O Ceifador (parte 3)


O cemitério estava tomado pelas trevas devido ao poder maligno do ritual, que naquele momento tinha seu início. Poderia ser impedido, mas as forças do mal e da morte são rápidas e habilidosas quando querem atingir objetivos sórdidos e sombrios, na busca de saciar a insaciável sede de poder dominante, que abomina qualquer lei ou código de conduta pacífico. As trevas que consumiam o cemitério tinham a mesma medida da sede de vingança que consumia a mente de Pedro, pois este perdeu um amigo muito querido. A dor e o ódio são os sentimentos mais presentes quando acontece algo dessa natureza... André morreu para em seguida ser vingado, e Pedro jurou isso com todas as suas forças... não iria deixar a morte de seu amigo passar em branco, como se não tivesse acontecido.

O ritual estava em fase de consumação, quase perto do fim, mas algo faltava: a alma de André! Esta precisava ser usada para que o processo fosse concluído e finalmente fazer o ceifador obter sucesso em sua conquista. No castelo, a criatura continuava a dizer palavras completamente distantes da compreensão humana. A luz vermelha intensificou-se, as chamas das velas aumentavam cada vez mais. Uma verdadeira cena que traumatiza as mentes mais impressionáveis deste planeta. Os quatro heróis se preparavam para enfrentar o mensageiro da morte, indo até o castelo, lugar onde ele se encontrava em sua forma demoníaca realizando o terrível ritual mortífero. Usando sua perna direita, Oliver arrombou a porta com um chute tremendo, quase destruindo-a por completo. Ele tomara posição de líder, antes ocupada por Pedro, que naquele momento nada mais era do que um fiel escudeiro ou talvez vice-líder, mas isto era o que menos importava. O quarteto correu em velocidade máxima, adentrando no castelo, que, por sinal, seu interior era escuro e quase não dava pra ver os objetos que nele se encontravam. A primeira sala do castelo era pequena, de pouquíssimo espaço. Logo no fim dela havia um corredor bastante escuro, por onde nossos heróis entraram e correram para impedir a concretização do ritual.

- Afinal, qual a origem desse castelo? - perguntou Pedro para Oliver.
- Há muito tempo... a quase mil anos atrás, esse castelo pertencia a uma família rica, dos tempos medievais. O rei deste castelo fez um pacto com a morte, no caso o ceifador. O pacto consistia em fazer com que o rei ganhasse vida eterna, em troca o ceifador poderia matar todos da sua família no momento certo, restando apenas ele. O ceifador não aceitou esse tipo de negócio. Um bom tempo se passou. O ceifador matou quase toda a família, que já suspeitava dele desde o início. O rei, vendo que todos os lados de fora do castelo tinham um terreno espaçoso, viu a oportunidade de enterrar todos os seus entes queridos ali mesmo. Realizado esse feito, viu sua economia falir, seus servos já não estavam satisfeitos e foram embora. Então, ele teve como única alternativa soterrar o castelo, e procurou o ceifador para que fizesse o castelo chegar ao subsolo. O rei abandonou aquele lugar, as pessoas que passavam por lá transformaram aquele local em um cemitério. O ceifador não compartilhou com o rei sobre o ritual em nenhum momento. - respondeu Oliver.
- Ele fez o castelo emergir para que tivesse a chance de realizar o ritual. Talvez ele estivesse planejando isso desde o começo. - afirmou Pedro.
- Antes de entrarmos nesse cemitério lembro de ter visto um coveiro. Se ele estivesse aqui talvez poderia saber mais informações. - disse Lívia.
- Eu tenho que fazer uma revelação... - disse Oliver em tom melancólico.
- Mas que revelação? - perguntou Pedro, curioso.
- O coveiro era o meu pai... eu vi o momento que vocês chegaram, mas meu pai estava tendo um ataque cardíaco. Vocês entraram no cemitério e eu aproveitei para sair das sombras e ajudar meu pai, mas já era tarde demais, ele já estava morto. Não aguentou a dor que sentia e partiu sem dizer adeus. - revelou Oliver, bastante comovido.
- Que triste... - lamentou Flávia.
- Será que esse corredor não acaba nunca!? Tô ficando cansada... - disse Lívia, não aguentando mais correr.
- Quanto mais passos damos, mais segundos se passam  e o ritual fica mais próximo de seu fim! - alertou Oliver.
- Essa aventura vai marcar minha vida! - disse Pedro.
- Pode ter certeza que também irá marcar a minha. - disse Oliver sorrindo.

