Capuz Vermelho #41: "Vida longa ao Rei"


"É tempo de começar a acreditar na diferença sendo feita. Nada melhor do que começar a partir de si. O universo está me dizendo para ser algo melhor... ser algo maior." 

                                                                    Trecho do segundo diário de Rosie Campbell - Pág 01.

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                                                                   INÍCIO 4ª TEMPORADA

4 meses depois do semi-cataclismo 

Eu sou Mollock.

A sombra que vaga pelas trevas numa busca desenfreada pela luz que refulja meu ser a uma escala superior. Eu não sei quanto tempo exatamente mofei na prisão do meu próprio corpo. Pra mim pareceu uma eternidade. Só tinha a consciência como refúgio. E não bastava. Foi dolorosamente revoltante. O grande Cavaleiro da Noite Eterna, enaltecido no seu testamento, me traiu de uma forma que nem mesmo eu seria capaz de pensar em fazer com pior inimigo. Ou teria essa coragem e só estou dizendo isso por me sentir rebaixado? Como deixei de ser prisioneiro de mim mesmo ainda são? De qualquer forma, eu quero esquecer que vivi esse inferno interno. Não sei quem removeu aquele parasita terrível, mas, seja lá quem for... pela primeira vez eu acho que devo um agradecimento sincero. Será que o assassino de meu pai, o habilidoso caçador Hector Crannon, foi parte disso? Só há um jeito de descobrir. Aliás, já descobri o meio perfeito. Não acredito em acaso. Foi numa chuva torrencial. Me abriguei confortavelmente num casebre povoado de pequenos moradores que cabiam na palma da mão... acho que li a respeito em um livro, são chamados de insetos, formas de vida milenares, há inúmeras espécies no planeta. Alguém vivia lá. Uma mulher chamada Dora. Estranhamente, ela não se surpreendeu com minha forma deplorável. Será que eu ativei uma nova habilidade ao conseguir o meu prêmio? Convenço pessoas com um simples olhar entristecido enquanto falo sobre minhas dores e tormentas? Não importa. Tenho o que preciso para meu revival. A alcunha divina não me é permitida, mas nada impede que eu possa reinar sobre esta terra com meus recursos. Dora me ofereceu um cetro de prata com uma pedra transparente. E disse que com ambos conectados, eu deteria um poder tão avassalador quanto de um deus. Agora sei novamente quem sou. Sou uma alma errante buscando um propósito.

Eu sou Mollock.

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CAPÍTULO 41: VIDA LONGA AO REI

Londres - 17h10

Na movimentada periferia, um ser de porte altamente robusto vestindo um manto marrom claro e esfarrapado caminhava por entre feirantes e uma clientela volumosa em meio ao ar sereno do fim da tarde. Em sua mão direita segurava um objeto similar a um cetro, cuja ponta via-se uma joia que qualquer um poderia jurar ser feita de vidro. Chamando a atenção de uma grande parcela, o misterioso tinha seu rosto bem escondido. ´

Entrara em um beco pouco notável e bem estreito onde vira dois homens bêbados e risonhos.

- Aí depois ele disse: Não, tá tudo bem, pode deixar que dou conta desses idiotas! - disse um deles, um cara barbudo e calvo com roupas de lenhador. O outro, mais jovem, riu histericamente.

O parrudo, parado e observante, revelou-se. Seus olhos amarelos realçaram-se e seu focinho expirou um bafo quente.

- Pensei que terminaria o dia com as mãos abanando. - disse Mollock - Vocês agora me devem um grande favor, cavalheiros. - andou até eles. - Vamos compartilhar dessa sorte - apontou o cetro para o peito do careca até toca-lo - e uivarmos para a lua de hoje. - a pedra emitiu um brilho azulado, fazendo o homem contorcer-se aos gritos, deixando o companheiro nervoso. Depois fora vez dele.

A besta híbrida assistia com um sorriso as transformações bizarras que pelas sombras na luz do sol poente refletida na parede tornavam-se aterradoras.

"Nasçam... meus novos filhos."

                                                                                           ***

QG Alternativo do Exército Britânico 

O relógio era constantemente visto por Hector que, impaciente, esperava Rosie para a reunião. Telefonemas ali eram quase impossíveis pelos congestionamentos nas linhas.

No corredor, o caçador andava de um lado para o outro, ora conferindo a hora, ora olhando para a dobra do outro corredor por onde viria a mais nova integrante oficial da Legião.

Suspirou alto. "Tudo bem. Talvez eu deva esperar na sala.", pensou, andando ao recinto.

- Aonde pensa que vai? - perguntou Rosie, a voz assustando-o e fazendo-o se virar aliviado - Os agentes prioritários não devem entrar juntos?

O caçador sorriu.

