quarta-feira, 3 de junho de 2015

Capuz Vermelho #8: "Profanação"


CAPÍTULO 08: PROFANAÇÃO 

A proposta tentadora de Adam convencera Hector, mediante ao estágio em que a situação se mostrava. Firmada a parceria, o novo grupo se dirigira para uma região montanhosa, em uma exaustiva caminhada de trocentos quilômetros. Desde o princípio, Rosie nunca sentira antes tanta segurança por estar ao lado de pessoas puramente confiáveis, como o trio de caçadores implacáveis e astutos. Expor evidências complementadoras e unir forças eram as prioridades, no dado momento. Chegando na localidade, com o céu não tão estrelado e o clima frio denunciando a madrugada, o grupo preparou-se, por um lado, mostrar descobertas chocantes, já por outro, iniciar um conjunto de hipóteses e possíveis conclusões.

Uma cabana de tamanho grande, perfeita para atribuir o que chamam de "quartel general".

- Sejam bem-vindos ao nosso novo lar. - disse Adam.

- É diferente do que eu esperava. - disse Rosie, avaliando o interior do lugar.

- Presumo que esperava uma cabana caindo aos pedaços, centenária e pequena. Era isso? - perguntou Êmina, analisando o tom que Rosie utilizou.

- Err... honestamente, sim. Mas não entenda isso como uma crítica, não foi minha intenção.

- Tudo bem. Percebo que gostou, pois é aqui que iremos nos reunir. Aliás, já teremos nossa primeira reunião agora mesmo. - ressaltou a caçadora.

Lester a Adam aproximavam-se trazendo uma espécie de caixão. Ambos tapavam as narinas.

- Muito bem. Havia dito que descobriram algo que fortaleça a investigação. É o que está aí dentro? - perguntou Hector, mantendo a curiosidade.

- Sim. Nem vão acreditar. - disse Lester, com uma expressão séria.

- Trata-se de um corpo. Em uma de nossas caçadas, conseguimos capturar um licantropo. Não sei se foi por sorte... mas o que veio á tona logo em seguida esclareceu o que já havíamos suspeitado. - revelou Adam, surpreendendo Rosie e Hector.

- M-mas como? Uma quimera... nesse caixão? - perguntou Rosie, incrédula.

- É licantropo. - corrigiu Lester.

- Quimera se encaixa melhor no que acho ser apropriado, na minha opinião. - rebateu Rosie, silenciando Lester com sua sinceridade.

- Eu fiz uma abertura na lateral, para que somente sua mão pudesse ser exposta. Obviamente não abriríamos o caixão todo, deixando escapar a podridão... enfim, aqui está. - disse Adam, enquanto retirava os pregos da pequena abertura quadrada.

Pôde se ver uma mão humana, decomposta e putrificada. O que levou Rosie a pensar sobre a lenda popular que tanto ouvia na infância.

- Então... significa que a quimera... retornou à sua forma normal? Assim como um lobisomem volta a ser humano no início da alvorada? - perguntou Rosie.

- Você tem um pensamento rápido, Rosie. Creio que Hector a ajudou a afiar sua mente. E sim, é verdade. Ao que parece a luz solar causa um efeito adverso na mutação.

Hector se viu estarrecido ao ouvir a palavra da boca de Adam, sendo que para ele o grupo não possuía conhecimento das experiências.

- Mutação!? Então quer dizer que...

Antes que Adam pudesse dizer algo, Êmina intervira, ficando responsável de explicar tudo.

- Sim, Hector. Nós já sabíamos. Robert Loub. Membro da terceira geração de seguidores de Abamanu. Iniciou experiências contra humanos para transforma-los naquilo que ele chama de "os olhos e faces do nosso deus". - revelou a caçadora.

- Exato. Invadimos as instalações laboratoriais dele há meses e conseguimos esses dados. Inclusive, investigamos o templo onde realizavam os cultos, um pouco depois de termos acesso à lista de antigos seguidores. Mas, no entanto, ainda não entendemos porque eles pararam, ficando tantos anos sem realizar os cultos. Que eu saiba, eles possuem filhos e, ao que parece, nenhum deles deu seguimento aos legados de seus pais, o que é uma regra a ser seguida. - disse Lester.

