segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Diário de Vicky Hattori - A Origem da Violinista Mascarada (Parte 13)


13º DIA - QUASE NO LIMITE

08/07/2014

Finalmente criei coragem para abrir aquele maldito envelope. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo... Sei que eu já devia estar acostumada, mas está me definhando dia após dia, hora após hora. Sinto falta de ver o mundo com mais cor. Não sinto a alegria das pessoas quando vejo-as sorrir. Tudo tem sabor de carne putrificada, os odores são os piores imagináveis (ou não) e tudo que é tocado por mim apodrece rapidamente. Talvez eu nem possa abraçar meus pais, meus amigos ou beijar. Sobre o envelope... tinha algo pequeno, quadrado, em relevo, não era um folha de papel ofício. Uma fita. Daquelas bem anos 90. A nota musical - marca registrada do Maestro - obviamente indicava que se tratava de uma música e não de uma gravação confessional como imaginei.

Dobrado na caixa da fita estava um bilhete. Ainda que hesitante, o li. "A Sinfonia Mortal", era o que estava escrito. O quê? O Maestro de repente pirou de vez e resolveu me apresentar uma composição sua? Não tive tempo de ouvir, cuidei de algumas obrigações da faculdade. O pior vem a seguir: Minha mãe passou a falar bastante da Aiko desde o dia em que eu trouxe aquela foto. Foto esta que, misteriosamente, estava em poder de John - ainda vou tirar satisfações com ele sobre. Suspeito que ela pode estar se comunicando com a Aiko secretamente. Ela não tem mais demonstrado luto, isso deixa algumas coisas bem claras! Então imaginei a seguinte possibilidade: Se Aiko pode estar no meu encalço, significa faltar pouco para nós duas ficarmos frente à frente. Usaram o Sacrifitorum para me ligar à ela, por isso quando estava sozinha já sentia algo próximo à mim, apenas não sabia o que era. Por exemplo, quando olho para minha sombra, não sinto que é a minha própria sombra.

Amanhã mesmo farei a denúncia anônima prometida. Quero acabar com essa história de uma vez por todas, mesmo encarando o fato de que tudo aquilo que foi tirado de mim jamais será restaurado, jamais conseguirei substituir. Rachel não tem notícias do irmão, começo a ficar preocupada. Não comento isso com ela na faculdade. Os capangas do Maestro podem estar disfarçados, agindo como alunos, não estou segura em nenhum lugar. Se existe uma forma de me aproximar da Aiko vai ser fazendo a denúncia. O Maestro ficará furioso, mandará sua (suposta) "porta-voz" até mim e força-la a fingir ser minha irmã enquanto ela se sentirá obrigada a me apunhalar pelas costas quando ele achar conveniente. Aiko pode ser tão vítima quanto eu nessa história. Agora só sinto um desejo insano de tentar salva-la de um destino pior que o meu.


CONTINUA...



*A imagem acima é propriedade de seus respectivos autores e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos ou intenções relativas a ferir direitos autorais.  



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