- Já não era sem tempo. Achei que não teria como vir uniformizada.

- Eu nem estava dormindo, se imagina. - disse ela, franzindo o cenho - É minha primeira reunião oficial, não custa dar um desconto por uns segundinhos de atraso.

- Eu diria uns dez minutos. - disse Hector, andando com ela - Melhor nos apressarmos.

- Só uma grande pena Charlie estar fora. - lamentou Rosie - Pensando bem, na verdade ele sequer chegaria a ser recrutado e não importando o quanto ele é útil...

- O quanto ele poderia ser. - corrigiu Hector, rápido - Lembre-se que o maldito do Abamanu reduziu 95% do conhecimento de mago do tempo dele e parte disso era a manipulação dos selos que separaria a fusão de Mollock. Não sei... às vezes me pego pensando se Alexia previu isso e decidiu não contar já sabendo que o fato de ter sobrado pouco em Charlie manteria os Coletores afastados.

- E eles viveriam como um casal feliz, não como alvos. - complementou Rosie. - É, sem querer julgar a Alexia, mas... isso parece fazer sentido.

- Não abuse da vantagem do colar. - disse Hector, olhando para o pequeno objeto dourado - Use com sabedoria no momento certo.

- Údon já tinha dado as instruções no bilhete. - disse a jovem, relembrando o dia...

                                                                                     ***

Há 4 meses

No Casarão, cedo da manhã, as batidas na porta sobressaltaram Rosie que passava descalça pela sala de estar vestindo sua camisola branca que ia até suas torneadas coxas. A jovem correu para atender. O entregador sorriu educado. 

- É você a... - verificou o nome do destinatário na prancheta - ... Rosie Campbell? 

- Sim, eu mesma. - disse ela, focando no pacote - Por gentileza... pode me dizer quem enviou isso pra mim? 

- Um tal de Robert. - ele deu de ombros - Sem sobrenome. 

Pegando a encomenda, Rosie não demorou a perceber de quem se tratava. 

- Obrigada. - disse, após assinar no papel. 

- Tenha um bom dia. - disse o homem, despedindo-se. 

- Igualmente. 

Rasgando a média caixa de papelão, a jovem estava ávida de curiosidade. 

Retirou dali um fino cordão preto que prendia um objeto de formato inconfundível. "Não pode ser."

Baixou os olhos para algo mais: um papelzinho dobrado ao meio, pegando-o depois. 

"Sei o que pode estar pensando. Não, não é o amuleto de Yuga, não um daqueles que você usava para se comunicar com Áker. Isto é uma coisa melhor, mais poderosa e essencial para sua vida daqui em diante, Rosie. Trata-se do brasão de Yuga, o qual pode se transformar numa arma mortal conhecida como disco solar ou argola luminosa. Com a energia residual concentrada, só basta dizer: Apotheosis. É preciso toca-lo enquanto fala. Desculpe não poder dar mais notícias e sobre mais eu não quero dizer más notícias, ainda estou aqui... vivendo. Surrupiei o brasão da estátua de Yuga no Museu Mitológico onde foi aberto o portal para o Salão das Duas Verdades. Sim, a estátua existe e está lá sem este item de grande valor que agora é seu por direito. Quando desprendi-o, ele se miniaturizou espontaneamente. Ganhando este poder, você ganha uma responsabilidade. Não ia me despedir sem um presente. Boa sorte, fênix."

As palavras haviam deixado-a boquiaberta, conquanto maravilhada ao fitar o objeto reluzindo como ouro na palma de sua mão. "Obrigada, Údon. De coração.". 

                                                                                     ***

- Quais são os últimos dados, Derek? - perguntou General Holt, assumindo postura de comando em sua mesa de trabalho acompanhado de soldados e o trio legionário Adam, Lester e Êmina.

- Ao que tudo indica - disse Derek com um papel -, o tal monstro parece ter sido avistado há poucas horas em áreas não muito movimentadas. Aparentemente disfarçado. Do centro à periferia, ele não deixou rastros expressivos.

- Com base nisso, acreditamos que ele possa estar arquitetando algum plano. As testemunhas que entrevistamos ouviram gritos distantes, eram comerciantes. Não há evidências criminais, segundo a polícia. - disse Nick, um dos membros do DECASO.

Holt assentiu, sério.

- Ele tem passado bastante tempo rondando a capital. Demarcando território. Então é o mesmo monstro visto por Edgar nas Ruínas Cinzas há dois anos. - olhou para um soldado - Vamos encurrala-lo e confiar no elemento-surpresa. Movemos céu e terra para investir nesse projeto.

- Sei que não devia me meter... - disse Lester, pouco à vontade -... mas que negócio é esse? Que elemento-surpresa? Vão lançar um míssil de prata com cinzas de vampiro dentro?