- Bem, acho que sei o motivo desse hiato. - disse Rosie, pronta para revelar algo. - Porém, é uma longa história. - desencorajou-se, virando o rosto.

- Se não está em condições de nos dizer o que é, nós entendemos que não é o momento certo. - conformou-se Adam.

- Vocês, por acaso, tiveram acesso ao livro no qual estão escritas as regras, os mandamentos e as profecias? - perguntou Hector.

- Espera, que livro? Na realidade, mantivemos contato com estudiosos da conspiração que também tinham um certo interesse em investigar os Red Wolfs. No entanto, eles jamais nos informaram que havia um livro. No mais, foram fundamentais para nossa investigação. - revelou Adam, deixando florescer uma curiosidade.

- O que Hector se refere é sobre um item de uma coleção de um homem rico. Ele, na verdade, foi um ex-mordomo de Robert Loub, o responsável por conduzir as quimeras ao ataque. Nós invadimos sua mansão, mas fomos postos em uma armadilha, que quase custou nossas vidas. - contou Rosie.

- Como conseguiram escapar? - perguntou Lester.

Hector pôs-se a contar o que ocorrera na noite.

- Escapamos com nossos meios. Posteriormente, nós descobrimos que Alexia, uma vidente, o conhecia e sabia de seus podres. Foi através dela que Loub arquitetou tudo. Encontramos o livro, mas não conseguimos obtê-lo, pois estávamos fingindo uma visita amigável, e, claro, seria suspeito. O tal homem é, na verdade, tio de Michael, um grande amigo meu que supostamente morreu pelas mãos de uma quimera.

- E tenho quase certeza de que Loub estava por trás disso. Mas não entendo... porque ele mandaria um licantropo matar justo o seu amigo, tal como ocorreu com seu pai? - perguntou Adam, intrigado.

- É um mistério ainda. Graças à Alexia, pude invadir o laboratório de Loub, mas fui feito de prisioneiro. Fiz ele falar tudo o que eu precisava saber, mas acabei não lembrando de seu envolvimento na morte de Michael.

- E o que descobriu? Certamente deve ser algo a acrescentar. - disse Adam, aproximando-se ansioso.

- As quimeras ficaram de guarda dentro da mansão, protegendo a coleção. Esse foi o objetivo. Rosie e eu lemos algumas páginas dos capítulos finais e ficamos chocados. Copiamos alguns trechos nestas folhas - revelou Hector, tirando os papéis de seu sobretudo, e colocando-os na mesa posicionada no centro na sala.

O trio permaneceu lendo as páginas por cerca de cinco minutos. Lester, como um bom observador, ressaltou um trecho em especial, que fazia alusão ao advento das experiências.

- Vejam isto, pessoal. Há um trecho que diz: "Conceda-se infinitos desejos àqueles que são a imagem de nosso deus e seus nobres súditos. O direito à consciência, e, sobretudo, à vida. Em vastas fileiras, viu-se a multidão marchar contra seus opressores e opostos. Um mar vermelho e um céu negro foi o que se viu.". 

- E o que você nos diz sobre isso? - perguntou Êmina.

- Olha, fazendo uma interpretação rápida, eu digo que é uma clara referência aos licantropos, sem dúvidas. "Infinitos desejos": os licantropos são livres para fazerem o que querem, inclusive causar um enorme derramamento de sangue. "O direito à consciência e à vida": Não seria estranho imaginar que Loub estivesse planejando - se já não o fez - fazer os licantropos adquirirem consciência própria, em um possível contra-ataque. "Vastas fileiras", "a multidão", "opressores e opostos": Um exército. É somente o que posso deduzir a respeito disso. Um exército cujo poder é capaz de causar um genocídio terrível. - disse Lester, adquirindo uma expressão assustada.

- Estão cumprindo a profecia. - afirmou Hector, preocupando-se.

- Não acham estranho que, dentre os seis membros, somente Loub está agindo? - perguntou Êmina, levantando uma intrigante questão.

