domingo, 26 de outubro de 2014

Nem tudo é o que parece #2


Era meu primeiro dia no meu novo emprego, já estava meio que atrasado, mas não estava muito preocupado com isso, mas sim com o puxão de orelha do meu chefe. Era uma empresa de tecnologias, desenvolvimento de softwares, enfim, vou deixar isso de lado e contar o que realmente importa. Depois de muitos tropeços nas escadas, finalmente encontrei o terceiro andar e tive a sorte de avistar um elevador. Senti um alívio tremendo, mas isso logo passaria após eu deparar-me com o zelador. Ele passou por mim com um olhar de desconfiança e de medo também.

Ficamos cerca de uns 2 minutos nos olhando, e o motivo permanecia implícito. Até que eu resolvo perguntar se existe um 23º andar. Ele arregalou os olhos e parecia suar frio.

- O senhor está bem?

- S-sim... mas, por favor, não vá para o 33º andar. É o último desse prédio, mas não aconselho a ninguém entrar lá. Aconteceu algo terrível, que me assombra até hoje, pois trabalho aqui há 20 anos.

Nunca me falaram de um 33º andar, mas tendo em vista o relato do zelador, fui guiado por minha curiosidade e adentrei no elevador com bastante pressa.

- Tenha cuidado. Nem pense em ir onde mencionei.

- Tudo bem, não se preocupe, não vou pra lá. - disse eu, mentindo.

Apertei os botões e me dirigi ao último andar. Estava ansioso e meio assustado, pelo tom de voz que aquele homem usou e o mistério que fez (a musiquinha do elevador ajudou bastante). Finalmente as portas abriram, porém... o arrependimento veio em questão de segundos.

Assim que as portas do elevador abriram-se, dei de cara com uma sala completamente destruída e... o pior: com espectros sombrios, com formas humanas, vagando pela sala e se jogando na janela principal. 

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Durante boa parte da minha infância morei em um vilarejo não muito pobre, mas isso é um detalhe irrelevante. Mas o que mais me atormentava nem eram as brincadeiras de mal gosto dos meus colegas de classe, mas sim algo estranho que ocorria todas as noites de sexta-feira. Ligava a luz do abajur toda vez que ouvia vozes ecoando em uníssono. Parecia ser uma oração, logo na primeira vez pensei ter sido uma procissão de alguma santa ou santo.

Até que isso se tornou inválido quando, depois de 3 semanas, passei a tentar investigar isso com meus próprios olhos. Minha casa ficava perto de um barranco, e mais abaixo, numa outra vila, pude ver uma multidão. Eles (todos eles) seguravam velas e vestiam mortalhas pretas. Não entendia uma palavra sequer do que diziam, e, pra ser sincera, aquilo me causava arrepios. No dia em questão, fechei rápido a janela e a tranquei. As consequências disso tudo foram muitas noites mal dormidas e algumas crises de pânico.

Alguns amigos meus, após eu contar a eles o que tinha visto, me mostraram algumas fotos de um baú que encontramos na biblioteca do colégio. Nas fotos, havia a mesma multidão que eu havia visto muitas semanas antes, e aparentavam estar com as mesmas vestes. Algumas das fotos datavam de 1972, 1985 e 1990, e a lenda dizia que não se sabia de onde vinham e nem pra onde iam.

Nenhum de nós chegou a uma conclusão e o que mais queria era ignorar isso. Isso durou muito pouco, quando em certa noite... acordei assustada e em pé! Estava no meio daquela multidão aterradora e ouvindo aquele canto sinistro. Um deles parou e se virou pra mim e só o que vi foi... um ser vazio por debaixo daquela mortalha... somente a escuridão... somente a escuridão... 

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Havia me mudado (pela terceira vez) pra um bairro próximo da minha antiga casa, e teria certeza de que a experiência lá seria agradável, pois um dia após eu "estrear" a casa comecei a reparar na minha vizinha, que havia chegado semanas antes. Ela era linda, de corpo, claro. Aquelas curvas me fascinavam e seus cabelos de cor preto azulado só completava o colírio para os meus olhos.

Ela tinha uma aparência meio gótica, e logo pensei que se me aproximasse um pouco mais ela atenderia aos requisitos. Em uma manhã de domingo, fui colocar o lixo pra fora e, por coincidência, ela também foi. Conversamos bastante sobre vários assuntos, e ficamos muito amigos. A partir daí minha rotina mudou. Pedíamos favores um ao outro, até saímos juntos algumas vezes. Mas sinto que ela queria passar para o "próximo nível". E mal podia esperar por aquele momento.