- Sugeriu uma ideia interessante, Cooper. - disse Derek, o olhar estreitado - Porém inviável.

- Honestamente, é surpresa até pra mim. - disse Holt, sorrindo torto. - Vou estar acompanhado de longe, não quero perder nenhum segundo da prisão dessa besta homicida.

Hector e Rosie chegaram de supetão. A jovem encapuzada se desconfortou.

- Ah não... Cheguei tardem, não foi? - virou o rosto para a direita e o alívio veio - O quê? Êmina!? Adam!?

Hector e Adam apenas encararam-se rápido com semblantes duros.

- Estou sentindo uma treta... - cochichou Lester à Êmina que retribuiu-o com uma cotovelada leve.

- Rosie! - a caçadora sorriu abertamente e foi abraça-la. - Não faz ideia... da saudade que tive! Parece até que fiquei anos longe de vocês. - virou para Hector - E aí, Hector? - abraçou-o também.

- Olá, Êmina. Como está a cidade?

- Desde que minha falsa mãe psicopata teve o que mereceu, felizmente as coisas estão nos eixos.

- Campbell. - chamou Holt, severo. Rosie andou devagar à ele, como uma líder.

- Olha, desculpa pelo atraso, é que...

- Você deu sua palavra... e confiarei nela com orgulho. A Legião dos Caçadores agora representa a nação britânica como uma força de elite especial.

Ela nem esperava ouvir tais palavras da boca de alguém tão ferrenho quanto William BuckHolt.

Rosie sorrira, determinada.

- Obrigada.

- Rosie já era uma de nós há dois anos. - disse Adam, aproximando-se dela - É justo ela assumir a nova liderança. - Hector observou-o atento, sem sentir ciúmes. - Seja bem-vinda de volta.

- Obrigada... Adam. - disse ela, assentindo. - Digo o mesmo à você.

O entreolhar de ambos foi cortado pela ordem final do General.

- Muito bem. Preparem todos os pelotões. Sairemos em alguns minutos. - disse, andando com seus homens para fora da sala.

- Irão se dividir em duplas e se direcionarem ao centro. Seja lá o que ele tiver em mente, suspeitamos que deva ser classificado como Sigma. A retaguarda cuidará de por os panos frios. - disse Derek.

- E isso quer dizer...? - Lester quis saber.

- Toque de recolher estratégico. - respondeu o líder do DECASO, confiante. - Podem ir na frente.

- A gente se vê. - disse Êmina, indo - O cachorrão não perde por esperar. - Lester a seguiu junto de Rosie e Adam.

Como foi o último a sair antes dos demais integrantes da iniciativa, o caçador aproveitou para alcançar Adam para um breve papo.

- Adam... Será que tem um tempo? Tenho muito o que esclarecer, eu posso implorar de joelhos sem me cansar pelo fato de eu ainda considera-lo meu amigo. - o braço forte do grupo parou para amarrar o cadarço da bota direita, elevando a ansiedade em Hector. - Perder você... desse jeito... me fez odiar o lobo adormecido em mim. Eu o controlo. Vou provar pra você.

Adam levantou-se, inflexível no tom.

- Já falamos tudo que tinha pra ser dito. - disse, logo seguindo adiante. Hector fechou brevemente os olhos, atormentando-se com a dúvida.

                                                                                   ***

Grande Londres - 17h50

Um alarido formou-se instantaneamente pelas ruas da capital pelos gritos incessantes dos soldados do pelotão de divisão do Exército Britânico que estacionava seus carros e orientava as pessoas a seguirem a abrigos sem desespera-las tanto.

- Atenção, atenção! - gritou um soldado num carro em movimento por um megafone - Aloquem-se em refúgios seguros ou sigam as instruções da nossa brigada de resgate! Alerta de bombardeio aéreo alemão! Eu repito: Alerta de bombardeio aéreo alemão! Ninguém poderá sair antes da meia-noite! Daremos um sinal e faremos transmissão via rádio!

Na beirada de um prédio com gárgulas dantescas, Mollock apreciava soberbamente o espetáculo de aflição pura, seu manto esvoaçando lateralmente. O som estridente da buzina-alerta estava abafado daquela altura.

- Já podem começar, suas feras desajustadas. - ordenou ele. Em um ponto próximo, duas quimeras de aspecto felino - dois leões parrudos - surgiram perseguindo um pequeno grupo de pessoas. Ao alcançá-las, ambas cravaram suas garras seguido dos gritos das vítimas. Numa parede respingou-se sangue fresco.

                                                                                   ***

O arsenal de armas estava pronto para descarregamento total, sendo retirados por um grupo de caçadores da iniciativa e alguns soldados próximos a um carro militar.

Num ponto relativamente distante, os membros da Legião foram alertados por um deles.

