sangrando pelos olhos e pela boca.

O espelho tinha impressões digitais da última pessoa que morou na casa onde ocorreu o massacre de Bloody Mary. O jovem Ethan, 15 anos depois do incidente, era um dos que foram atraídos pelo furdúncio no banheiro no dia em questão, mas nem tão chegado ao assassino de Mary. Se mudou para outra cidade após prestar depoimento à polícia e negar seu envolvimento na chacina. Pediu para venderem um espelho com alguns resquícios de sangue respingado, mentindo ao dizer que é herança de família e que valia uma fortuna bem gorda.

Os teóricos do sobrenatural ficaram loucos quando mortes brutais associada ao espelho pipocaram na mídia quando a internet passou a ser mais acessível. Cada família desgraçada que tinha um sobrevivente fez questão de encaminha-lo à venda. Foram seis casos no total. Até chegar à Leah.

Como o texto de anúncio da oferta era vago demais, ela deduziu que a causa das mortes decorria unicamente do aterrorizante ritual de invocação. É um espírito altamente vingativo, então seria lógico existir um processo para chama-lo, não são de surgir de repente e matar por prazer. Bloody Mary queria um descanso assumindo como túmulo a última coisa que viu antes de morrer. Mas por que ela escolheu parar justo no espelho que era propriedade da família de alguém que estudava no mesmo colégio mas que nada tinha a ver com sua morte? Isso eu nunca vou entender.

O ritual consistia em três passos:

1 - O espelho deveria ser mantido em um banheiro escuro, sem nenhuma fonte de luz.

2 - Pegar um pedaço de papel higiênico e escrever, com o próprio sangue, Mary Turner e Bloody Mary, nesta ordem.

3 - Deveria pronunciar os nomes em voz alta, segurando o papel diante do espelho, as letras viradas para ele. Primeiro devia-se dizer: Mary Turner 3 vezes. Depois Mary Turner duas vezes e Bloody Mary uma vez. Depois Mary Turner uma vez e Bloody Mary duas vezes. E por último Bloody Mary três vezes.

Não há exatamente um ritual definitivo a ser criado como método único. O ato de interferir em seu descanso com elementos que remetem à sua morte já bastam para atormenta-la.

A crença dizia que manter as luzes ligadas não falharia com o ritual, mas faria a vítima vislumbrar a face de Bloody Mary do início do ritual ao fim com a sua morte inevitável.

No dia seguinte fiquei na árvore em frente á casa, observando as viaturas de polícia e uma ambulância tomarem a fachada e trazia um mutirão de curiosos.

No relatório policial constava a morte de uma garota de 19 anos encontrada no banheiro sobre a poça de seu sangue que escorria abundante de um corte no pescoço e nas órbitas dos olhos que pareciam ter sido arrancados, mas na verdade foram "derretidos" em sangue numa hemorragia ocular extrema.

Muitos ainda apontam que a Bloody Mary só mira nos olhos daqueles que a perturbam de seu sono no "mundo invertido". O resto é causado pela própria vítima, que se suicida pela dor terrível. Havia uma faca ensaguentada na pia abaixo do espelho com as digitais de Leah, comprovando a teoria.

Era o sétimo caso envolvendo o maldito espelho e os fanáticos sobrenaturalistas que se roíam de curiosidade para saber a verdade parecem ter aprendido a lição

Um tal de Frank , um colecionador de artefatos bizarros, conseguiu o espelho em um leilão.





*As imagens acima são propriedades de seus respectivos autores e foram usadas para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Fonte das imagens: http://petecologiaufrpe.blogspot.com.br/2014/06/curiosidade-o-corvo-mais-inteligente-ja.html
                                  http://clubedosmedos.blogspot.com.br/2012/10/a-origem-da-lenda-da-maldicao-da-bloody.html


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