- É verdade. Mas aí vem a questão: Não teriam planejado que, durante o hiato, somente um pudesse ficar na ativa? - questionou Adam.

- Provavelmente. Loub seria o encarregado de criar o exército de quimeras e talvez esteja planejando um ataque no dia em que ocorrer o eclipse. Já vou explicar: Na cela em que estive interrogando-o, ele me revelou que Abamanu retornaria em um eclipse lunar. Além disso, quando eu e Rosie estávamos na mansão, encontramos uma peça, que é parte de um talismã pertencente à Abamanu. O talismã possui cinco partes, sendo quatro as representações das quatro fases da lua e a última à lua sangrenta. Duas questões: Com o talismã completo, em mãos, podemos impedir o sacrifício, negociando com Abamanu? Ou será que, se Abamanu for real, seu retorno será garantido caso fazermos a junção das peças? - perguntou Hector, gerando várias dúvidas no grupo.

- Os estudiosos disseram-nos algo sobre o talismã. Mas não como e porque ele se dividiu. Nós vamos invadir a tal mansão, matar os licantropos e recuperar a peça que está lá, incluindo o livro. Mas por enquanto ficaremos na moita, devemos agir na hora certa - propôs Adam, decidido.

- Outra questão, Hector: Podemos confiar nessa Alexia? - perguntou Lester, seriamente desconfiado.

- Não há com o que se preocupar. Alexia é tão vítima quanto nós. - respondeu o caçador.

- Todos sabemos de algumas regras dos Red Wolfs... Hector, você mencionou "sacrifício". Até onde sabemos, Abamanu é privilegiado com um sacrifício humano, quando um membro comete heresia. Em outras palavras, um membro é considerado traidor quando este possui uma filha, sendo ela a oferenda. A quem querem sacrificar? - perguntou Êmina, olhando fixamente para o então olhar despreocupado de Hector.

Em um silêncio embalado por entreolhares temerosos de Rosie e Hector, o trio ficara com grandes dúvidas com relação ao caso. Esconder o fato não seria mais uma opção.

- Acho que Rosie tem a resposta. - disse Hector, tentando um contato visual que transmitisse o máximo de confiança possível.

- O quê? - perguntou Êmina, desconfiada.

A jovem incumbida de utilizar o capuz para sua proteção respondeu, sem medo algum, a verdade necessária.

- É isso mesmo que vocês precisam saber. Sou eu quem querem sacrificar.


2 meses depois. 

Ao norte, bastante próxima à cidade vizinha de Raizenbool, havia uma mansão luxuosa. Nos seus arredores, uma vasta e densa floresta coberta inteiramente pelo breu da noite. Na residência moravam um respeitado advogado e seu filho. Ambos viviam entediantemente para o trabalho. O filho, criado como órfão de mãe, empregou-se cedo demais, por conta das exigências do pai. O trabalho era de datilógrafo, mas o mesmo contentava-se com sua vida e seu salário "aceitável".

O advogado chamava-se Ethan Nevill, e mal esperava o grande dia de sua vida... a vinda daquele que trará a noite eterna. Seu passado como participante das seitas dos Red Wolfs não deixava, nem por um único segundo, de ser lembrado. Numa certa noite, em um atípico dia de folga, o homem reclinava-se na sua poltrona, ouvindo música clássica e fumando um charuto. Enquanto isso, seu filho, Dwayne, reunia uma quantidade de material estranho para uma noite de céu limpo como aquela.

Com um giz de cera desenhou um enorme símbolo envolta de um círculo, com algumas palavras em língua desconhecida em pequenos quadrados desenhados ao redor do símbolo. Velas acesas em pontos aleatórios do cômodo mal iluminado. Uma brisa gélida tomando forma ao atravessar a janela semi-fechada, balançando as cortinas. Dwayne se matinha ajoelhado e com olhos fechados, segurando um livro pequeno, cujas folhas estavam amareladas.

