domingo, 14 de fevereiro de 2016

Nem tudo é o que parece #28


Sempre que passo por aquele corredor para ir até minha sala onde trabalho... já me pego sentindo vários arrepios, um mal-estar crescendo até me fazer imaginar coisas horríveis.

Aquele elevador não estava interditado por uma razão facilmente pensada, como um defeito nos cabos por exemplo.

Mas sim por uma tremenda fatalidade ocorrida alguns anos antes...

Muitos dos que conheço aqui já tentaram arriscar dar uma espiada para ver o interior dele. Outros já até o fizeram... mas o destino foi unicamente a morte dolorosa. Jamais vou me esquecer do dia em que aquele cara teve seu rosto completamente trucidado! O jeito como ele se contorcia... não, já chega de pensar nisso.

Jurei a mim mesmo manter sempre uma distância segura. Jurei também que somente escutaria aquelas vozes e gritos. 

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Sinto-me hipnotizado, inebriado por tamanha beleza...

Ela me faz feliz como nenhum outro ser neste planeta já me faz antes.

Bem, eu apenas quero dizer que nós dois iremos nos casar em breve... e em segredo.

Seu belo rosto branco como a neve, seus cabelos pretos e lisos. Aquele vestido branco também me fascina.

Eu sempre ignoro o reflexo do espelho... eu o odeio por isso. Ele tem o poder de transforma-la em uma completa aberração. 

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Havia finalmente recebido o relatório sobre as vítimas da tragédia ocorrida em uma via expressa.

No entanto, o policial afirmava, veementemente, que tinha um sobrevivente e que o mesmo tentou entrar em contato com ele...

Não fiquei surpreso... até que ele me disse o nome.

Constava no relatório que tal pessoa foi declarada como morta. 

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Fui educada muito rigorosamente, sempre orientada para ser gentil e civilizada.

Mas não consigo suportar, nem por um minuto, aquela vizinha tagarela.

Como meu pai é médico... peguei uma seringa com anestésico... algumas agulhas e linhas...

E pronto! Sem mais problemas! Ela já se calou. Acho que descobri meu talento oculto para costuras. 

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Fui ao hospital entregar algumas flores para minha esposa, ela estava internada e aquela seria a primeira de minhas visitas. Fui andando pelo corredor, preocupado com o estado alarmante dela. Ela sofria com distúrbios psicológicos, mas a maioria dos especialistas que consultamos alegavam, com certeza, que o principal seria a esquizofrenia.

Um pouco ao longe, vi um corre-corre de médicos, pareciam desesperados. Uma enfermeira veio até mim, bastante pálida.

- Onde fica a psiquiatria? - perguntei à ela.

- Senhor, por favor, sugiro que volte. Sei quem é. Sua esposa, no momento, não está em condições de receber visitas, nenhum dos pacientes!

Eu olhei para ela meio desconfiado. Ela tentou me impedir, mas consegui avançar até para onde aqueles médicos estavam indo. Eles desceram uma escada... que ia para um compartimento subterrâneo denominado "Hangar 969". Perguntei ao zelador o significado daquele nome, e ele me disse se tratava de algo extremamente sinistro e macabro, e também que era melhor não entrar pois não ia gostar do que iria ver. Obviamente que acreditei ser a ala psiquiátrica, embora fosse estranho ser bem abaixo do térreo.

Um grupo de seguranças vinha na minha direção para me colocar para fora. Eu tinha que entrar, é a minha esposa, ora! Desci a escada rapidamente e percorri o trajeto até a porta. Era pouco iluminado, mas deu para seguir. Quando abri a porta... meu corpo estacou na hora.

Um corredor sujo e fétido... nos dois lados haviam portas de quartos onde ouvia-se várias pessoas batendo, quebrando coisas e gritando intensamente.

E... além disso, também estava minha esposa... se contorcendo de fúria e sendo segurada por médicos. Eu teria ido até lá, ajuda-la... se ela não estivesse com aqueles olhos pretos! 


O FIM? 

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