Certo dia, em uma tarde, ela me ligou pedindo algumas ferramentas para consertar alguns aparelhos. Eu disse "sim", claro, mas ela foi insistente ao dizer que eu deveria permanecer na sala. Atendi ao pedido, e fiquei esperando por duas longas horas e nada dela. Até que meu celular tocou. Era o sinal de mensagem.

A mensagem dizia: "Estou dentro do armário, tranque a porta e deixe a caixa de ferramentas aberta. Estou com uma corrente e hoje, com certeza, vamos nos divertir muito!" 

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Quando éramos crianças, eu e meu melhor amigo íamos na casa de uma garota que estudava na mesma classe que a nossa. Até hoje não entendo os complexos que ela tinha, as histórias que contava e nem seus supostos problemas psicológicos. Os pais chegavam a julga-la como louca, até porque aparentemente não a amavam. Um dia, fomos à sua casa e, assim que entramos, ela arrastou meu amigo para seu quarto.

Fiquei comendo algumas coisas na geladeira, enquanto ele ficava desenhando no chão. Em certo momento eu a vi no quarto falando com uma figura estranha e medonha, mas apenas via sua silhueta, cuja esta tinha um aspecto um tanto macabro. Não demorou para nós dois perguntarmos sobre aquilo.

- Com quem estava falando?

- Com meu amigo imaginário. Ele sempre me diz que tem uma coleção, mas nunca quer me mostrar.

Depois de terminarmos de brincar, nos despedimos alegremente. Meu amigo e eu seguimos caminhos diferentes. No entanto, ouvi um barulho bem distante minutos depois. Vinha da direção que ele seguiu e fui ver o que tinha acontecido. Perto de uma floresta avistei um buraco.

Aproximei-me e vi uma pilha de crânios, juntamente com a cabeça do meu amigo. 

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Eu tinha uns 10 anos quando ocorreu, aliás quase 11. Uma menina veio até a mim lentamente, enquanto eu estava sentado no banco de uma praça lendo um pequeno livro de histórias. Ela era diferente, vestia um uniforme colegial e tinha cabelos pretos e longos. Ficamos conversando, até ela mostrar sua casa.

- Vem, te mostro minha casa.

Não havia ninguém lá, e estranhei, claro. Ela não respondeu quando perguntei sobre seus pais. Me convidou para entrar no seu quarto, e me apresentou seu álbum de fotos. Todas as fotos eram em preto e branco, o que certamente era estranho. Na última foto ela estava mais bonita, ao meu ver, e elogiei-a.

- Você parece mais jovem e bonita nesta foto.

- Ah sim. Foi tirada um dia antes de eu morrer. 

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Alguns dias depois de nos mudarmos, meu marido tinha ido visitar sua mãe, que estava com saudades e morava numa rua próxima. Ele gostava de colecionar brinquedos antigos e, pensando que eu também tivesse essa preferência, me mandou uma encomenda. Dentro da embalagem estava uma garrafa com um pequeno boneco dentro. Pensei em jogar no lixo, afinal, o que eu iria fazer com aquilo!? Pensei melhor, e esperaria ele voltar pra conversarmos sobre isso.

Deixei a garrafa na estante. O boneco que havia dentro tinha olhos vermelhos, todo preto, chifres e uma longa cauda vermelha. Parecia mais um dragão ou um lobo, sei lá.

Fui fazer umas compras e deixei minha filha de 8 anos com a empregada. Ela queria muito tocar no boneco, mas pra isso teria que quebrar a garrafa. Eu a adverti dizendo para não tocar na garrafa.

Quando voltei, tive um primeiro vislumbre do horror que passei. Um imenso rastro de sangue que ia da sala ao quintal. A empregada não estava em casa e nem minha filha. Pensei no pior, claro. Liguei pra polícia, mas a linha do telefone foi cortada! A TV estava ligada e logo começou um noticiário e... oh, meu deus!

A garrafa estava quebrada. Na TV, a repórter, desesperada, disse palavras que jamais vou esquecer: "Está ocorrendo agora mesmo uma invasão de domicílio, causada por um... monstro gigante!!! Parece estar violentando brutalmente os residentes. Segundo as descrições...  Ele é preto, com uma longa cauda e tem enormes chifres e olhos vermelhos!"



FIM... por enquanto! 

2 comentários:

  1. Se superando a cada conto! Isso aí Lucas, você tem um belo futuro como escritor! Adoro eles!

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    1. Agradeço muito pelo reconhecimento Sah. Fico feliz que tenha gostado :)
      Prometo vir com edições mais sinistras.

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