- É exatamente isso que disseram. Mas a questão é: E se não for apenas um? - um outro soldado veio cochichar no ouvido do colega e logo se foi correndo.

- O que foi dessa vez? - perguntou Adam, munido de um fuzil com alça diagonal.

- Alegações de monstros de aspecto animal atacando brutalmente as pessoas. - disse ele, tenso - Parecem estar se proliferando em todos os perímetros.

- O que implica especular que Mollock pode ter desbloqueado novas habilidades. - teorizou Hector.

- Ei, você é um agente prioritário. Não devia estar com armas?

- Tudo bem, deixa ele. - disse Adam, surpreendendo o caçador - Ele tem atributos melhores.

O comentário soou intrigante para todos, inclusive Rosie que suspirou baixo um pouco incomodada.

- Gente, o Hector pode estar certo. - disse Êmina, com suas luvas alquímicas. - O organismo do Mollock é uma fábrica ambulante de novos poderes, não ia ser surpresa vindo de uma fusão.

- Na verdade, a fonte dos poderes vem do sangue de demônios. - complementou Hector - Pode ter invocado mais e bebido do sangue deles, o que significa que seu contato com a magia foi aprofundado nesses últimos meses.

                                                                                    ***
"Vamos definir as posições: Cooper ficará de tocaia no prédio da rua 1522. Será nosso atirador oculto. Se avistar qualquer um deles, dispare sem hesitar."

Lester estava na beirada do prédio armado com sua AK-47 com mira telescópica e carregada com balas de prata. O cano da arma apontava para diretamente à larga avenida.

"Flower e Bolton: Se dirijam ao leste. Campbell e Crannon vão para o oeste. O resto de nós ficará nas entradas para impedir que cruzem a fronteira." 

Hector fora com Rosie, mas olhou para trás ao ver Adam manter sua compostura inflexível.

- Hector! - chamou ela - É hora de agirmos como uma equipe. Vocês dois... só precisam de um tempo. Ele vai colar todos os cacos, acredite.

O caçador assentiu, concordante.

- Está bem. Vamos, depressa.

No meio do caminho, ambos se depararam, em um beco, com algo estarrecedor.

- Parece que já estamos na teia. - disse Hector, olhando atento.

- Vamos seguir os rastros. - decidiu Rosie, assentindo.

O achado nada mais era que um corpo retalhado e ensaguentado preso ao que parecia ser uma mão de concreto brotada da terra.

                                                                                  ***

Londres - 18h05

No horizonte via-se apenas uma listra meio pálida prestes a ser apagada pelo céu azul-marinho do pré-noite. A lua cheia já ficava mais clara. Mollock, seguido por um grupo de criaturas bizarras metamorfoseadas, encaminhava-se à prefeitura em um andar seguro pelo piso de concreto quadriculado no centro da cidade.

- O próximo passo de uma nova era. - disse ele, baixando devagar o cetro ao chão e o batendo a poucos centímetros. A pedra reluziu em azul forte. O palácio da prefeitura, fechado indeterminadamente em virtude dos conflitos armados, fora envolvido por uma redoma de pedra em poucos segundos. Em outros pontos da zona, alguns outros tiveram o mesmo fim. Em um deles soldados do exército tentaram correr em salvação, mas fora "engolidos" pela redoma, engolfados pela escuridão.

O azul da pedra filosofal converteu-se em vermelho e uma abertura foi feita na redoma como entrada ao novo palácio do rei em ascensão Mollock.

Ouvindo uma cacofonia de tiros e gritos por todos os lados, Mollock bradou aos seus súditos.

- Eu os convido a experimentarem os novos tempos que estão por vir!

                                                                                   ***

Londres - 18h20 

A corrida de Rosie para escapar de uma horda de quimeras alquímicas estava praticamente no limite.

A jovem avistou Êmina correndo e usando sua alquimia para barrar mais outras três que vinham no seu encalço criando paredes para prende-las, as mesmas se revoltavam para tentarem sair.

- Êmina! - chamou ela, balançando sua mão direita erguida.

- Rosie... - a caçadora viera correndo - Cadê o Hector?

- Eu sugeri... - olhou para trás, arfando - ... que eu chegasse à Mollock primeiro. O real elemento-surpresa é isso aqui. - exibiu o brasão de Yuga. - Vai ser tudo ou nada contra aquele desgraçado.

- Sei que nem há tempo pra explicar. - disse Êmina, encarando o exército quimérico - Você os atraiu como uma boa toureira.

- Isso é mais uma piada sobre meu manto? - indagou Rosie, franzindo o cenho.

- Admite, é meio engraçado. - disse ela, baixando suas mãos ao chão e executando alquimia. Uma imensa barreira de pedra emergiu da terra, fazendo muitas irem de encontro com ela.

