segunda-feira, 6 de março de 2017

Crítica - Heavy Object

Kazuma Kamachi/ J.C.Staff
Hoje, segundona, é dia de postar review de qualquer produto audiovisual que não escapou aos meus olhos (mentirinha, não existe essa de publicar críticas na segunda-feira como dia específico, porque é bem sabido que tenho uma forte tendência a não cumprir a programação, apenas que tenho a leve impressão de que é nesse dia que mais escrevi/publiquei reviews por puro costume e acha-lo adequado para tal, então não tem dia fixo para a categoria). Mas chega de delongar e vamos de resenha!

Seria um anime facilmente postergável não fosse por um (chamativo) detalhe: Mecha. Um gênero pelo qual sempre me disponho a mergulhar fundo, porque robôs gigantes não é para se dispensar e sempre atraiu olhares interessados de minha parte. Mas como este blogueiro solitário cresceu, quer curtir um anime mecha que não se mantenha na superfície do "tiro, porrada e bomba" - não que signifique um elemento descartável, a ação agrega bastante sim a uma aventura sci-fi quando demonstra apelo a beneficiar a narrativa.

Heavy Object veio para provar-me que essa expectativa era ludibriosa. Os Objects, as máquinas de guerra super-avançadas que disseram a que veio para acabar com o convencionalismo armamentista, não são estritamente robôs. O diferencial está exatamente aí. Enormes bolas de metal equipadas com trocentos canhões e outros atributos e que zanzam por um campo de batalha apenas com a finalidade de vencer um determinado oponente, não importando os rastros de destruição que deixe. Armas revolucionárias que nasceram para lançar um novo jeito de guerrear. Porque o anime inteiramente gira em torno desse exato tema: Guerra.

Vamos aos prós e contras e logo mais abaixo o veredicto e a nota:


Prós:

Descompromisso com o modelo comum de enredo: Não bastando a abordagem singular e temática dos Objects, temos um seguimento narrativo que não se permite aproximar do padrão do "arco principal". Os "arcos", na verdade, são missões ocorridas em algumas partes do mundo (até na Amazônia - Amazon City -, aparentemente rs) divididas em, no máximo, 3 episódios. Tendo isso em mente, não acho certo disparar que o anime não possui um objetivo. Nesse caso, necessita-se assisti-lo até o final, o qual dá até uma sensação de "missão cumprida" e de "final definitivo". Eu tive a sensação de que acabaria vendo um final apressado (que, de fato, não segue o material-fonte), o que foi natural dado o início morno (que posteriormente me deu um certo medo do que viria a seguir). No mais soa como um procedural com mini-arcos sem a pretensão de inserir um vilão "pica das galáxias" a ser enfrentado no final.

Qualidade de animação que casa com o clima: Todo o aspecto visual da adaptação acerta quando quer exibir um show "pirotécnico" com explosões que soe "realístico" na medida do possível. Em termos técnicos, o anime se sai bem ao apresentar toda uma ambientação turbinada por efeitos que façam o espectador estar convencido de que está vendo um anime de guerra com sua devida proposta, mas nenhuma extrapolação que aproxime tal qualidade a de um OVA.

Qwenthur Barbotage: O rapaz de cabelo loiro da imagem acima foi o protagonista, a meu ver, mais efetivo no sentido de saber ser interessante. Suas falas são carregadas de informação nos momentos de ação, e entendo que isso às vezes torna-se um defeito, deixando o personagem um tanto verborrágico, mas o saldo final não me foi decepcionante, algumas qualidades obscureceram tal defeito e foi fácil torcer por ele durante todos os 24 episódios. Foi um personagem bem conduzido, ao contrário de Havia que deu a impressão de que nada fez, nada agregou, só estava lá para ser o "paceiro alívio cômico". Li suas falas com a voz de Rodrigo Andreatto na mente (sim, tenho um estranho costume de imaginar vozes de dubladores e encaixa-las aos personagens durante a leitura das legendas, me julguem).

Froleytia Capistrano: Personagem que me cativou de certa forma. E não, não me refiro aos seus atributos físicos. Sinto que ela impôs sua relevância de maneira satisfatória mais como uma líder respeitável do que como artifício apelativo, sem parecer forçada em nenhum instante enquanto em cena. Como minha segunda personagem favorita, logo junta-se à Qwenthur como sendo igualmente aproveitável.


Contras:

Milinda Brantini: Não se deixe enganar pela imagem acima, a garota loirinha com face de boneca pode estar no centro em meio aos dois rapazes que nutrem uma paixonite por ela, mas não é a protagonista. Bem, ser até deveria. Heavy Object é sobre dois jovens que se envolvem em fogos cruzados diários. Ela só está ali para cumprir tabela. Talvez seja o maior banho de água fria desse anime, pois era esperado um potencial mais evidente com relação à personagem. O que se viu foi um sub-aproveitamento horrendo. Apenas no final Milinda ganha certa importância, mas já era tarde. Além do mais, seu desenvolvimento raso serviu para enquadra-la como uma personagem "insossa", robótica e inexpressiva.

Comédia apelativa e forçada: Há momentos de fazer "facepalm" com algumas situações apresentadas. O problema é que a execução do humor não funcionou por tentar se apoiar, quase que completamente, em conotações sexuais, tomando como exemplo os seios fartos de Froleytia sendo apalpados e desejados pelos personagens. Introduzir pitadas de ecchi em um anime cujo foco são guerras entre máquinas colossais foi uma decisão bem estúpida.

Pouco aprofundamento narrativo: Apenas resquícios filosóficos despontavam ali de vez em quando (sobre o lance das guerras, coisa e tal). Tudo fica muito na superfície do início ao fim. Ao menos alguns flashbacks seriam bem-vindos, nunca é demais cavar mais fundo, mas, pelo visto, a produção pouco se mostrou comprometida ou sequer quis dar importância.

Havia: Personagem que consegue a proeza de fazer com o espectador o despreze a ponto de desejar sua morte lenta e dolorosa. No fim das contas, tive a sensação de que ele não serviu para porra nenhuma, por mais companheiro que tenha sido ao lado de Qwenthur (que, por sinal, formaria uma boa dupla com Milinda caso ela recebesse melhor tratamento).


Veredicto:

Ainda que fuja do padrão estabelecido pelo gênero - destaque para os afamados Evangelion e Gundam - no que concerne robôs gigantes, Heavy Object estagna no presente e somente foca no presente com sua trama futurista, não oferecendo nenhuma chance para a trama ganhar contornos mais sólidos, além de priorizar o estético em detrimento do narrativo. Um anime que talvez agradaria bastante Michael Bay. Por outro lado, vê-se um bom trabalho quanto aos designs, porém, claro, pouco é suficiente para agradar, ainda mais quando se tem um enredo tão profundo quanto um pires.


NOTA: 6,5 - REGULAR


Veria de novo? Provavelmente não. 




*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos ou intenções relativas a ferir direitos autorais. 

*Imagem retirada de: http://kotaku.com/heavy-object-is-not-your-usual-mecha-anime-1769294520



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