As palavras contidas no livro foram proferidas pelo primogênito do ex-Red Wolf. Uma espécie de alerta fora soado aos ouvidos do advogado. O homem, ao ouvir tais palavras, arregalou os olhos e correu em desespero como nunca em sua vida, em direção à sala de estar, não dando tempo de pegar seus óculos. O símbolo presente no centro do cômodo entrou em rápida combustão. Um fogo que nem mesmo a corrente de vento mais forte poderia apagar.

Dwayne perdera-se completamente ao contemplar a imensidão das chamas ascendentes. Um pequeno tremor parou a correria de Ethan para "salvar" seu filho. Na parede à sua esquerda, Dwayne vira uma longa rachadura vertical formar-se, seguido de uma luz alaranjada cada vez mais crescente. O garoto percebera, afastando-se lentamente, mãos abrindo um enorme buraco através da rachadura. Em seguida, pernas de um aspecto dantesco, quase em chamas, saíram da abertura.

Por fim, a cabeça fora vista. Indescritível aos olhos humanos. Um estridente rugido fora dado pela criatura, após a luz finalmente ter cessado. Uma lama negra fora derramada sobre o carpete da sala, vinda diretamente das entranhas expostas da criatura. Dwayne cerrou os olhos, analisando a forma e o comportamento que a criatura demonstrava. A coisa simplesmente lançou-se contra a janela, quebrando-a a ponto de rachar a parede, logo escapando pela floresta e rugindo sem parar.

Ethan assistiu a tudo, tranquilamente. Seu filho manteve-se em profundo estado de choque. A decepção no olhar de Ethan não parecia pior do que acabara de ver.

- Eu havia dito à você... tantas vezes o avisei... e você me envergonha deliberadamente. - lamentou Ethan para Dwayne.

- D-desculpe... papai... foi a curiosidade...

- Não me venha com desculpas. Sabe que é algo proibido. Isto fere nosso orgulho e mancha a sua carreira como meu sucessor. O que quer que seja o que saiu pela janela... vai abalar as estruturas. - alertou Ethan, visivelmente decepcionado.

- O q-que faremos agora?

- Vamos. Arrume suas coisas. Iremos nos mudar daqui. - ordenou Ethan, dando largos passos em direção ao quarto de seu filho.

Embora ainda estivesse tremendo de horror, Dwayne acompanhou seu pai, o seguindo pelo corredor.

- E-eu não entendo... Por que logo agora?

- Cale-se! Tem o direito de permanecer em silêncio. Pressinto que se ficarmos aqui, nossa paz não durará muito tempo. - afirmou Ethan, mantendo uma expressão raivosa.

- Eu não sei o que quis dizer... mas dou a minha palavra: farei de tudo para consertar meu erro. Mas eu preciso que me explique mais sobre as criaturas que habitam o mundo inferior, principalmente os rituais que as bruxas apreciavam...

- Chega!!! - gritou Ethan, virando-se para seu filho. - Nós vamos sair daqui... mas eu preciso que aquele monstro que libertou seja morto... talvez seja o único modo para me convencer de que se redimiu.

Vozes ao longe foram ouvidas. Tratavam-se de pessoas que passavam ali perto e que ouviram os rugidos e barulhos produzidos pela criatura. Ambos apressaram-se e puderam fugir sem que fossem vistos. Na sala de estar, as chamas que ardiam no símbolo desenhado converteram-se em fogo fátuo, apagando-se gradativamente.

Policiais foram chamados pelos que comentavam o ocorrido e uma séria averiguação foi realizada. Luzes de lanternas dançavam nas paredes e pisos da residência. A única estranheza encontrada foi apenas o símbolo no chão da sala. No entanto, não perderiam tempo para chamar um especialista no assunto, logo tornando aquilo irrelevante e nada acrescentador à investigação.

No manhã do dia seguinte, na região montanhosa, conhecida como Kéup, os heróis reuniram-se novamente, para celebrar uma conquista especial.

Rosie e Êmina entraram na cabana, ambas exalando uma certa satisfação, para a surpresa dos outros. A jovem exibia uma fisionomia voluptuosa, o que de instantâneo atraiu a atenção de Hector.

- E então? Como ela se saiu? - perguntou Adam, levantando-se da cadeira.

