segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Crítica - Batman e Arlequina

Divulgação: Warner Bros. 

O show da Arlequina feat. Batman e Asa Noturna.

AVISO: A crítica abaixo contém SPOILERS.

Como há tempos que não uso meu aparelho de DVD largado às traças, não esperaria esta atrativa nova aventura do morcegão sair nas lojas (deve estar, creio), então só corri, digitei e já estava ali no papo para o meu deleite ainda que não se esperasse uma trama que honrasse todo o conteúdo apresentado no passado com o resgatado estilo de animação de Bruce Timm que é excepcional além de ser claramente o que mais casa com a natureza e cerne do personagem, enfim esse traçado bem cartunesco que alavancou a saudosa série animada é a cara do Batman com uma imagem praticamente impossível de se desafixar porque eu tenho por mim que com tantos anos de história nessa mídia acabo por assumi-lo como o Batman definitivo para uma animação.

Em vários momentos do filme tem-se a impressão de estar diante de um episódio especial com a ilustre presença de ninguém menos que Arlequina. Enalteci o Batman acima, mas aqui a estrela é a serelepe namorada do palhaço do crime - que sim, fez um pouco de falta, não custava introduzir nem que fosse uma mísera ponta, não que a ausência do Coringa diminua o brilho dela ou seu valor como personagem, mas o longa careceu de pelo menos uma menção à maior nêmese do Batman. Aliás, acredito que a trama como um todo podia aprofundar mais esse relacionamento que é uma gangorra entre amor e ódio, talvez até resultaria em um filme melhor, talvez até justificaria a desnecessidade de um Coringa & Arlequina para os cinemas - não com aquele Coringa de Esquadrão Suicida, por favor.

Eis a parte que choca: Batman levar seu nome primeiro no título, mas acabar sendo reduzido à coadjuvante do seu próprio filme. Asa Noturna nem se fala, mas em compensação o personagem está "bem na fita" e conduzido de forma natural, sendo ele mesmo e nada fora da curva. Isso foi ruim para o morcegão? Não tanto, tampouco para o filme em si. A maluquês e o jeitão imaturo da Harley são elementos propícios para que ela roube a cena durante quase toda a aventura e a comicidade dá todo o ar da sua graça com as palhaçadas dela, desde as cócegas em Dick (shippo muito) à hilária cena dos peidos no Batmóvel (ri muito nessa). Harleen dá um verdadeiro show e não é para menos, com direito a momento musical num bar mal frequentado sendo uma das paradas desse "filme de estrada" com pitadas cômicas - destaque para os dedinhos do Batman mexendo na mesa parecendo curtir a performance da maluquete e é bem engraçado quando ele para ao perceber Dick o zoando em silêncio e além disso teve a dancinha do ex-Robin bem brega mas impagável mesmo assim.

A trama geral não poderia estar mais simplificada: Hera Venenosa (codinome de Pamela Isley) aliada ao Monstro do Pântano (personagem recorrente na Liga da Justiça Sombria pelo meu conhecimento) fazem uso de uma substância criada por um cientista e que envolve um plano para gerar um "apocalipse vegetal" repleto de pessoas híbridas de planta e humano.

Inclusive, pensei que na morte do tal cientista, após a destruição do laboratório, a Harley, sensibilizada, encontraria ali algum tipo de redenção que fortalecesse uma possibilidade dela integrar a Batfamília. Sonhei demais né? Então pra ser realista assumo que àquela altura a palhacinha continuava na sua vibe de aliada improvável. Poxa, coitada, só queria ser compreendida e em troca era repreendida por um severo Batman. Senti ali uma relação superficial de pai rigoroso e filha malcriada. Fora isso, Harley não foi um bebê com duas babás vista a sua especialidade em servir como um quase fio condutor. Cria-se todo um clima de "ela não vai nos passar a perna, cedo ou tarde" que ajuda a nutrir uma certa expectativa de "será que rola, será que não rola...".

Bem perto do clímax essa tensão sobre a lealdade de Harley sendo posta à prova parece ter fim quando ela os derruba no meio daquele pântano grotesco. Um suspiro de alívio vem logo em seguida com um doce engano. Era tudo parte de um plano não anunciado só dela. Hera Venenosa, desiludida, parte para o ataque. E começa o "nhénhénhé" de BFFs após um duro combate - em paralelo rolava uns bons sopapos entre Batman e Dick contra o Monstro do Pântano. Menina esperta essa Harley hein. Resgatar o sentido de uma amizade aparentemente murchada com uma aliança forçada pelo inimigo do homem que realmente amou (ou ainda ama, conhecendo bem ela...) foi uma boa jogada para fazer do ato de Hera a virada de casaca real desse filme. Ponto para a dona da porra toda.

Ficamos com Monstro do Pântano, a verdadeira ameaça. Sua queda como vilão soou um pouco ridícula ao ter seus poderes reduzidos e acabar vulnerável a fogo - depois da invocação daquela coisa verde gigante parecendo um espírito da natureza, não entendi muito bem, confesso não ter prestado muita atenção na cena, era domingo, parentes em casa, ter que cumprimentar e coisa e tal, enfim... Mas o tom a la Marvel do filme impediu uma dramaticidade crua ao personagem fazendo ele ser bem distante de como é representado nas HQs, como uma força elemental da natureza a ser temida.

A subida leve na classificação indicativa imprimiu um gás moderadamente maduro ao filme. A série animada era voltada ao público infanto-juvenil (9-12 anos). Destaques desse tímido amadurecimento (que não se resume a sangue) ficam por conta da luta inicial de Monstro do Pântano nos laboratórios S.T.A.R e Harley, aposentada e como garçonete, sendo assediada pela mão boba de um cliente do restaurante cujos funcionárias são cosplayers de ícones femininos da DC Comics, como Supergirl, Nevasca e Safira Estrela .

E não entendi aquele desfecho com um programa televisivo da Harley, misturando psicoterapia com gincanas perigosas. Algo assim só podia sair da mente doida da Dra. Harleen Francis Quinzel que quase alcançou uma regeneração do seu eu antagonista. Pelo menos foi isso que tirei dos indícios.

Considerações finais:

Essa foi a animação do Batman menos Batman que já vi. Porque ele não brilhou tanto quanto deveria? Sim. Mas isso comprometeu a diversão do filme? Não! Pode estar tudo da animação antiga lá: o céu vermelho, os traços, a ambientação e etc, mas este filme pertence a Arlequina que está intocada e com todas as suas nuances mantidas como no desenho da TV e isso justifica o fato do longa não se levar tão a sério. Foi como uma estrela da música fazer um clipe e chamar dois artistas como participações especiais que só cantam algumas partes da música.

PS1: Alfred fez uma falta danada...

PS2: As onomatopeias na luta off-screen no bar com vilões estariam referenciando a série do Batman do Adam West? Foi a primeira coisa que imaginei.

PS3: Dublagem nota 10 do Batman através de Duda Ribeiro melhor que o velho falso

NOTA: 8,0 - BOM.

Veria de novo? Sim. 



*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://ovicio.com.br/batman-e-arlequina-nova-animacao-da-dc-tera-um-preludio-em-quadrinhos/




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Críticas? Elogios? Sugestões? Comente! Seu feedback é sempre bem-vindo, desde que tenha relação com a postagem e não possua ofensas, spams ou links que redirecionem a sites pornográficos. Construtividade é fundamental.