Crítica - Fullmetal Alchemist (Live-Action)


Desfile teatral de cosplays (e cospobres também).

AVISO: A crítica abaixo contém alguns SPOILERS (caso seja um fã da obra e tenha conferido os dois animes, Clássico e Brotherhood, pode seguir adiante). 

A fidelidade é uma marca constante nas produções cinematográficas japonesas baseadas em mangás e animes pelas amostras que andei vendo por alguns anos. Como falei na crítica da adaptação americana de Death Note logo na frase de introdução: Há uma linha tênue e perigosa entre adaptar e deturpar os conceitos-chave da obra. Ser fiel ao material original, tudo bem. Desde que seja feito com cautela e equilíbrio com os elementos modificados para se adequarem à mídia. O que não vale é dar um Ctrl+C e Ctrl+V descarado no objetivo ingênuo de estar produzindo uma boa representação. Foi exatamente e lamentavelmente isso que vi neste mais novo live-action japonês de um anime/mangá.

Fullmetal Alchemist dispensa comentários sobre sua narrativa, só digo que é o meu segundo anime favorito e acho que se encontra no Top 10 dos melhores de muita gente. Este é superestimado com muita razão, eu garanto (essa vai pra você gasparzinho que não conhece e ignorou o aviso de spoiler). Mas de qualquer forma não recomendo superestimar demais as coisas. Eu já ficava com os dois pés atrás somente ao imaginar uma transposição fidedigna do anime para as telonas e pensava: "Isso não funciona de jeito nenhum". Porém, foi só pipocar o anúncio do live-action oficial - e distribuído pela Warner - que meu coração acalmou. Não sei porque. Na verdade, nunca antes tinha assistido um live-action japonês de anime. Sim, este é o primeiro e, sinto em dizer, não foi um começo agradável.

Me mantive tranquilo até o dia do lançamento do trailer pelo qual extraí indícios cristalinos do quão duvidosa era essa produção. O erro começa no elenco inteiro com olhinhos puxados sendo que boa parte dos personagens são baseados no arquétipo ocidental. Como se não bastasse o deslize grosseiro, existe ainda uma teatralidade tão plástica nas atuações que... é de fazer chorar (de raiva). Ressalto aqui que não conferi na Netflix, mas sim no Anitube e não tenho vergonha de revelar isso. Quem não tem cão caça com gato né? E estava legendado, o que amenizou 1% da frustração porque se assistisse a essa joça com a dublagem brasileira, tão marcante no anime, não me aguentaria, acho que fecharia a aba nos primeiros quinze minutos. Esse filme simplesmente NÃO MERECE essa dublagem.

Outra confissão: Não consegui ver inteiro. Sim, quebrei uma importante regra, desisti do filme na metade e meus dedos estavam com um tique nervoso querendo gastar o teclado citando cada presepada deste "filme" que extrapola em ser fiel, ele não mede nem dosa o quanto se preocupa em ser fiel. Do todo que testemunhei, tudo exalava insegurança. O Edward Elric, com seu cabelo loiro tão crível quanto a grávida de Taubaté, nos momentos que exigem forte carga dramática, esboça uma tristeza de alguém que está constipado faz dias. Nem a personalidade forte do baixinho ele consegue emular de maneira natural. O mais próximo do suportável de fato foi a Winry.

O que dizer dos homúnculos? De boa retratação, apenas a Luxúria se salva. Para não gastar com efeitos especiais, fizeram da transformação do Gula uma silhueta (cena em que ele devora o reverendo). Porém, ainda assim todos estão bem caricatos. Além disso, o filme mistura elementos tanto do anime de 2003 quanto do Brotherhood (como o Portão da Verdade), só que o ritmo apressado é ainda mais prejudicial do que a própria ausência de traços que despertem uma emoção. Nada foi subvertido, apenas exagerado. Sobre o texto, alguns diálogos foram mantidos, o que, de longe, é o menor dos problemas - não sendo precisamente um problema.

Eventos impactantes como a descoberta de que Nina e Alexander foram transformados numa quimera falante por Tucker (visível fanservice) e até mesmo a morte de Hughes não tiveram nenhum toque que tornasse estas cenas igualmente tensas como no anime. Atentando-se à cena em que Ed confronta Tucker: A ambientação não foi das mais corretas. Uma cena dessas em plena luz do dia? A tensão simplesmente foi zero e o CGI da quimera é artificial de modo que seja considerado um ponto que favoreceu a completa escassez de impacto. Justo em momentos como esse, tomaram as piores decisões.

Os closes de cena são bem estáticos parecendo produção a nível do canal Syfy. Sobram os efeitos especiais de alquimia como isentos da minha fúria crítica e, por extensão, a luta entre Ed e o reverendo (é o pai Cornello, certo?) que conjurava monstros de pedra com a fake pedra filosofal.

Considerações finais:

Não há absolutamente nada referente ao desempenho dos atores em Fullmetal Alchemist que possa estar livre de qualquer crítica ferrenha. O longa é parado, apressado em alguns momentos, sem clima empolgante e que parece ser inconscientemente auto-sabotado por acreditar que ser fiel ao máximo possível levaria a uma homenagem digna à obra de Hiromu Arakawa. Ledo engano, produção. Na prática, acabou sendo uma peça de teatro que não arranca mais do que constantes reviradas de olhos a cada tentativa seguida de erros.

PS1: Esse ator do Roy Mustang é tão bom em interagir com os personagens quanto uma porta é boa em fazer careta para as visitas.

PS2: Não sou um chato que mimimiza algo como "Se fosse pra ver repeteco, eu voltava a assistir o anime ou relia o mangá!". O filme nem como réplica se faz direito. Além do mais, a trama de Fullmetal Alchemist é muito vasta para caber num longa-metragem de duas horas e uns poucos minutos. Fosse uma trilogia (100% bem produzida), os dois primeiros filmes seriam encerrados com cliffhangers de deixar qualquer um na ponta da cadeira em crise aguda de ansiedade.

PS3: Somente os homúnculos foram os antagonistas? Mencionaram King Bradley (como Fuhrer), mas li comentários afirmando que ele não aparece. Sem Kimblee? Ishval foi citada, mas cadê o Scar? São algumas das perguntas cujas respostas não me importa saber.

PS4: Pra alguém que estava com a perna decepada, rastejando e sangrando, Edward Elric parecia querer dar uma passadinha no banheiro e depois voltar pra fixar a alma do irmão na armadura.

PS5: Se é possível traçar um paralelo com a adaptação de Death Note pela Netflix, eis que Alphonse Elric teve sua armadura bem tratada pelo CGI tal como o Ryuk. Dos exageros de rigor estético, é o mais relevável e ao mesmo tempo se centra como o maior acerto. Só a movimentação que ficou aquém.

PS6: E ainda tem Bleach este ano. Tô naquela empolgação...

NOTA: 1,5 - PÉSSIMO 

Veria de novo? Jamais! 

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*A imagem acima pertence ao seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://www.comboinfinito.com.br/principal/netflix-lanca-novo-trailer-do-filme-live-action-de-fullmetal-alchemist/

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