Pedro sorriu de volta. Ele viu naquele homem forte e destemido uma segunda figura paterna... Pedro via Oliver como o verdadeiro herói. Oliver era afro-descendente e suas técnicas de luta foram aprimoradas desde quando era criança. Vendo uma luz no fim do corredor, Pedro finalmente se alegrou. A criatura logo se espantou ao ver Pedro, Oliver, Lívia e Flávia chegando à sala de estar. A sala onde o rei e seus familiares se reuniam para conversarem, e onde ocorria o macabro ritual. O demônio lançou um rugido estremecedor que demonstrava sua raiva, quase prevendo o fracasso do seu plano. No entanto, não deixou barato e chamou os espectros malignos, utilizando, novamente, a sua linguagem oculta e de compreensão árdua. Os espectros eram espíritos corrompidos. Suas formas eram de difícil descrição, eram negros e emanavam uma energia maligna por onde passavam.


A criatura saiu do centro da sala, que era onde estava desenhado o pentagrama, dando um pulo indo para a parede, como uma aranha. A luz vermelha havia enfraquecido, mas o ritual não estava terminado. Para Pedro era o momento certo para agir e acabar com esse maldito procedimento que poderia colocar a vida daqueles jovens em risco. Os espectros malignos surgiram rapidamente. Eram apenas cinco, sendo um deles o encarregado de trazer a alma de André como última peça para finalizar o ritual. O demônio deu a ordem e disse para seus servos assumirem suas formas de combate, ou seja, suas formas demoníacas. A criatura flutuou no ar e voltou à sua forma comum, retornando como ceifador. A mortalha ressurgira e o corpo desintegrando-se, restando apenas pés e mãos. A foice materializou-se, indo para as mãos de seu portador. O ceifador estava de volta. Cansado de ficar só observando, Oliver deu a ordem:
- Muito bem pessoal, é agora! Pedro segure muito bem essa espada. Flávia e Lívia, procurem se afastar. Se quiserem participar da luta há um armário logo ali à esquerda, pode ter algumas armas.
- Tá legal! - exclamaram as duas, uníssonas.

Os espectros se materializaram e se transformaram em demônios, apenas três deles, pois os outros dois cuidavam da conclusão do ritual usando a alma de André. Os três demônios ficaram em posições, prontos para atacar. Os três tinham diferentes aparências: o primeiro tinha a cabeça parecida com a de um leão e um corpo de lagarto;  segundo era bípede e tinha um rosto mascarado, vestindo uma armadura cinza. Seu corpo era robusto e de grande volume; o terceiro tinha cabeça de serpente e um corpo parecido com o de um inseto, bastante peludo e com asas de mosca. Todos os três tinham uma pele com tonalidade negra. Seus olhos eram vermelhos, cor de sangue. Encararam com bastante fúria o quarteto, que estava quase pronto para o que der e vier.
- Eles estão olhando para nós... parece que estão com muita raiva, raiva não, ódio, estão com muito ódio, dá pra sentir isso de longe. Isso é terrível. - disse Pedro, intimidado.
- Eles vão atacar! Preparem-se! - gritou Oliver.

