quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica - O Exterminador do Futuro: Gênesis

Divulgação: Paramount Pictures

FICHA TÉCNICA:

Direção: Alan Taylor.
Roteiro: Laeta Kalogridis, Patrick Lussier.
Gênero: Ficção científica, ação, aventura.
Duração: 126 min.
Ano de lançamento: 2015.
Elenco: Arnold Schwarzenegger, Emilia Clarke, Jason Clarke, Jai Courtney, J.K. Simmons.
Distribuição: Paramount Pictures.


Reboot ou "Fanfic"?

É a pergunta que me fiz ao longo do desfilar de absurdos dispersados na tela. Para começar, ressalto que minha história com esta franquia não começou há tantos anos assim. A princípio, a existência dela veio ao meu conhecimento por meio de rápidas chamadas da sessão Tela Quente, na Globo, especificamente do terceiro filme - o incompreendido Rise of the Machines (o considero apenas bom, não acho a bomba de mil megatons que vi muitos fazerem parecer que é, muito embora não alcance os traços marcantes que tornaram seu antecessor tão memorável).

Na verdade, foi "Judgement Day" o primeiro filme da franquia que assisti (na Record, já o ano não me recordo, mas foi o responsável por eu declarar meu interesse absoluto àquele universo criado por James Cameron). Em seguida veio Rise of the Machines, o fraco Salvation e, por último e não menos importante, o primeiríssimo longa datado de 1984. Uma das poucas franquias cujos filmes não vi em ordem cronológica.

Dizer que a saga sci-fi se encerrou no segundo filme parece ser o mesmo que concordar que Supernatural deveria ter acabado na quinta temporada (e deveria, mas havia chão para muitas coisas interessantes, só a Srta. Gamble que desandou com o navio que se pôs a comandar). Sem me prolongar em comparações desnecessárias entre ambas as obras (que nada tem a ver), partirei diretamente aos pontos a serem destacados sobre este reinício de franquia da saga de John Connor, pois uma review do longa em questão não vale nem o esforço para mais do que dez parágrafos.

Por onde começar? Deixa eu ver... ahn... Química nada envolvente entre os atores. Não me importo com o Kyle Reese de Jai Courtney. Menos ainda com o John Connor de Jason Clarke. Talvez os únicos que dão um certo "fôlego" ao desenrolar dos acontecimentos são Emilia Clarke (e sua aceitável Sarah Connor, mesmo passando longe de se equiparar à encarnação por Linda Hamilton) e Schwarzenegger (em dose dupla como o nostálgico - e puro CGI - T-800 e como o insípido e sorridente  Guardião).

Era tanta viagem no tempo que acabei me perdendo. Se deixei algo escapar... Não sei, não me vem aquela sensação de que vale a pena rever o filme para caçar os detalhes despercebidos, porque, simplesmente, não se aproveita nada do que poderia ter sido trabalhado com mais vontade. A atmosfera que o longa apresenta é tão artificial e apática de modo a fazer estar de acordo que ele merece umas boas olhadas de puro tédio.

Skynet virou Genysis. John Connor virou T-3000. O recomeço que prometeu fazer os olhos de um fã brilharem de emoção os fez quererem sangrar.

Salvo a exceção, estão os efeitos especiais e cenas de ação (sendo a melhor delas a do acidente com o ônibus na ponte). Mas desde quando estes dois elementos conseguem mascarar as falhas de um roteiro preguiçoso (e com ares de ficção de fã ainda mais)? Existe algum filme conquistador de tal proeza?

E o que foi Guardião demonstrando ter adquirido as habilidades do T-1000? Foi, de certa forma, cômico, mas não vi muita necessidade, além de seu intérprete já não mais apresentar o mesmo vigor de outrora dada a sua idade. Na minha humilde opinião, a melhor decisão seria desistir de uma franquia que abusou de um recurso interessante e que tal uso tornou seu universo falho e incoerente. Mexer com viagem no tempo em uma obra ficcional, pelo visto, é tão perigoso quanto viajar literalmente no tempo. Complicado mesmo lidar com esse recurso sem tentar prever eventuais incoerências. E ainda que se consiga, os resultados podem acabar sendo lacunas abertas em decorrência de excessos, podendo culminar em um colapso irreversível.

"É uma linha reta, siga em frente, não olhe para trás".

Se isto refere-se à linha temporal (passado, presente e futuro), então não vejo linha reta, mas um turbilhão de rabiscos.


Considerações finais

O filme possui a ingênua intenção de se sagrar como algo marcante por se tratar de um reinício. Ou melhor: "Fanfic" com um reinício falho. Nada presente no longa resgata a essência dos primórdios da franquia. Nem referências óbvias como, por exemplo, "Venha comigo se quiser viver' ou "I'll be back" conseguiram segurar as fracas bases, muito menos serviram para fazer o espectador simpatizar com uma trama (porcamente) modificada e tão fácil de digerir quanto um osso de galinha.

Salvation perdera o posto de afundador da franquia facilmente. Se Gênesis refere-se à início... então compreende-se este como sendo, de fato, o início do fim.


NOTA: 3,5 - RUIM


Veria de novo? Não.



*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos ou intenções relativas a ferir direitos autorais. 

*Fonte da imagem: http://atarde.uol.com.br/cinema/noticias/1693897-critica-nao-tente-entender-o-exterminador-do-futuro



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