domingo, 22 de fevereiro de 2015

Nem tudo é o que parece #10


Em um fim de semana, minha filha e eu fomos dar um passeio por uma floresta bastante próxima de nosso bairro. Na intenção de afugenta-la da mesmice constante, pensamos em fazer algo diferente e eu dei à ela a liberdade de escolher o lugar. Já era começo de noite, e a escuridão ascendente não nos intimidava muito. Eu a observava brincar nas árvores, no entanto, acabei me distraindo aos poucos com uns vaga-lumes, o que fez-me perde-la de vista rapidamente.

Desesperada, corri para procura-la a toda velocidade, olhando para todos os lados. Até que vi sua silhueta em uma árvore. Finalmente a encontrei. Ela correu até mim alegremente segurando algo que parecia ser um boneco.

- Mamãe, olha! Encontrei um duende! - disse ela, mostrando-me o tal boneco.

- Filha, vamos pra casa. Já tá tarde, não quero que se perca de novo.

Já em casa, quando a pus para dormir, lhe contei uma história. Apaguei a luz do abajur e logo me deparei com aquele boneco-duende no criado-mudo. Não entendi o porque dela se entusiasmar com um brinquedo tão horrendo.

Olhei com desprezo para aquele boneco asqueroso antes de sair do quarto.

No entanto, assim que virei as costas, pude ver uma mão verde agarrar meu braço. 

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Houve uma época em que nossa pequena Emily ansiava por uma irmãzinha, da qual pudesse compartilhar suas experiências e bens materiais. Sem pestanejar, ela logo nos sugeriu para adotar uma criança. Minha esposa e eu sempre respondíamos que ainda era cedo demais e que ainda estávamos pensando no caso.

Passaram-se algumas semanas, até que, em uma manhã, estávamos na mesa tomando café, até que ela fez uma estranha revelação, quebrando o silêncio.

- Eu consegui uma irmã!

- O quê? Como assim, filha? - perguntou eu.

- Muito obrigada por terem adotado ela. Sempre ficamos juntas no quarto todas as noites. Ah, ela se chama Vivian.

Nós dois nos entreolhamos assustados com aquilo.

Vivian era uma de suas primas que morreu há dois anos. 

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Havia convidado um amigo para participar de um grupo para assistir o jogo daquele dia. Enquanto o restante não vinha, ficamos jogando vídeo-game para meio que adentrar no clima.

Em dado momento, ele começou a se queixar de um cheiro forte e podre. Respondi afirmando que era o vizinho mal-educado jogando lixo no quintal. Até que ele foi até a cozinha, mas parecia ir ao banheiro.

Enquanto ele estava no banheiro, eu, furtivamente, fui conferir a geladeira, mais precisamente no congelador.

Ainda bem... os braços, pernas, mãos e a cabeça estavam intactos para o jantar. 

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Como eu adoro meu gato! Recentemente o coitado havia desaparecido, e após duas semanas o encontrei na porta completamente sujo de terra, além dos machucados extremos. Mais um acidente.

Já o levei ao veterinário 4 vezes, pois os últimos acidentes foram fatais. Sempre aparecendo para mim, coberto de terra e surrado.

Não sei não... acho que passarei a cuidar melhor dele e evitar os próximos 3 acidentes. A história das 7 vidas é mesmo verdade. 

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Ultimamente tenho acordado no meio da noite, sempre escutando gritos de "Socorro, me tirem daqui, me tirem daqui!".

Já olhei pela janela, nada. Saí de casa olhando para a rua para detectar o origem do som. Também nada.

Somente depois de umas 15 noites é que fui perceber que a voz vinha do espelho do meu quarto. 

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No bairro onde vivo ainda correm boatos de um suposto assassino em massa, que utiliza como arma uma tesoura. Saio pelas ruas e vejo cartazes avisando às pessoas para que se mantenham em suas casas. Meus pais também já me avisaram sobre o tal maníaco, sempre em tom de preocupação quando eu saía para a faculdade.

Bem, eu me mostrava temeroso com a questão de ser uma possível vítima. Pra falar a verdade, não entendia esse medo das pessoas. Fui me encorajando mais e passei a afirmar que a polícia logo mais o pegaria, sem problemas. Poderia ser pior. Uma gangue de serial killers contratados por mafiosos, por exemplo, certamente seria muito pior.

No jornal, constava que o número de vítimas crescia vertiginosamente.

Enfim, somente para esquecer essa confusão no bairro, chamarei uma amiga para vir na minha casa para nos entretermos com coisas interessantes...

Como, por exemplo, a minha coleção de tesouras. 


FIM... por enquanto! 

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