Contos do Corvo #4



Já era época de Halloween naquela aparentemente calma cidade. Na noite do "dia D", o corvo mal conseguia conter sua empolgação. Sua mente ansiava para imaginar algo que fizesse de tal noite definitivamente inesquecível. O coveiro, logo prestes a ir embora mais cedo do que de costume, ignorou a falante ave. 

Não tardou para a mesma proferir uma reclamação. 

- Ué, já está indo? Que droga, por que logo agora? 

- Por que não tenho que perder meu tempo ouvindo suas bobagens. Meus ouvidos estão tão saudáveis e você arruína minha audição com sua voz na minha cabeça. - contestou o coveiro, fazendo uma expressão raivosa. 

- Hahaha, no fim você não resiste às minhas histórias. Eu conquisto meus ouvintes. - disse o corvo, convencido ao zombar da suposta falsa negligência do coveiro. 

- Hoje vai ser diferente. Fui! - disse o coveiro, dando as costas de imediato. 

A garota de rosto pálido chegara logo em seguida, de modo um tanto furtivo. O coveiro não conteve a surpresa ao vê-la novamente. 

- Oh, aí está você! Como tem passado? 

- Um pouco melhor. Acho que estou superando aos poucos. - disse ela, aproximando-se da lápide onde estava o corvo. 

- Não deveria andar por aí a noite nessas horas, menina. Sabe que é perigoso. 

- Não tenho medo. A noite me dá mais conforto. - respondeu ela, segura de si mesma. 

Aproveitando-se, novamente, da presença da menina, que tanto gostava de ouvir suas histórias, o corvo lembrou-se de um caso não muito recente, ocorrido nas proximidades daquela cidade. 

- É ótimo vê-la. O velho resmungão se recusa a ouvir minhas histórias, mas sempre me deixa vencer. 

- Tudo bem. O que quer nos contar hoje? - perguntou a menina, curiosa, o que deixou o coveiro deveras enraivecido, fazendo-o cravar a enxada no chão de modo brusco. 

- Bem... aproveitando o clima, vou contar um caso que tomei conhecimento já faz um certo tempo. Gerou muita repercussão. Tudo começou numa festa de Halloween... 

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                                                                 CARA-BORRADA

Mary era uma popular garota, cobiçada por muitos caras descolados da escola e invejada por muitas meninas nerds. No Halloween daquele ano, todos esperavam ser convidados para mais uma festa. Mary tinha o costume de dar festas em épocas especiais, nas quais, em sua maioria, incluíam-se bebedeiras, beijos acalorados e amassos picantes. Tudo o que qualquer jovem atual chama de "curtir a vida". Sua vida escolar estava estável, com boas notas e um status inabalável, principalmente na época em questão. Todos deveriam utilizar fantasias próprias, como se encarnassem personagens criados por eles mesmos. Os que não eram criativos o suficiente foram dispensados. Tal grupo rejeitado, composto somente por homens, se mostrou insatisfeito, não só pelo desdém de Mary mas também por não lhe terem oferecido um tempo para criarem seus personagens, já que a festa seria seis dias depois. 

A bela garota não quis saber de conversa. Tudo estava decidido. Nenhum deles entraria para a lista de convidados, pois não inventaram nomes e/ou designs de fantasias. Quando finalmente chegou o dia, praticamente todos os alunos do colégio participavam da festa. Todos com fantasias horripilantes e bem criativas. No relógio eram 19 horas. Mary penteava seus longos cabelos loiros, com sua fantasia posta na cama. Após o feito, foi vesti-la, mas algo interrompeu... um cartão branco foi encontrado na janela do seu quarto.

Não havia nada escrito, somente a figura de um rosto estranho. Ignorando e pensando ser uma brincadeira de algum colega seu, jogou-o no lixo. No entanto, ao voltar para frente do espelho, percebera que seu estojo de maquiagem não estava mais ali. Escavou em sua bolsa, procurou em todos os lugares do quarto... mas nada. Depois de finalmente estar pronta para brilhar na festa, Mary se divertiu um pouco ao lado de sua turma, despreocupada e sorridente.

Quando os ponteiros marcaram 21:40, algumas pessoas começavam a se retirar de modo que deixava Mary apreensiva. Tudo já estava uma completa bagunça. Mais convidados iam embora, à medida que os minutos passavam. De repente, ouviu-se um grito abafado vindo do andar de cima. Todos paralisaram de temor, e um onda de sussurros e comentários se fez. Mary, juntamente com alguns de seus amigos acompanhando-a, subiu as escadas aceleradamente para ver o que houve.