Os demônios correram em direção aos dois. Flávia e Lívia foram até o armário para ver se conseguiam armas para entrarem na batalha. O demônio com cabeça de leão pulou sobre Oliver com muita selvageria, e tentou morde-lo, porém, Oliver esquivava-se dos dentes afiados daquela fera vinda do inferno. Cravou seu cetro mágico bem fundo no olho direito do demônio. Vários litros de sangue foram derramados através do olho da fera. Oliver levantou-se do chão e foi ajudar Pedro, que lutava contra o demônio com corpo de inseto. Pedro tentava golpeia-lo com a espada, no entanto, o demônio foi rápido o bastante para prever seus movimentos. Bateu suas asas, produzindo um zumbido insuportável. O mesmo que Pedro havia ouvido anteriormente. Pedro caiu no chão e não suportava o barulho estridente. Eram sons combinados, como se vários insetos estivessem ao seu redor. Oliver pegou seu cetro e correu em direção ao demônio, que por ter uma cabeça de serpente lança-lhe um olhar maligno - como um flash de luz vermelha. Oliver começava a ver ilusões, e dentre estas ele via um esqueleto pegando fogo e rindo como se estivesse gostando daquilo.
Enquanto Oliver estava tendo ilusões e Pedro tentava se livrar dos zumbidos, Flávia e Lívia tentavam abrir o armário chutando a porta do mesmo.
- Essa merda de porta não quer abrir! Que droga! - reclamou Flávia.
- A madeira é muito resistente e... AAAAAAAHHHHHH!!! - assustou-se Lívia, olhando para trás e percebendo o demônio mascarado correndo em sua direção
.
Flávia percebeu sua amiga em apuros e deu o último chute na porta. Feito isso, ela apoderou-se de uma espada, sendo que no tal armário haviam espadas e adagas muito bem conservadas. Lívia caiu no chão ao perceber o demônio mascarado se aproximar. Ela chorou e desesperou-se achando que iria morrer, aquela máscara demoníaca lhe dava bastante medo, mas para a sua sorte, Flávia tomou a frente e usando a espada corta o demônio ao meio e em seguida decepa a sua cabeça. A máscara caiu no chão e Flávia quebrou-a. Lívia desviou da poça de sangue que se formou e abraçou sua amiga agradecendo-a por ter salvo-a. Durante o abraço, Lívia percebeu que Pedro estava sendo atacado pelo demônio com cabela de serpente. Vendo essa cena, ela pega uma adaga e lança-a contra o monstro. A adaga perfura o olho da criatura, tornando-o vulnerável, dando a Pedro a chance de atacar. O jovem pegou a espada e olhou para a criatura com um ódio fervoroso e parte-a em sentido vertical, dando um giro em seguida fazendo um outro corte partindo-o em sentido horizontal. Jatos de sangue lançam-se contra o ar. As partes do corpo do demônio caíram no chão, juntamente com seus órgãos expostos e uma poça de sangue foi formada após a execução realizada por Pedro. As ilusões vistas por Oliver acabaram, já que o monstro que as fez foi morto. Oliver levanta-se com a mão na cabela e agradece à Pedro, ficando feliz em vê-lo vivo.
- Pedro! Que bom que você tá vivo garoto! - disse Oliver correndo para abraçar Pedro.
- Oliver, não é hora pra comemoração. Eu posso estar vivo, mas o ritual tem que ser impedido.
- Tudo bem, tome meu cetro. Ele irá protege-lo das energias negativas, use ele para parar o ritual, batendo o cetro no centro do pentagrama com toda força. Você consegue, eu sei que consegue.
- Tá legal... isso será pelo André... vou vingar a morte dele nem que seja a última coisa que eu faça nessa vida. - disse Pedro segurando o cetro e olhando para ele como o objeto que garantirá sua vitória contra o ceifador.
- Depressa Pedro, eles já estão com alma do André,eles vão terminar o ritual. - disse Flávia, quase chorando.
- Rápido Pedro, e lembre-se: se o ritual for concretizado vocês se tornarão os novos mensageiros da morte. - alertou Oliver, fazendo Pedro se lembrar das consequências que a conclusão do ritual pode ocasionar.

Pedro largou a espada. O cetro era seu objeto de confiança naquele momento. Correu para tentar impedir a concretização do ritual, porém, o ceifador, que há pouco tempo apenas observava a batalha contra os demônios, finalmente decidiu agir.
- Não vou deixar que estraguem meus planos, mortais patéticos!


