Capuz Vermelho #11: "Confiança Perdida"


Nota do capítulo: Partes em itálico representam flashback.
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CAPÍTULO 11: CONFIANÇA PERDIDA 


- Eu confesso que não esperava sua terrível presença... Michael.

Ao ouvir tais palavras, o rapaz sorrira maliciosamente ao olhar para a figura de Rosie.

- Espera... Michael não era o nome daquele seu amigo que havia morrido? - perguntou Rosie, virando-se para Hector em um semblante de desconfiança extrema.

- Vamos, Hector, fale. Não deve se sentir culpado após dizer a verdade, tendo ciência do preço a se pagar. - afirmou Michael, forçando e intimidando Hector ao mesmo tempo.

- Do que ele está falando, Hector? Que verdade... Não. Não pode ser. Como você... pôde? - perguntou a jovem, adquirindo uma expressão assustada. Suas pupilas dilataram-se rapidamente ao ter quase certeza do que estava prestes a ouvir.

- Rosie... me perdoe. - disse Hector, cabisbaixo e com o punho esquerdo fechado e trêmulo.

- Eu odeio esse silêncio todo. - reclamou Michael sobre a demora de Hector ao falar o que devia. - Se não irá dizer, eu mesmo o faço. Você, filha do herege, foi usada o tempo todo pelo seu companheiro.

- O quê? Como assim usada?

Hector encorajou-se para se pronunciar e confessar de uma vez.

- Escute-me com atenção, Rosie: Quero que fique bem claro que o verdadeiro monstro nesta sala é Michael. Robert Loub está totalmente ligado à isto. Após mandar aquela quimera assassinar meu pai, ele esperou alguns anos se passarem, com a finalidade de me forçar a cumprir uma tarefa. Conversávamos por telefone. Tudo ocorreu exatamente na época em que eu ainda estava treinando para me tornar um caçador... e muito tempo depois dos Red Wolfs se separarem... pois meu pai era um deles...

                                                                    ***

Há 7 anos... 

- Seu pai lhe contou sobre sua vida dupla, certo? - dizia a voz de Robert Loub do outro lado da linha. 

- Sim. Ele me revelou tudo. E enfatizou que eu devo honrar seu legado. É este o meu propósito como seu filho. 

- Muito bem. Agora vamos ao que interessa. Antes de mais nada, quero dizer que sinto muito por ele. Bem, preciso que me faça um favor... para todos nós. Há alguns anos, tivemos conhecimento do primeiro herege da história de nosso clã. Ele teve uma filha e como fiéis seguidores, devemos sacrifica-la para Abamanu, o deus que nós louvamos, como deve saber. 

- E o que quer que eu faça? Se sabe quem está por trás da morte de meu pai e pretende me oferecer um serviço de vingança, para, quem sabe, coloca-lo na prisão, pode acreditar que estou pronto. - empolgou-se Hector, levantando-se da cadeira e fitando a janela da sala de estar. 

- Aquiete-se e ouça com atenção. Sinto uma vontade na sua voz... vontade de vencer, como seu pai tinha. Mas voltando ao assunto e sendo mais direto: Não tem nada a ver com a morte de seu pai. Preciso que conduza a filha do herege à uma armadilha... ao seu destino mortífero. Conquiste sua confiança. Nós nos dividimos para outros locais do país para refletirmos sobre o sentimento de culpa que carregamos. Ele nos fez sentir esta culpa. Nos fez sentir humilhados. Feriu o nosso orgulho. Eu fui o escolhido para fazer das promessas de nosso deus realizações concretas. É por isso que eu o escolhi, Hector. 

- Não estou entendendo. Como espera que eu consiga isto? 

- Seu pai era bastante amigo de Richard Campbell e meu também, obviamente. No entanto, não nos falávamos muito. Aliás, Campbell jamais soube que éramos membros do mesmo clã. O que deve fazer é trazê-la ao nosso templo... em um dia específico. Há uma profecia. Um eclipse lunar ocorrerá daqui há sete anos e, como se sabe, o que vem após o seu ápice é uma 'lua de sangue' e, como é descrito em nosso livro, ela representa o sacrifício a ser feito. Creio que a filha de Campbell terá cerca de 18 anos ou estará próximo. Acredito piamente que alguém da família Campbell está cuidando dela neste exato momento e poderá entrar em contato com você, a possibilidade é máxima. A partir deste momento, apresente uma imagem de um protetor nato. 

- Bem... eu estou em um treinamento de aptidão para entrar no grupo de caçadores. Mas... não sei se devo. Talvez não seja de meu feitio conduzir uma pessoa à morte. Não tenho esse direito. - afirmou Hector, fechando os olhos, convencido de sua decisão. 

