O vidente e o telepata


Essa história se passa em um mundo/universo onde pessoas raras promovem interações que podem - ou não - gerar resultados surpreendentes.

Dois homens comparecem a um bar lotado em uma noite comum de sexta-feira e, inesperadamente, se esbarram. Um é telepata, já o outro é um vidente. Conversa vai, conversa vem, ambos nem percebem que ficaram amigos tão de repente.

Seria natural perguntar: "O vidente não teria, em algum momento, previsto o esbarrão e evitaria contato visual com o telepata caso passasse por ele? Por que ele permitiu que ocorresse o contrário? Ou já sabia que ficariam amigos?"

A resposta é: Ele não sabia. Para melhor entendimento, aqui vão alguns conceitos sobre o vidente:

1) Sua habilidade é limitada. Ele só pode realizar 8 previsões por dia.

2) A maior parte dos eventos previstos são de coisas relacionadas à seus problemas pessoais. Qualquer eventualidade à parte escapa à sua previsão.

3) Como está concentrado em sua vida, suas visões geralmente estão conectadas à pessoas que conhece. Logo, não pode prever os futuros de estranhos, nem de si mesmo.

4) As previsões são concretizadas 3 horas depois.

Já o telepata tem apenas uma regra:

Só é possível ler a mente daqueles que estão diante dele, fazendo contato visual direto e numa distância extremamente mínima. 

Os dois papeiam amigavelmente como se tivessem se conhecido há séculos. Até o momento as habilidades de ambos permanecem desconhecidas para o outro.

O telepata cede á tentação e lê a mente de seu mais novo amigo. Então o plano que o vidente idealizou foi assimilado antes de fazer o convite e ele acaba sabendo de sua habilidade.

O vidente o convida para uma festa de aniversário. Como ele não tem outros amigos, deverão ser apenas os dois. O telepata finge memorizar, meio entediado, já sabendo o local.

Os dias passam, a semana voa... Até que em um determinado instante o vidente tem um premonição acerca do amigo. A visão lhe diz algo chocante: O cara, na verdade, trata-se um telepata. Em outras palavras, ele viu com clareza seu amigo ler sua mente durante o próximo encontro.

Se ele havia disfarçado tão bem, logicamente era justo "dar o troco".

No encontro, o telepata diz que não será possível comemorar o aniversário, pois tem um outro compromisso inadiável. Porém, o vidente ouve sem muita surpresa, e releva, pois já sabia disso e também que o telepata leria sua mente naquele exato momento. O telepata, por sua vez, deduziu que ele preveria a leitura, a suposta desculpa esfarrapada e saberia de sua habilidade, ainda que não soubesse das limitações.

Porque videntes nesse mundo são raros.

Na verdade, qualquer um que saiba truques que pessoas comuns não sabem é raro.

É aí que o telepata resolve abri o jogo. Com os segredos já revelados um para o outro, firmou-se um acordo. O telepata promete não usar seu poder diante de seu amigo, desde que ele ignorasse as visões associadas unicamente à ele.

O vidente cede à condição. No entanto, um problema surge dias depois.

Todas as suas previsões ao dia passam a estar relacionadas ao telepata, tornando cada vez mais difícil deixar de lado ou disfarçar na frente dele enquanto conversam no bar, na praça, nas esquinas...

Se houve algo ignorado certamente foram os problemas do vidente.

A vida do seu amigo telepata passa a dar a impressão de ser mais importante que a própria.

Um sentimento indescritível floresce dentro do vidente, que o guia diretamente ao seu amigo, respeitando o protocolo. Algo reprimido talvez desde o princípio.

O vidente faz uma confissão. Diz que sente algo especial pelo telepata.

Mas de que adiantava ser discreto? "Que coisa chata", o vidente pensa. Afinal, ele, obviamente, sabia da reação negativa do telepata 10 minutos antes do limite de tempo se concluir, o que o frustrou.

E o telepata, igualmente sem espanto, teve uma recaída ao ver a expressão do amigo e fez uma nova leitura, sabendo das previsões e da revelação bombástica antes de confessada.

Comovido, o vidente concorda em dar um fim na amizade ao se dar conta de que seu desejo jamais será correspondido. O telepata responde dizendo que essa relação nunca esteve destinada a dar certo por uma evidente razão.

Meses se passam.

E o telepata permanece gravado na memória do vidente, que se esforçava com afinco, mas era inútil.

Uma previsão lhe soa como alerta vermelho.

Havia visto o telepata, em um parque, conhecendo uma garota loira que possuía a impressionante habilidade de se teletransportar inter-dimensionalmente - bem como as intenções dela. Mas o que viu além disso o preocupou.

O entrosamento entre o telepata e garota flui bem, até que ela o convence a fazer uma viagem com seu poder. No entanto, àquela altura, ele já tinha plena ciência da índole de sua parceira. Sua leitura revela uma ladra profissional que pretende leva-lo a um mundo onde poderes como os deles inibiam-se e fazer sabia-se lá o quê pois ainda ela não tinha planejado conclusivamente.

O telepata sentiu-se, por um lado, entristecido, por, no fundo, invejar a habilidade de seu ex-amigo.

Novamente se entregou à curiosidade e, mais tarde, ao preço dela.

Quando o vidente chega ao parque, já é tarde demais.

Ele se ajoelha, desanimado, por saber que sua habilidade é limitada ao mundo em que vive.


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Este conto foi escrito e publicado exclusivamente para o Universo Leitura. Caso o encontre em algum outro site com créditos e fonte ausentes, não hesite em avisar! 



*A imagem acima pertence ao seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://www.semlimites.blog.br/remedios-aumentar-inteligencia/



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