O ceifador teleportou-se, indo do ponto onde estava até o ponto onde estava Oliver. Ele surgiu atrás de Oliver, e com sua foice decapita-o cruelmente. Lívia e Flávia testemunharam a horrorosa cena e gritaram de medo. Pedro percebeu o ocorrido e viu a cabeça de Oliver rolar pelo chão como se fosse uma bola de futebol. Um rastro de sangue formou-se pela trajetória que a cabeça de Oliver percorreu. O corpo do caçador de monstros caiu no chão completamente estático, sem qualquer sinal de vida. As duas garotas ficaram pálidas e suadas, suas expressões pouco alteravam-se, sentindo horror continuamente de pois da cena que viram.
- NAAAAAAAAOOOOOO!!! Porqueeeee!!! - gritou Pedro ajoelhando-se.
Os outros dois espectros colocaram a alma de André no centro do pentagrama. A luz vermelha novamente se intensificava, só que desta vez mais intensa do que antes. Pedro, ajoelhado e se sentindo derrotado, olhou para trás e viu um raio vermelho emergir do pentagrama e atravessar o teto do castelo. Uma lágrima desceu de seu olho e escorreu pelo seu rosto. Seria uma lágrima de derrota? Ainda não era o momento para se pensar em derrota. A luz enfraqueceu aos poucos ate´desparecer por completo. O pentagrama foi desfeito e as velas vermelhas apagaram-se num piscar de olhos. Pedro pensava: "Eu devia ter sido mais rápido... eu fracassei ,botei tudo a perder."
Lívia e Flávia mudaram de forma. A pele das duas ganharam uma coloração amarela, seus olhos ficaram vermelhos e os dentes começaram a ficar mais afiados. As duas adquiriram armaduras pretas com um cabeça de bode  próximo da região do busto. Também ganharam grossas e metálicas tiaras, também de cor preta. O ritual havia se concretizado... Pedro fracassou em sua tentativa frustrada em querer a sua vida e a de suas amigas - ou melhor, ex-amigas. Flávia e Lívia ,após a conclusão do ritual, se tronaram guerreiras do caos e da destruição, aliadas do ceifador, para servi-lo e cumprir os mandamentos que ele ordena. Pedro observava horrorizado a transformação das duas. O ceifador flutuou e foi para a frente de Pedro.
- E então? O que o herói vai fazer agora? A auto-confiança havia lhe subido à cabeça, agora é o fracasso que irá. - debochou o ceifador.
- Eu não entendo. Porque eu também não virei um guerreiro das trevas? Afinal de contas, eu é quem iria liderar como você planejou. - questionou Pedro.
- Este maldito cetro protegeu você... a energia positiva presente nele se fundiu à sua aura e fez com você fosse imunizado! - disse o ceifador, com sua voz distorcida e macabra.
- Se pensa que vou desistir facilmente, está enganado... ainda não acabou. Esta minha derrota foi apenas momentânea, você irá cair, agora mesmo!
Pedro usou o cetro e bateu com ele no chão. O objeto brilhou e uma intensa explosão de luz aconteceu, desintegrando boa parte do castelo. O sol aparecia no horizonte, estava amanhecendo. O chão começou a tremer. Pedro entrou em desespero pois não aconteceu o que havia pensando. Achava que o ceifador seria desintegrado junto com o castelo.
- Isso é incrível... você é um digno desafiante da morte. Já parou para pensar que você é o único humano que desafiou a morte ficando de frente com o mensageiro dela?
- Me diz o que ainda pretende. Porque a terra tremeu desse jeito? Não me diga que ainda me quer como servo!?
- Ainda estou pensando em o que fazer com você... nem tente escapar deste cemitério, pois não irá conseguir.
Flávia e Lívia voaram, permanecendo flutuantes no ar, ficando ao lado do ceifador.
- Eu sugiro que mate-o senhor. Já não precisa mais desse reles humano. É apenas um objeto descartável e inútil. - propôs Flávia.
- Dê uma boa lição nele, ele merce. - disse Lívia, em tom de crueldade.
O ceifador ergueu a sua foice. A terra começou a tremer ainda mais forte. Pedro olhou para sua esquerda e viu uma onda de crânios se aproximar. O desespero tomou conta de seu espírito, logo correu para tentar se salvar. O ceifador controlava a "tsunami" de crânios humanos, uma tentativa de impor ainda mais medo em Pedro, para que ele se entregasse e passasse a servi-lo como aliado. A onda de crânios ficou ainda mais maior até atingir Pedro, que se afogou no meio daquelas cabeças mortas. O sol começava a nascer e ganhar forma, iluminando um pouco mais o cemitério. O ceifador parou de controlar aqueles inúmeros crânios e com sues poderes telecinéticos tirou de dentro da montanha de crânios o corpo de Pedro já desacordado.
O ceifador tomou sua decisão e finalmente decidiu o que fazer com Pedro.
- Eu poderia matar você... mas é um humano muito bem dotado de coragem, seria um desperdício ter que descarta-lo. Não há outro jeito.
O ceifador possuiu o corpo de Pedro, entrando pela boca dele. O corpo de Pedro ficou cinzento, e uma mortalha surgiu para lhe cobrir. A foice veio em direção às suas mãos e pega-a. O ceifador agora no corpo de Pedro, poderia controla-lo livremente, comandando as duas guerreiras das trevas.
Pedro e o ceifador se tornaram uma única entidade...
Logo ele deu suas primeiras ordens.
- Este corpo humano até que é bem confortável... nunca havia feito isso antes. Mas agora me ouçam: Destruam toda a cidade e espalhem o caos e a destruição... matem todos, sem sobreviventes.
- Sim mestre! - exclamaram as duas.
Flávia e Lívia voaram supersonicamente, indo direto para a cidade. Em uma questão de segundos, os prédios da cidade caem como se fossem pinos de boliche. A destruição havia chegado ao mundo....  ambas ficaram destruindo boa parte da cidade, enquanto Pedro, ou melhor, o ceifador, observava o caos se espalhar pela cidade. O apocalipse das trevas começou... e a humanidade sucumbe.

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