- Mas é claro que tem. É o legado de seu pai, pense bem nisso. Pense no quão orgulhoso ele ficaria. 

- Sim, ele ficaria orgulhoso... mas não se eu fizesse um ato como esse. Pior do que fazer uma pessoa encarar a morte ocasionando-a, é atraí-la até ela. Desculpe senhor Loub, mas me recuso. Não se trata do que meu pai defendia. Se trata de minha moral. Nasci para defender o direito à vida. - justificou o caçador. 

- Hum... acho que não me resta outra escolha. Devo dizer rapaz... que sua família está em perigo. Deve protege-la. 

- Proteger minha família? De quem, afinal? 

- De mim. Se não fizer exatamente o que mando, vou tirar todos eles de você, um por um. Todos aqueles que você ama morrerão não só por minhas mãos, mas também por causa da sua rejeição para com seu destino. Grave minhas palavras, Hector. É jovem demais para perder tudo aquilo que significa para você. Eu posso e tenho recursos para isso. E então, qual a sua decisão agora? - perguntou Loub, em um tom profundamente intimidador. 


O jovem caçador congelou em pânico, tentando conter sua aflição ao ouvir aquelas palavras ameaçadoras. Suas mãos gelaram, passando a tremerem e suas pupilas dilataram-se. Se viu encurralado e sem chance de escolha. 

- Vamos, rapaz, fale de uma vez. Devo interpretar esse silêncio como um "sim, senhor"? 

Hector engoliu sua saliva e ficou a refletir sobre o que realmente seria o certo a se fazer. Pensou em todas possibilidades, sendo muitas delas aparentemente desastrosas. 

- Eu estou muito desapontado, senhor Loub. Achei que era um homem correto... pacífico e íntegro. Como meu pai pode ter sido tão cego? 

- Hum, diga o que quiser, jovem. Eu apenas sou o que sou, e o que me tornou o que sou hoje é o que me faz ser mais forte. Agora preciso de uma única resposta: sim ou não? - perguntava Loub, já impaciente e irritado. 

- Ou seja, apenas um monstro. E a resposta é não! - exclamou Hector, enraivecido. 

- Eu já esperava que dissesse isso, pelo tom da sua voz. Que tal começarmos pelo seu amigo de longa data. Michael, não é este o nome dele? 

- Não! Deixe Michael em paz! Ele não tem nada a ver com essa sua loucura. 

- Pra sua informação, ele é, na verdade, filho do meu antigo Mestre de Cerimônia. O destino uniu vocês por uma razão. Os planos de nosso deus não irão falhar se caso faça o que estou lhe pedindo. 

- Eu não sabia disso. Você não me dá ordens. Se a vida de todos que amo estão em perigo, então é meu dever protege-los. - afirmou Hector, perseverante. 

- Hum... então é assim, não é? Pois bem. Prepare-se para receber em sua casa um de meus homens, ás dez horas da noite de hoje. Sou um homem de palavra. 

Loub desligara em seguida, deixando Hector afoito por uma saída naquele labirinto, onde as vidas de todos que fazem parte de sua vida estavam em jogo. O jovem deitou-se no chão, largando o telefone e debulhou-se em lágrimas, quase sem esperanças. 

                                                                *** 

- E foi assim... Eu me senti impotente. Ele tocou no meu ponto mais fraco. Me vi sem escolha. Era aquilo ou as vidas que seriam ceifadas. - contou o caçador, contendo sua emoção ao máximo.

Rosie virou seu olhar para Michael novamente e deu alguns passos à frente. Uma vontade de desafia-lo lhe subiu à cabeça.

- Então você é o novo Mestre de Cerimônias, certo?

- Sim. Mas antes que eu possa lhe falar algo mais, permita que Hector termine a história. Apenas desabafando é que irá se livrar do peso da culpa. - disse Michael, fitando Hector com um certo desprezo.

- Cale-se Michael! Rosie, por favor, não sabe o quão estou arrependido...

- Fale logo, Hector! - esbravejou Rosie, deixando cair uma brilhante lágrima. - Conte tudo o que aconteceu em seguida.

O caçador se fez refém do silêncio. Sua voz mal poderia ser executada, tamanha era a dor de lançar verdades tão dolorosas para aquela que tanto lhe fez feliz, mesmo se sentindo sozinho.

- Tudo bem... Naquela noite, Michael e eu combinamos um plano. Para forjar sua morte.

                                                                ***

- É isso aí, Michael. Já preparei a armadilha. Logo ele virá. - disse Hector, olhando pela janela da cozinha, afastando as cortinas. 

