domingo, 3 de abril de 2016

Nem tudo é o que parece #32


Tenho que admitir: Foi a coisa mais bizarra e inexplicável que já aconteceu comigo!

Não quero que me ache um paranoico, como pensam meus pais e amigos. Eu realmente estava sendo perseguido por um desconhecido. Parecia estar por toda a casa, me tomando como alvo a todo instante.

Andei pelo corredor, exausto demais, resolvi ir para a cama e esquecer aquele dia. E como eu estava sozinho, minha tensão estava maior do que nunca. De repente, as luzes da casa apagaram-se abruptamente.

 Fiquei imerso nas trevas por cerca de 30 segundos, eu acho.

Quando a luz voltou, me vi do lado de fora da casa. Mas eu posso jurar que estive parado no mesmo ponto no corredor durante todo o tempo. 

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Havia terminado meus afazeres no trabalho um pouco tarde e costumeiramente eu voltava de ônibus para casa, mas acabei não conseguindo subir nele e naquele horário já não viria mais nenhum do meu bairro.

A solução foi o metrô, que estava meio lotado, mas consegui um assento onde pude descansar à vontade. Descanso este que me fez adormecer profundamente.

Acordei assustado com um baque ensurdecedor. Tremendo, olhei ao redor e o metrô estava às escuras, havia ocorrido uma pane na iluminação. Além disso, o metrô ganhara mais velocidade.

Mas... o estranho é que me senti solitário. Como se não houvesse mais nenhum passageiro além de mim.

Quando a pane se foi e as luzes se acenderam, corri para a porta de saída. Todos haviam sumido, inclusive o motorista. Senti como se os trilhos tivessem desaparecido.

Abri a porta e o que vi foi apenas o vazio escuro... e o metrô continuava seguindo. 

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04: 10: 55.

Estes três números em sequência jamais sairão de minha mente. Jamais vou conseguir uma explicação do porque eles sempre surgiam no meu cotidiano.

Eu sempre acordava e levantava neste exato horário.

Concluí as quatro primeiras séries do Primeiro Grau, sempre tirei dez nas provas e tive exatamente cinquenta e cinco amigos naquela época.

Tive quatro filhos, dez relacionamentos e cinquenta e cinco paradas cardíacas.

Tinha o mesmo sonho quatro vezes por mês e sempre acordava naquela mesma hora: 04:10:55.

Passei por quatro empregos, dez entrevistas de emprego e... bem, cinquenta e cinco mil era o salário do meu último trabalho.

Estes números sequenciados são a data do meu nascimento.

Lembro de ter tido uma nova parada cardíaca exatamente nesse horário, logo quando acordei. Dez reanimações e cinquenta e cinco pessoas estavam na fila de espera para o mesma UTI. Precisei ficar pelo menos até a madrugada do dia seguinte.

O médico havia declarado óbito... precisamente às 04:10:55. 

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Havia tido um sonho bastante sinistro.

Eu caminhava sozinha na rua, ainda estava à noite... pelo menos era o que parecia. Reparei em um relógio redondo sobre um poste de ferro, no qual marcava sete da manhã em ponto.

Em seguida, escutei os gritos apavorados de minha mãe correndo atrás de mim, me dizendo, sem parar, completamente desesperada, que o sol desapareceu. Perguntei porque e ela me respondeu, chorando, que já fazia duas semanas que não amanhecia.

Foi então que acordei.

Como julguei apenas como um sonho sem sentido, levantei e segui meu dia normalmente... pelo menos até ligar a TV pela manhã e ver no noticiário - sempre em tempo real - a seguinte frase:

"Inesperado eclipse solar intriga cientistas e sua duração promete ser mais lenta do que o normal."

A imagem mostrava uma mancha estranha começando a cobrir uma pequena parte do sol... e nitidamente não era algo comum! 


O FIM? 

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