Noutro ponto, Hector, transformado, pegava uma pelo pescoço - esta sendo uma amálgama de javali com pintas de uma onça por todo o corpo e uma cauda de réptil - e arremessara-a contra uma parede de residência. Adam atirava com duas pistolas de alto calibre em várias que se avizinhavam, andando para trás e ignorando a presença do ex-amigo... ou pelo menos tentando.

- Adam! Em cima de você! - alertou Hector. Uma quimera felina pulara de um telhado para pega-lo.

O braço forte da equipe olhou rápido à direção por reflexo e mirou a pistola na mão direita. Só ouviu-se apenas "clicks". "Merda!"

Supervelozmente, Hector a pegara com um pulo alto antes que as garras encostassem no companheiro, derrubando-a de imediato. Ao subjuga-la o "guepardo humanoide" por trás, aproveitou para quebrar violentamente seu pescoço com as duas mãos. O inimigo sucumbiu duro ao chão.

O caçador robusto percebeu na hora uma outra da mesma "espécie" vindo ao ataque à Hector. Depois que o fez não entendeu porque fez. Hector ouviu um tiro atrás, voltando ao normal e virando-se.

Uma quimera, à poucos metros dele, estava caída baleada na cabeça, o sangue esparramando.

A outra pistola que Adam possuía tinha só uma bala restando. Do cano saía uma fumaça leve.

- Não baixe a guarda. - disse ele, andando a sair - E não me agradeça.

- Adam, por favor. - insistiu Hector, seguindo-o - Até quando... Até quando as coisas vão permanecer assim entre nós? Se ainda está rancoroso então por que voltou?

- Finalmente uma boa pergunta. - disse Adam, virando-se - Voltei para extravasar. Voltei por que é o Mollock e no fundo já esperava, era óbvio que quando se livrassem do Abamanu ele ia aprontar uma das suas. Não quero falar sobre nós, Hector. Não quero você me provando nada. Já era.

- Não devia falar desse jeito. - retrucou Hector.

- E eu devia falar o quê? O que você quer ouvir?

- Falar a verdade que você está negando.

- Que verdade?

- Que ainda podemos ser fortes juntos. - chegou perto dele - Que ainda podemos ser amigos e enterrar essa raiva. Sermos como antes.

- Mas esse é o problema. - disse Adam, desconsolado - Nada será como antes.

- Ei, vocês! - gritou Êmina - Melhor deixarem pra lavar a roupa suja quando tudo isso acabar.

- Não esquenta. A lavanderia tá fechada pra reformas. - disse Adam, tornando a ir por uma direção sozinho, recarregando suas armas.

- Dá um tempo pra ele. - aconselhou Êmina à Hector - Um dia ele supera.

Enquanto isso, na rua 1522, a mira de Lester detectou a presença de uma quimera zanzando os arredores - um "porco-espinho". Apertou o gatilho, acertando em cheio.

- Strike 1! - comemorou ele. No entanto, escutou rosnado por atrás. - Se for o que penso... - virou o rosto - Cacetada...

Ele se levantou depressa, atirando em cada uma das quimeras que iria pega-lo desprevenido.

- Pra trás! Pra trás! Aqui é Lester Silston Cooper, miseráveis! Já encarei um deus, vocês não são nada pra mim!

Ao ver uma adaga acertando a cabeça da última quimera de pé, ele mudara de expressão.

- O Hector me disse que você atirou na minha cabeça uma vez. - disse Rosie no terraço, estonteante.

- Era pra ser um teste. E já que perguntou... Você sentiu enquanto era a co-piloto do seu corpo?

- Minha alma estava anestesiada. - disse ela, ficando próxima dele - Não vou te acusar, eu teria feito o mesmo se estivesse num outro corpo. - ela sorriu - Mandou bem... Silston.

O caçador dera uma risadinha.

- Até então a única pessoa que citava meu nome do meio era minha mãe. Mas voltando a missão... A gente vai junto ou se separa?

- Melhor irmos separados. Não diga pra nenhum soldado o que vou te falar agora. - disse ela, tocando no ombro dele - Pretendo enfrentar Mollock sozinha.

- Vai usar o presentinho do barba cinza?

- Vou contar com a sorte. - disse ela, olhando para o artefato - Ele não me deu isto por ter fé nesse poder... mas para que eu tivesse essa fé... em mim mesma. Eu só quero e preciso tentar com todas as minhas forças. - em seguida os dois assistiram cerca de quatro aviões de caça sobrevoarem a área numa direção específica. - Estão carregando mísseis. Mas Mollock detém uma arma que supera qualquer poderio bélico.

Lester sacou seu binóculo.

