Sombra Rastejante


Era um dia aparentemente calmo para uma noite gelada e tristemente nebulosa. Havia saído bem tarde do meu trabalho, caminhando a passos largos denunciando minha pressa para chegar em casa o mais rápido possível. E não era toa, aquela rua pela qual passava toda noite era um completo breu de tão escura. Não me preocupava com assaltos ou sequestros, já fui vítima de vários, então não iria ficar surpreso se ocorresse novamente. A estranha sensação de estar sendo perseguido era algo que afugentava minha tranquilidade ao ver aquela rua deserta, e o meu maior medo era ter esta sensação logo ao voltar para casa. Droga, eu estava sentindo aquilo pela primeira vez naquela rua. Os meus largos passos aceleraram-se freneticamente, sempre olhando discretamente para trás. Era como se a escuridão da noite estivesse me perseguindo à medida que eu me distanciava do começo da rua.

Cheguei em casa seguro. Aliviado, sentei-me no sofá da sala, liguei a TV e fiquei esperando minha esposa chegar. Ela havia ido a um jantar de comemoração com as amigas, e não tinha hora para voltar. Mesmo permanecendo na minha casa, trancado à sete chaves, aquela sensação ainda permeava sobre minha mente. Ainda não estava totalmente seguro. Meia-noite havia dado no relógio. Acordei, pois havia tirado um "pequeno" cochilo no sofá. Fui para a cama, preocupado com minha esposa. Ela não estava mesmo brincando quando disse que não tinha hora para voltar. Enfim a lua aparecia, depois de tantas horas encoberta pelas nuvens. Iluminou diretamente meu quarto, e fiquei apreciando-a antes de me deitar. No entanto, algo, a partir daquele momento, passou a me deixar meio... obcecado. É complicado dizer com tanta clareza, pois só eu consigo entender meus anseios, convicções e manias estranhas. A minha sombra... ela estava mais... destacada. Com um enegrecimento mais vivo, não sei se era pela luz da lua, mas aquilo me intrigou. Nunca havia reparado na minha sombra tão viva assim antes. Meu momento de apreciação não era mais direcionado à lua e sim à minha sombra, que depois daquele momento passou a ser mais parte de mim do que nunca.

Os dias foram passando, e eu cada vez mais ligado à obsessão pela minha sombra. Aquilo me perturbava, mas também me agradava, era estranho... bem estranho. Minha mulher passou a desconfiar mais de mim, pois estava claro para ela que eu passei a agir de forma diferente após aquela noite. Após uma semana tive que procurar um psiquiatra para me ajudar a controlar esta fixação. Ao contrário do que esperava, não houve resultados significativos. Mais uma semana passou-se. No fim de semana eu sairia com minha família para ir a um aniversário de um parente distante, mas optei por ficar em casa. Nesta noite houve um apagão, logo quando iria ligar meu notebook. Apenas a lua servia como iluminação, pelo menos pro meu quarto. Não tinha coragem de ir até à sala, aquele medo de estar sendo seguido ou stalkeado por algo não-oriundo deste mundo me afligia. Andei lentamente pelo corredor próximo ao meu quarto, alimentando minha curiosidade em saber o que estava lá. Já perto da escada que levava à sala, decidi ignorar de vez meu medo e seguir de volta para meu quarto. Desconfiado, mas andei. Não estava mais errado sobre aquilo que eu pensava que estava me seguindo. Era real! Uma espécie de sombra gigante aproximava-se de mim quanto mais eu andava.

Olhei para trás e atônito percebi olhos brancos me encarando. Não teve outro jeito, corri para o quarto e tranquei a porta, como me senti ameaçado coloquei algumas coisas para barrar e impedir a entrada daquela coisa, o que quer fosse aquilo. Sentei na cama, ainda não acreditando no que havia visto, mas o pior viria em seguida. A tal sombra, ou sei lá o que era aquela coisa medonha, dava uma certa e estranha impressão de ter se unido à minha. Não era impressão. Era a minha sombra! Emergindo do chão para o teto, e tomando uma forma de algo monstruosamente repugnante.

Gritei... gritei tão alto que talvez tenha acordado toda a vizinhança naquele momento tardio.

Não era ilusão. Queria acreditar na ilusão, mas a realidade impedia que meus pensamentos bloqueassem meu medo. Aqueles olhos brancos retornaram... seguido de uma boca com brancos dentes formando um sorriso. A sombra logo desapareceu. No entanto, uma voz grave e distorcida sussurrou próximo à meu pescoço. Ela dizia: "Obrigado por ter me libertado. Agora somos inseparáveis."

Tudo estava claro para mim naquele momento. Eu estava mesmo sob perseguição... mas de algo que eu sequer temia... agora trato como um bichinho de estimação, ou talvez até mesmo como um amigo obscuro.

Você devia ter cuidado com a sua sombra... ela pode ser mais do que aparenta ser. 


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