quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sem lugar...


Deixe-me. Deixe-me enquanto ainda resta-me um curto tempo para executar os últimos suspiros. Abandone-me e brilhe no coração de um genuíno merecedor.

Continuarei manchando estas paredes com sangue a cada passo de lentidão. Olhos vazios por lágrimas não jorrarem mais nesta doce escuridão.

Rendido à medos que voltaram à tona, até findar-se na loucura iminente. As vozes... elas finalmente se calaram por eu recolher os últimos resquícios de minha alma.

Não mais pertenço, logo me afundo em meu desalento. Não mais protesto, pois nenhum som minha voz pode reproduzir. Não mais luto, por minhas forças estarem esgotadas.

Este sangue vai apodrecendo esta parede aos poucos. Irei caminhando com minhas já cansadas pernas por este longo corredor.

Agora vá. O bem mais precioso que preservei durante tempos e não pude valorizar suficientemente. Deixe-me aqui, andando, afastando-se deles... enquanto alça voo em busca de alguém que possa usa-la e que possua uma alma digna.

Pois esta, embora quebrantada, vagueará sem rumo.

O destino? Ele não existe.

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