quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Meu cemitério


Reduzindo uma gama de sentimentos e pensamentos a um denso turbilhão de trevas, encontro a porta novamente escancarada. Anjos e demônios travam uma guerra perdida em meu âmago, tendo meu ser como prêmio em uma disputa acirrada e que subsiste desde às tenras épocas.

Eis que um terceiro participante decide intervir no confronto. Um novo adversário? Não. É apenas a interveniente mais fria, neutra e eficaz, balançando sua hipnotizante foice, carregando seu disforme espectro, estando pronta para realizar mais um de seus trabalhos.

Carregue-me morte! Mas, se me permite, devo pedir, antes de mais nada, que me conceda um último desejo.

Você quer testemunhar o fim desta guerra tanto quanto eu. Quer livrar-me desta matéria deteriorada, imperfeita e desprovida de qualquer dignidade ou valor.

Deixe-me eu apanhar os últimos restos de meus profundos sonhos mortos e os enterrar no solo mais úmido e frio que existe.

Traga-me para o livramento eterno, fazendo-me unir aos meus valiosos tesouros enquanto ainda restarem seus últimos suspiros e auras. Joga-los e mante-los em abismos silenciosos, juntamente com as almas gritantes e encarniçadas do mundo que desconheço. Como uma perpétua coleção fúnebre e efêmera.

Somente encontrarei a prova na tua lâmina...

E a resposta a sete palmos abaixo da terra.

2 comentários:

  1. Me lembrou bastante o texto "Pandemônio" de meu blog. Embora antigo. Enfim, gostei muito. A sua capacidade de transformar dor em poesia é admirável.

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    1. Já que mencionou, vou tratar de rele-lo, pode ser que eu veja algumas similaridades entre ambos os textos, para mim é sempre agradável ver que partilhamos ideias em comum para descarregar uma dor em palavras e abordagens distintas, ainda que o objetivo seja o mesmo.
      Muito obrigado pelo comentário e elogio, este texto surgiu em um momento no qual eu realmente, precisava extravasar minhas reações quanto aos dissabores da vida.

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