- Eles foram para o leste... - depois constatou ao ver um domo de pedra enorme em meio aos dois fachos de luz que verticalizavam ao céu e moviam-se de um lado para o outro. Aquilo só pertencia a um único lugar. - Se estão indo pra lá, então alguém chegou antes e avisou. - baixou o binóculo - É a prefeitura. Melhor apressar as canelas antes que... - ao se virar não viu mais Rosie por perto, ficando a olhar para os lados, sem entender. - Ué...

                                                                                   ***

Antes que pudesse entrar no que chamaria de novo palácio, Mollock e seu grupo de privilegiados fora surpreendido por ataques dos aviões que atiravam contra o chão para fins de intimidação. As aeronaves faziam manobras, rodeando a zona.

Um míssil foi disparado, atingindo perto da domo e causando forte explosão que fez voar dois carros.

Outro míssil. Desta vez impactando outro lado da estrutura.

- Insolentes... Desavisados... e, especialmente, condenados! - declarou Mollock, irritadiço, batendo o centro no chão. A pedra brilhou em vermelho e um pulso de energia subiu vorazmente contra os aviões que foram repelidos e, depois, explodidos simultaneamente, alguns colidindo uns nos outros. - Que isso tenha servido de lição para que nenhum a mais venha a interferir.

Uma saraivada de tiros abateu contra as quimeras que caíam de uma em uma.

- Apareçam!

Dois soldados irromperam de carros, portando metralhadoras.

- Primeiro abaixe sua arma! - ordenou um deles. - Obedeça ou terá o mesmo fim!

- Eu creio que não. - disse Mollock, executando mais alquimia. A pedra tornou-se azul.

Da terra brotaram rastros alquímicos que envolveram ambos como serpentes de concreto, alçando-os a uma certa altura. Mollock riu escarniante.

- Não me compadeço dos mortos e feridos, eles são apenas minha ferramenta de amaciamento do ego. Enquanto novos favoritados não aparecem, vou me divertir um pouco com essa criatura peculiar e engraçada que é o ser humano. - apontou o cetro, as "serpentes" apertando mais os corpos que pediam socorro.

Um som de passos firmes foi ouvido, fazendo-o olhar por cima do ombro esquerdo.

- Você... Não acredito.

- Deve ter ganhado muitas habilidades novas. Será que hipnose é uma delas? - perguntou Rosie, auto-confiante.

- Eu diria que sim, mas não sei bem ao certo. - respondeu Mollock. - Há quanto tempo... criança.

- Se acha que pode, então porque não se candidata a prefeito? É um caminho bem menos destrutivo. Aposto que teria muitos eleitores e não são muitos adversários que precisam de hipnose.

- Chega uma hora que a discrição vira acovardamento. - retrucou ele. - O que espera conseguir vindo até aqui desarmada? Não que possa me derrotar com suas armas.

- Eu vi o que fez com os aviões, não sou tão estúpida. - disse ela, tocando no amuleto com toda sua fé - Confio no meu potencial. - fechou os olhos, aproximando o brasão à boca. "Espero que funcione." - Apotheosis.

Os cabelos de Rosie adquiriram um tom loiro dourado e seu corpo foi envolto de uma luz amarela.

- Então é isso?! Interessante. - disse Mollock, intrigado.

- Chega de conversa fiada. Liberte eles. Isso passa a ser entre mim e você!

Mollock erguera o cetro, a pedra ficando vermelha, desfazendo os rastros. O soldados caíram.

- Fui generoso porque estou ansioso para sentir um gostinho desse seu poder que transborda.

- Ah, você vai sentir.

Atacando primeiro, Mollock lançara rastros alquímicos da terra contra a jovem que defendeu-se lançando chamas, pulverizando-os. Em seguida, ela ativara seu disco solar, preso ao seu cinto e o arremessara. A arma reluzente atingiu o peito de Mollock fortemente, fazendo o cetro sair de seu poder, enfim impactando contra uma parede. Ambos olham para o cetro como se dissessem um ao outro "Eu vou pegar primeiro!".

Porém, Mollock testara sua adaptatividade ao objeto erguendo uma mão. Nada mais espontâneo que o cetro voar até ele. A fera híbrida removeu a pedra, largando o cetro.

- Eu lembro de sentir isso nas Ruínas Cinzas. Sinto como se fosse há milhares de anos. Acho que sei como nivelar contra ele. - olhou para a pedra, logo enfiando no seu peitoral, absorvendo-a.

Rosie encarou incrédula, o disco solar voltando à sua mão como um chakram.

Um jogo de luzes vermelha e azul em alta velocidade refulgiu em Mollock que rugiu pelo alto poder que carregava dentro de si, logo batendo com os punhos ao chão. Um tremor veio seguido de um pulso de energia alquímica com raios ainda mais poderoso e avassalador, este na cor vermelha. Rosie protegeu-se com os dois braços e olhos fechados, a energia atravessando-a.