- Ela foi simplesmente fantástica. Possui bons reflexos e uma agilidade impecável. - elogiou Êmina, sorrindo para Rosie.

- É, parece que acertamos na escolha da pessoa ideal para treinar Rosie. - disse Hector, contente com o resultado.

- Eu... me sinto diferente. Mais forte. - afirmou Rosie, cerrando os punhos em sinal de determinação.

- E isso é algo bom. Porém, devemos nos responsabilizar se algo ocorrer com você, pois temos a obrigação de protege-la. - disse Adam, aproximando-se de Rosie e tocando em seu ombro esquerdo.

- Não, isso não é necessário. Está tudo bem. Com tudo o que o treinamento me ofereceu, eu já me sinto pronta para entrar nas linhas frontais. Mas eu achei que já deduziam que eu pudesse ter algo relacionado com toda essa confusão... pelo capuz, eu achei que havia ficado óbvio para vocês. - disse Rosie, quase aos risos.

- Bem, nós não sabíamos que os Red Wolfs usavam capuzes vermelhos... até Hector nos revelar. Agora faz sentido. - contentou-se Êmina, sentando na mesa.

Lester interrompera o momento prazeroso para noticiar algo importante.

- Desculpem a intromissão, mas ao ler o jornal de hoje tenho algo importante a dizer. - disse o caçador, adentrando rapidamente na cabana.

- E o que é, Lester? - perguntou Hector, curioso.

- Um estranho incidente, ocorrido numa floresta ao norte, chamou a atenção de várias pessoas. A polícia vasculhou o local e apreendeu objetos típicos de bruxaria e ocultismo. Testemunhas relataram que ouviram barulhos fortes, como um rugido de um animal selvagem. E dentre as evidências que a polícia coletou, estão um buraco enorme na parede da sala e um pentagrama invertido no chão. Foi em uma mansão que não fica muito longe de Raizenbool.

- Alguma informação sobre os moradores? - perguntou Adam, pegando o jornal das mãos de Lester.

- Bem, não. Na verdade, ninguém sabia quem morava lá. Nenhuma pessoa foi encontrada dentro da casa, provavelmente fugiram... o que me deixa intrigado.

Rosie, pensativa, imaginou que pudesse ser algo ligado ao caso dos Red Wolfs.

- E se possuir ligação com o que estamos investigando? Como você mesmo mencionou Lester, rugido de um animal selvagem. E se tiver sido um ataque de uma quimera? - deduziu a jovem.

Hector confrontou a dedução de Rosie, pensando na mente doentia de Loub.

- Não. Não creio que Loub consideraria a ideia de alvejar vítimas aleatórias, se partirmos da suposição de que os moradores não estão envolvidos com os Red Wolfs. Melhor todos nós irmos juntos investigar. - sugeriu o caçador.

De súbito, fortes batidas na porta foram dadas e ouvidas, de modo que todos virassem seus rostos para ela. A julgar pelo teor das batidas, Hector foi atender. Era Rufus, o assistente de Alexia.

- Rufus!? Como soube que estávamos aqui? - perguntou Hector, surpreso ao vê-lo.

- E-eu simplesmente imaginei que estivessem num lugar distante da sociedade e esta cabana foi a primeira coisa que pensei. Eu tenho más notícias... - disse ele, com um tristonho semblante, segurando seu pequeno chapéu com as duas mãos.

- É sobre Alexia? O que houve com ela? - perguntou Rosie, preocupada.

- Ela... foi sequestrada. Uns homens invadiram a casa... eu tentei esmaga-los com todas as minhas forças, eu tentei protege-la... mas acabei falhando. Eu não me perdoo por isso.

- Não, Rufus, a culpa não foi sua. Você fez o melhor que pôde. Certamente Loub mandou que a sequestrassem, pois imaginou que ela estivesse em Raizenbool. - disse Hector, deixando o pobre homem atônito.

- Agora ele a quer de volta para arrancar informações dela sobre nós e força-la a ajudar com seus planos. - afirmou Rosie, certa de que a vidente seria usada novamente.