- Ganhei coragem e já tomei o que você me trouxe. Tem certeza que essa coisa funciona? - perguntou Michael, avaliando o vidrinho da substância que havia ingerido. 

- Ora, não seja medroso. Esta poção é comprovadamente eficaz. Não só diminui os sinais vitais, mas como também inibe a ação do sistema nervoso. Parecerá um morto-vivo ou semi-morto, mas para eles apenas morto. Confie em mim, pelo menos desta vez. 

Ambos se entreolharam bastante sérios. Michael jogara o pequeno vidro numa lixeira e seguiu cambaleando até o banheiro, já sentindo os primeiros efeitos. 

Uma forte batida na porta da frente fora escutada. Logo a mesma se rompeu com um chute dado por um homem de porte robusto, vestindo uma roupa típica de cowboy do velho oeste, portando uma pistola pequena. 

Hector se posicionou à sua frente, desafiando-o com os olhos. O homem franziu suas sobrancelhas, logo sorrindo em seguida, em aparente sinal de deboche. 

- Então você é o enviado de Robert Loub, não é? - perguntou o caçador, confiante. 

- Sem delongas, moleque. Onde está seu amigo? - perguntou o homem, olhando para os lados. 

O capanga de Loub deu alguns passos à frente, despreocupadamente. No entanto, parte do piso do centro da sala cedeu logo quando o último passo, fazendo-o cair numa sala secreta, especificamente em um barril de óleo, no qual continha uma certo volume de gasolina. 

- O que está achando do banho? - perguntou Hector, olhando para o homem se afogando dentro do grande barril. 

- Seu... maldito! Vai... pagar muito caro! - ameaçava ele, tentando ganhar fôlego. 

- Eu já tenho um preço muito alto a pagar. Nada comparado com o que vai sofrer agora. - disse o jovem caçador, riscando um fósforo na caixa. 

- Não! Por favor... eu... não quero morrer! - suplicava o bandido, ainda se afogando. 

Sem nenhum resquício de pena, Hector jogou abaixo o fósforo queimando. Instantaneamente, o corpo do bandido entrou em profunda combustão dentro daquele barril, antes que pudesse proferir qualquer grito de dor. 

Horas depois do ato, a polícia havia sido chamada para verificar a "cena do crime". Michael declarado como morto pelos legistas, caído no chão do banheiro. 

Hector deu como causa da morte um ataque fulminante, fazendo os legistas concordarem, tornando inútil a presença da polícia. Prontamente tinha se livrado do corpo extremamente queimado do capanga de Loub, o enterrando no jardim. 

                                                                ***

- Os médicos legistas também afirmaram ter encontrado resquícios de substância venenosa. Mas isto não foi o fim.

- O que houve depois? - perguntou Rosie, cada vez mais curiosa e chocada.

Hector suspirou de olhos fechados, tentando encontrar forças para falar sem se desesperar.

- Liguei para Loub no dia seguinte, confirmando a "morte" de Michael. Naquela época, eu acho que ele já estava tendo contato com Alexia, pois parecia ter certeza de muita coisa. Foi então que, fingindo desespero, disse que não pude fazer nada para impedir e logo aceitei. Mas no fundo eu me sentia fraco e abatido. Um medo incomum tomou meu coração depois que eu ouvi aquelas palavras. - afirmou o caçador, mostrando-se arrependido.

Rosie, enfurecida, rapidamente manifestou sua revolta dando um forte tapa no rosto de Hector.

- Pode me dar mais se quiser, Rosie. Compreendo sua raiva. Eu não fiz somente por mim, mas pela minha família!

- Não, Hector, você não está entendendo! Por maior que fosse o seu medo de perde-los, você teve a chance de lutar. Por que deixou que este medo entrasse no seu coração e corrompesse o que o torna tão forte? Droga, você também é um investigador! Podia ter se preocupado menos se considerasse a ideia de Loub estar blefando o tempo todo. - disse Rosie, mantendo seus punhos firmemente cerrados.

- Permitam-me uma intromissão. Hector fez a coisa certa. Veja, estamos aqui... na noite do sacrifício.

- Rosie, não o escute. Sei que nada do que eu disser vai convence-la a me perdoar, mas, por favor, fique longe de Michael. Eu não o vejo mais como um amigo. - pedia Hector, se aproximando.

- Você também, fica longe de mim! - exclamou ela, rapidamente se afastando. - Brincou com minha confiança por ter se entregado à um medo que poderia combater. É só mais uma cobaia de Robert Loub. Eu já deveria imaginar. Pra ser honesta, esta é a primeira desilusão que tenho na vida... e logo com a pessoa que se dizia meu protetor... mas que nem mesmo consegue proteger a própria alma de seus próprios demônios.

