terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Reclusão insustentável


O som do tremor não para de reverberar.

Sinto as mãos atadas, os olhos cansados e a cabeça sobrecarregada em um pesadelo do qual não consigo despertar ou controlar.

O mundo que antes eu pensei ter criado para pertencer somente à mim e para chamar de meu... está fadado às ruínas.

Os muros estremecem, ameaçando desabar sobre este corpo. Posso jurar que lutei o máximo que pude suportar. Resisti mais do que consigo imaginar. Tudo ainda se resume a um aglomerado de palavras presas na mente, algo que consegue suficientemente abater-me, ao passo em que vai definhando mais e mais. Os obstáculos tornaram-se esmagadores, implacáveis.

Minha voz mental está prestas a calar-se. Os sons estridentes a abafavam incansavelmente.

E os muros continuam a tremer...

Com toda a certeza, posso dizer que tentei. O risco foi válido, eu não merecia um lugar só meu, criado a partir do qual eu não consigo me estabelecer ou me enquadrar.

Uma guerra perdida, provada pela maldade do tempo. Luta que perdeu significado e razão. Um cansaço que vai entorpecendo gradualmente... até que tudo se dissolva: Memórias, ideias, utopias... e um infinidade de elementos que muitos tentam roubar-me ou destruir.

Quanto tempo resta até a extinção completa?

Mesmo que não faça falta a ninguém, não desejo que acabe. Mesmo que não sejas notado, não quero virar as costas.

Ainda assim, não sei por quanto tempo pode durar... essa instabilidade ou esta inútil fuga.

E os muros, por fim, desabam...

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