- Tornei nossa luta isolada. - disse Mollock, andando com veias saltadas no corpo todo. - Essa onda de energia se limitou apenas nesta área e criou uma fronteira. Quem atravessa-la será transformado.

- Boa jogada. - disse Rosie. Em supervelocidade, ela avançou contra ele e ambos lutavam entre socos, chutes e esquivas.

Alguns metros dali, Hector chegara correndo e avistara Rosie brilhando em dourado.

- Rosie! - ele andara mais um passo com a mão esticada. Porém, a viu modificar-se como se estivesse transformando em um grande lobisomem. Assustado, recuara vários passos... e a mão voltara ao normal. Dali compreendeu, já que foi atraído pelo pulso de energia e preocupou-se.

Tanques e carros militares chegavam. O caçador se prontificou, erguendo alto os braços.

- Não ultrapassem! Mollock criou uma espécie de fronteira alquímica! Vejam! - esticou seu braço ao ponto-limite. Vários arquejos de pânicos ao verem o braço de Hector transformar-se. - É melhor ficarem onde estão.

Um dos soldados falou no rádio.

- Goldsman falando! Código vermelho: É hora do trunfo! Tragam reforços imediatamente!

Enquanto isso, Mollock, os olhos e veias brilhando em azul, materializava bolas de aço a partir do concreto e lançava-as contra Rosie que derretia todas com seu alto calor emanado.

Um dos soldados vitimados por ele sacou uma arma e atirou. Rosie percebera, preocupada. Mollock, pro sua vez, converteu seu brilho em vermelho e o decompôs subatomicamente apenas com uma mão e a distância.

- Não! - gritou Rosie, unindo as mãos e tentando criar uma esfera energética - Vamos ver quem tem a melhor sorte de absorção. - uma corrente de vento formou-se, fazendo papéis voarem. A jovem atraía descargas elétricas de várias direções, o que ocasionou numa pane geral.

Lester, ainda no prédio da 1522, assistiu o apagão tomar conta da cidade.

Mollock grunhia intensamente, não suportando o poder, o que causou um desequilíbrio de materializar e destruir em segundos, com destaque para os espinhos de concreto que subiam e desciam de vários pontos. Ele gritou alto, ajoelhando-se com as mãos na cabeça.

Com a esfera de energia soalr pronta, Rosie recuou as mãos para a direita com os dedos dobrados e enfim disparou.

O ataque arrastara Mollock a ponto de quebrar o concreto até colidir numa parede e gerar uma explosão. Antes que ele se levantasse dos escombros, Rosie tirou um destroço de cima do seu peito e enfiara sua mão para tirar a pedra. Ao fundo, um incêndio destruía.

- Você nunca devia brincar com coisas que não entende. - disse ela, segurando a pedra suja de sangue - Então essa é a verdadeira pedra filosofal...

De repente, Êmina apareceu ao lado dela apontando o cetro para o pescoço de Mollock.

- Êmina... Ah sim, entendi. Mollock perdeu sua conexão com a pedra, por isso a fronteira foi desfeita.

- E todas as vítimas voltaram ao normal. - complementou ela. - A propósito, gostei do cabelo. Agora você cachorrão. Desembucha. Onde e com quem conseguiu a pedra filosofal?

- Lembro de você, menina. Me atirou com aquele míssil. - disse Mollock, enfraquecido devido ao imenso poder que o desgastou - Esta é a pedra definitiva. Criada por Dora, uma alquimista profissional. Nos conhecemos por acaso.

- Não conheço ninguém com esse nome na AA. - disse Êmina, desconfiada. - Vou investigar. Vambora, Rosie.

Ambas saíram sentindo-se vitoriosas. Contudo, Mollock só havia ganhado tempo para reaver um pouco da disposição perdida. Ergueu o corpo ao sentar, abrindo a sua boca deixando que uma rajada de fogo saísse dela diretamente às duas. Êmina, sem demora, virou-se e alquimicamente gerou uma barreira pedregosa do chão. Rosie voltara ao estado natural, inesperadamente. "Agora sei porque não tem uma palavra mágica pra desativar. É tempo limitado.".

- Tá tudo bem? - perguntou Êmina. Rosie fez que sim com a cabeça e fez resumo sobre o bilhete de Údon enquanto Mollock aproximava-se cambaleante. 

- Não sinto mais a energia divina da garota de capuz! O que significa que estão em desvantagem! Com ou sem a pedra, destruirei todos que se opuserem!

Êmina olhou para a amiga.

- Plano B? Se eu tentar segura-lo por muito tempo, as luvas ficarão gastas.

- Não podemos fugir, a menos que...