- Está aí, Hector. Contemple a sua perda. Ela não passa de uma simples oferenda neste exato momento. Vamos lá, meu velho amigo, vamos aproveitar esta noite. Mas antes... Devo acrescentar algo sobre Richard Campbel.

- O que tem o meu pai? Mais segredos, é isso? - perguntou Rosie, bastante cansada.

- Basicamente. Um antigo membro chamado Ronnie era o único dos seis que ainda não possuía um filho. Ele desenvolveu um forte laço de amizade com Campbell, após o mesmo lhe prometer guardar um segredo: você. - disse Michael, apontando para Rosie. - Após Campbell ter sido encontrado morto, um deles trouxe a informação à meu pai. A de que ele era pai de uma menina, e logo foi descoberto que Ronnie escondia esse fato durante meses. Resultado: Ronnie foi conduzido à guilhotina por conivência com o herege. Meu pai comandou a execução. O interessante é que ele me disse que eu adoraria presenciar aquele momento. - revelou Michael, rindo em seguida.

- Você é um monstro. Aquela tal poção deveria tê-lo matado ao invés de só minimizar os sentidos. - afirmou Rosie, o olhando com forte ojeriza.

- Tenha em mente que seu pai começou tudo isto. Culpe-o pelo seu nascimento. Culpe-o por esse destino miserável ao qual você foi colocada. Mas talvez haja uma razão. Sim, uma razão para tudo o que se seguiu. Uma cadeia de eventos resultante de um único fator. Quem poderá afirmar qual razão é esta? Quem é detentor da resposta? - dizia Michael, testando os limites de Rosie.

- Não tente se aproximar ou vai se arrepender. - avisou a jovem, já pensando em sacar sua adaga.

- Não percamos tempo, Hector. Arranque dela o manto e vista-o. É uma pena os outros não estarem aqui, fugiram carregando suas mentes fracas, mas isto não é problema, faremos aqui e agora... o sacrifício. - afirmou Michael, deixando sair da manga de sua mortalha uma enorme faca prateada.

Rosie mostrara sua adaga segurando-a firme, posicionando-se para se defender de uma investida.

- Pode vir. Eu tenho amor à minha vida e vou preserva-la. Mesmo que pra isso eu tenha que arrancar seu coração. - disse a jovem, segura de si mesma, deixando a lâmina da adaga brilhar intensamente.

Enquanto isto, Alexia, ainda estando na cabana, confrontara um dilema sobre ir ou não até Londres. A vidente pensava e repensava a respeito, sentada num cantinho vazio do quarto.

- Vamos lá Alexia... você consegue. - dizia ela para si mesma, mexendo seus cabelos e erguendo a cabeça. - Você deve avisa-los. Enfrente o medo da guerra. - encorajava-se ela, apertando seus joelhos, enquanto encarava a luz vermelha provinda da lua.

A jovem saíra da cabana procurando não fazer nenhum ruído que pudesse acordar Rufus. Vestira um vestido simples preto e saiu em busca de um meio para chegar a seu destino.

Seguiu depressa à um vilarejo próximo, avançando na escuridão inebriante que se fazia. Ao chegar, avistou um celeiro de um fazendeiro local. Não demorou para que pudesse lhe pedir um favor.

- Olá, senhor. Desculpe vir assim, a essa hora da noite. Mas eu preciso de um dos seus cavalos, por favor. - pedia ela, juntando as mãos.

- Desculpe moça, nenhum deles está à venda. - disse o homem, ajeitando o chapéu e visualizando melhor a figura de Alexia.

- Não, eu não vim para comprar. É uma questão de vida ou morte. Meus amigos... eles precisam de mim, estão em apuros. Então, por favor, me empreste um cavalo.

O homem passou a entender seu desespero só de vislumbrar seu estado de completa aflição. Não teve escolha a não ser fazer o favor.

- Tudo bem. Venha comigo. - disse ele, sorrindo.

A vidente seguia cavalgando em um forte cavalo branco por uma pequena estrada repleta de curvas, que cortava uma floresta, um caminho ensinado pelo fazendeiro e memorizado por ela para ir até a capital. Alexia tivera uma experiência passada com montarias, durante a tenra infância. No entanto, a recordação não era persistente o suficiente para barrar a sua preocupação com o trio de caçadores e Rosie.

Enquanto cavalgava, pensava na sua visão... sobretudo no modo como a mesma terminou.

- Preciso ir mais rápido... avisa-los sobre o perigo que Rosie está correndo.


                                                                 CONTINUA... 

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