No corredor que levava ao sótão jazia o corpo de uma garota, completamente ensanguentado. O rosto da vítima estava pessimamente maquiado de branco, com as órbitas dos olhos pretas e a boca com batom vermelho meio borrado e que formava um sorriso. Quem poderia ter feito tal barbaridade? Era a questão que afligia muitos dos que ainda estavam presentes. Um cartão branco foi encontrado na mão da garota, com a mesma figura que Mary havia visto.

Duas horas depois, mais uma pessoa fora assassinada. Desta vez sendo um rapaz, membro do clube de futebol da escola. Com as mesmas características da vítima anterior. Rosto maquiado e um cartão na mão esquerda, tendo como única diferença um escrito, que dizia: "Eu estou entre vocês. Tentem me achar... se puderem."

O desespero subiu à cabeça de todos os presentes naquela casa. Mary se encostou numa parede, pondo as mãos na cabeça e com os olhos marejados. Um pesadelo acontecia para ela. A cada vinte minutos uma nova vítima surgia e mais cartões foram coletados. Porém, diferente do que foi encontrado na segunda vítima, os outros não tinham escritos. Restaram somente Mary e outras duas garotas. Dos 120 convidados, 51 morreram, outros permaneceram desaparecidos.

A polícia, claro, declarou o assassino como procurado, enquanto Mary alucinava de medo por temer ser a próxima vítima. Foram necessários 8 carros da perícia para conduzirem os cadáveres para o necrotério. Na madrugada, Mary trancou-se no quarto após a polícia deixar a casa. Chorava dramaticamente pela festa arruinada e por seus amigos mortos, abraçada ao travesseiro. Um novo cartão foi visto na janela por Mary, quando a mesma escutou um ruído estranho vindo do lado de fora da casa. Nele dizia: "Estou profundamente decepcionado. Tornaram a brincadeira tão sem-graça. Mas não significa que ela terminou. Eles vão continuar me procurando, e quanto à você... cheque o seu armário, nele está o meu presente de Halloween para você."

Mary correu em disparada para abrir o armário e ao mesmo tempo pensando "Que tipo de maníaco é você, seu filho da p***?". O que encontrara a fez vomitar instantaneamente, após um grito estarrecedor.

Era o corpo de um homem morto, vestindo um terno roxo e com o rosto maquiado.

                                                                    ***

Meses depois, o caso tornou-se uma lenda nas cidades próximas. Mary nunca mais foi vista, o que levantou a especulação de que ela estava morta, quando na verdade a mesma havia se refugiado em uma casa no campo, paralelamente dando curso à um tratamento psicológico. O homem encontrado em seu armário estava com luvas brancas sujas de sangue, o que logo implicou dizer que ele era o assassino da festa. Mary ligou o ocorrido com sua rejeição ao grupo de garotos que não foram convidados e muita coisa se esclareceu.

O serial killer ficou conhecido como "Cara-Borrada", que utilizava como modus operandi o estrangulamento profundo de suas vítimas, até que as veias jugulares estivessem danificadas. Uma questão: Como alguém seria tão forte a ponto de estrangular alguém até fazê-lo sangrar? Muitas teorias apontavam a influência de uma entidade sobrenatural, aliada ao assassino. Mas isto foi inventado depois que uma vítima descobriu um site estranho... o qual apenas mostrava o rosto maquiado do assassino em meio à uma tela branca. Poderia ser visto em qualquer resultado de pesquisa que contenha conteúdo pesado.

O que se seguiu foi especulado como um ritual pelos adoradores de lendas urbanas. A vítima desligava o computador, mas ainda poderia ver o rosto do serial killer no seu celular, se caso o fizesse. Em seguida, desligaria o celular e ia para a TV, onde também veria o rosto. Se caso a vítima abrisse a porta, sem conferir quem estava do outro lado pelo olho mágico, ela seria rapidamente morta com a visita do assassino à sua casa.

Com o aumento de casos dessa natureza, as teorias sobre o tal ritual cresceram.

Mas a polícia (com base no ocorrido na casa de Mary) e os teóricos de lendas urbanas tiveram como única certeza de que o título do assassino passa de pessoa para pessoa. Tornando, assim, a onda de assassinatos interminável. 


Nota da história: O conto acima explora a origem do personagem que apareceu na edição nº8 da série Nem Tudo É O Que Parece.

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