- Estou desesperado. Me digam que sabem para onde a levaram, por favor. - chorava Rufus.

- Calma, nós vamos tentar resgata-la, já temos uma ideia de como. - disse Hector, tentando tranquilizar o homem.

- Vocês tem. Nós cuidaremos de investigar a mansão. É um prazer, senhor Rufus. Eu sou Adam. Estes são Êmina e Lester, meus companheiros de longa data. Nós cinco somos a nova Legião dos Caçadores. Sinto muito por Alexia, mas podemos garantir que tudo ficará bem.

- Obrigado. Eu já ouvi falar de vocês três quando Hector os chamou para ajudarem a enfrentar os monstros que invadiram Raizenbool há dois meses.

- Melhor nós irmos. - apressou-se Hector, chamando Rosie, que respondeu assentindo com a cabeça.

Na missão dos caçadores, Adam, Lester e Êmina encontraram uma mansão sofisticada e invejável por fora, mas em seu interior nada que se distanciava do tenebroso. Em uma minuciosa investigação, puderam encontrar de tudo, desde ferramentas comuns à objetos de uso desconhecido. Uma peça do talismã fora encontrada no sótão por Lester, reavivando as esperanças para encontrarem as outras três (já que sabia-se o local onde estava aquela que Rosie e Hector não conseguiram obter).

Já na missão de resgate, Rosie e Hector se viram em uma emboscada previamente realizada. Mas os obstáculos não eram fortes o suficiente para barra-los. Utilizando o que aprendeu com o treinamento fornecido por Êmina, Rosie foi derrubando cada capanga, um à um, sem exceções, o que logo permitiu que ambos pudessem entrar no local. Hector arrombara a porta principal e vira Alexia amarrada em uma cadeira e amordaçada, clamando por salvação. Outros capangas de Loub aproximavam-se rapidamente da casa, para impedir a libertação de Alexia. A vidente estava usando um colar que continha um detalhe importante para Hector. Tratava-se de uma peça do talismã. Quando a pôs nos braços, a olhou como se já pedisse explicações.

Precisamente, saíram de lá ilesos, adentrando na densidade da floresta, por conseguinte deixando os bandidos furiosos. Todos reuniram-se na cabana à noite, para comemorar as conquistas - embora não esquecendo dos problemas futuros -.

Duas peças do talismã em mãos já era algo para ser considerado um longo passo. Enquanto compartilhavam esperanças naquela noite, uma criatura infernal invadira o castelo de Loub, mais precisamente o laboratório.

Fitou a primeira cobaia por vários minutos, enquanto as outras a encaravam, trancafiadas em suas jaulas. Estava na ala das quimeras de nível 3, consideradas pelo próprio criador das mesmas como as mais letais de todas. Foi lentamente se aproximando... com rosnados ininterruptos e seu olhar de encontro com o dela.

Alcançou a jaula, praticamente isolada das outras, estendendo seu braço a fim de poder tocar na quimera. Sua mão se unificou à seu corpo e o que se seguiu foi uma série de uivos estridentes. A jaula fora danificada durante o processo. Uma perfeita fusão. O monstro libertado sentia-se renovado. Tal feito fez com que as demais se libertassem de suas prisões e avançassem contra a criatura.

Apenas para mais sangue ser derramado naquele cativeiro. Garras dilacerando entranhas, corações e pele. A silhueta da criatura durante sua legítima defesa mostrava-se mais assustadora à medida que respingos de sangue se lançavam no ar a cada golpe ou mordida.

Embebeu-se do sangue quente das quimeras que a afrontaram. Uma sensação nova lhe tornou um ser completo. Teve seu primeiro pensamento sobre o que é instinto e razão ao perceber o que havia se tornado. Olhou para suas garras sujas. Nascia um monstro com um propósito em mente.

Olhando para as quimeras que permaneciam quietas, ergueu sua coluna, mostrando-se imponente. Não havia nada mais empolgante naquele instante do que dizer as primeiras palavras...

- Aqueles que se oporem, sofrerão a ira de Mollock!!!


                                                                    CONTINUA... 

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