Um grande avião sobrevoante interrompeu a fala dela. Desceram dele quatro pesados retângulos metálicos que caíram em cerco fechado à Mollock. As linhas no interior deles lançaram raios azuis que paralisaram todos os movimentos do híbrido e o torturando ao mesmo tempo.

- Deixa pra lá. - disse Êmina, feliz ao ver a condição do inimigo. - Eles nos pouparam.

- É a tecnologia que chamaram de trunfo?! Até que caiu bem. - disse Rosie, as mãos na cintura, respirando um ar de missão cumprida.

Pelas faíscas elétricas, Mollock fitava-a com cólera. "Isso está longe de terminar! Reinarei sobre esta terra nem que pra isso eu deva seguir os passos de meu antigo parasita!".

                                                                                   ***

QG Alternativo do Exército Britânico - Área de contenção 

O acender súbito das luzes fizera Mollock grunhir em incômodo em sua cela com aço reforçado. Uma porta de correr, do mesmo material, foi aberta e, para o seu espanto, alguém veio visita-lo.

Pela proteção de vidro, Hector encarava a fera com seriedade implacável.

- A quem devo a honra dessa ilustre visita? - perguntou Mollock, sarcasticamente.

- É a primeira e a última. Talvez queira saber como fui permitido a entrar. Só posso dizer que os últimos 6 meses fizeram bem aos General, digamos que ele está mais... empático. Quis o seu lugar no mundo, nós demos.

- Meu lugar é num trono vendo sua espécie sucumbir! - vociferou ele.

- Agora está falando como ele. - disse Hector, sorrindo de canto - Duas metades de um todo.

- Não diga tolices, seu insolente. - retrucou, aproximando-se - O que você quer de mim agora que estou neutralizado... por enquanto?

- Vamos ser recíprocos: Um diz o que o outro deseja tanto saber. Concorda?

- Justo. Então diga-me: Como o arrancaram de mim?

- Um ritual para abrir o portal à uma dimensão fora do tempo e espaço mais um exorcismo divino. E não foi apenas com você. Sua vez. De onde veio a pessoa com quem obteve a pedra filosofal?

- Dora conseguiu o cetro em um leilão há 6 meses. - revelou Mollock, fazendo Hector repentinamente lembrar de um comentário de Alexia sobre uma certa compradora que passaria batido por qualquer um. - Ela é só um mero peão num jogo muito maior. O mago do tempo sentiu... as distorções intensas com aquela bola de fogo nos céus? Imagino que sim. Até eu senti. E sabe porque? - se inclinou pra frente - Minha metade mais forte respondeu automaticamente ao que senti serem fendas.

- Que tipo de fendas?

- Do tipo que abrem portas que deixam entrar coisas como que aquela sua amiga bruxa libertou.

Hector sentira o sangue gelar.

- Está falando... do Tártaro?! Foi tão profundo a esse ponto?

- Foi o máximo que chegou, mas ainda assim um grande problema pra vocês. Dora se aliou a uma fraternidade oculta, no sentido mais obscuro da palavra, chamada Caosfera e que passará a agir em favor de uma libertação de grandes proporções agora que todas as portas foram escancaradas. Daqui em diante, eu serei o menor dos seus problemas... O que Dora fez parecer tão grave... até reaviva minhas esperanças de sair daqui como ajudante improvável.

O caçador o encarou com fúria.

- É o que veremos. Rosie e eu estaremos preparados. - dera as costas - Obrigado pela cooperação.

- Ouça, caçador repugnante! Vai precisar de mim, aconteça o que acontecer! E quando terminarmos, eu irei destruí-los, todos vocês serão esmagados! - gritara Mollock, colérico.

Sorrindo despreocupadamente, Hector parecia estar com sua sede por vingança amenizada.

Mollock bateu forte contra o vidro em fúria ao vê-lo sair. Em um segundo, sua mente fora invadida por imagens sequenciais aterrorizantes que fizeram rodopiar pela cela como se estivesse em um surto psicogênico. As visões tenebrosas resumiam-se a raios vermelhos em um céu sombrio como fundo para o que aparentava ser uma cadeia de esferas metálicas presas por correntes umas à outras.

Mais importante: Um ser macabro e de rosto franzido numa escuridão olhando por cima de seu ombro direito com seus olhos fumegantes.

- O que diabos significa isso? - perguntou-se ele, socando a dura parede e suando com a outra mão na cabeça. - Será possível... - a ficha caíra - Esse é o lugar. - seus joelhos cederam e o amarelo dos olhos deu lugar ao vermelho vivo enquanto erguia a cabeça - Meu grande soberano.


                                                                                    CONTINUA...


*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://portal-dos-mitos.blogspot.com.br/2013/02/lobisomem.html


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