Crítica - Os Guardiões


"Quarteto Fantástico" russo: corajoso em ser trash, covarde em não ousar e risível ao se levar a sério.

SPOILERS abaixo:

Não, não se engane ao pensar que se trata de um "Vingadores" made in Rússia, porque o lance fica majoritariamente pendendo à família heroica da Marvel. Substitua a tempestade cósmica por uma experiência secreta que origina os heróis. Outra semelhança é a criação do vilão. Victor Von Doom adquiriu suas habilidades no acidente, mais adiante vindo a se tornar o inimigo da super-equipe. Aqui temos algo minimamente distinto, no caso o criador/mediador da experiência é quem vira o antagonista que arrasta o seu plano na prática até o terceiro ato - basicamente assumir o controle de qualquer maquinação existente na Terra. A cena de abertura do filme é embalada por uma boa trilha sonora que se estende ao prólogo onde se conduz o gatilho da trama.

Em plena Guerra Fria, quatro pessoas são submetidas a uma experiência proposta por uma organização ultra-secreta, Patriota (até nisso soa genérico), daí eles ganham diferentes habilidades e cada ponto do primeiro ato vai cedendo espaço para que se desenvolvam os personagens principais. E é essa uma das primeiras falhas notórias. O recrutamento tem todo um quê de Vingadores - de forma genérica e insossa, mas tem. A má vontade do roteiro faz tudo ser segmentado de um jeito mecânico. Tudo é mecânico demais! As falas, as atuações, as interações entre os personagens que, inclusive, foi um ponto empobrecido do enredo e que dificultou seriamente alguma visão de que estava sendo assistido um filme de equipe super-heroica. Não que eu quisesse BFFs do coração no final e que se emocionassem na despedida com cada um voltando às suas vidinhas, mas sim conexões melhor exploradas pois sendo uma equipe teoricamente eles deveriam suscitar um companheirismo convincente que fosse fácil ver com empatia, o que definitivamente não se viu justamente pela frieza robótica que a direção travada toma para si como um veneno para construir sua identidade (nada interessante, por sinal).


Falando sobre cada um dos heróis, eu diria que, entre mortos e feridos, só um escapou ao meu veredito nada generoso: Khan. É ele quem detém a habilidade mais... foda, na maior acepção positiva da palavra, entretanto não passa disso, pois o personagem é humanamente vazio. Aliás, nenhum deles foge a uma superficialidade que causa desconforto. Landman, o "Coisa", ganha um chicote com a tecnologia de ponta da organização que possibilita torna-lo também um escudo, temos aí Capitão América referenciado (ou não). O Ursus preenche a vaga de peso-pesado do grupo, sendo um "Hulk" até aceitável nos momentos em que sua ação é exigida, mas quando a transformação alcança o pico (o cara vira literalmente um urso animalesco que ocupa) acontece a derrocada e um show de vergonha alheia que... Bem, pulando para a "Mulher Invisível", Xenia, ela, ao lado de Landman, consegue atrair simpatia numa medida razoável, contudo são as suas cenas de ação que a conferem funcionalidade. Uma coisinha me incomodou nela que aconteceu em duas cenas no terceiro ato, em duas performances de Ursus. Nas cenas em questão ela fica apenas assistindo ali, no cantinho, praticamente na mesma posição, a mesma expressão, vendo o homem-urso brilhar (enquanto ele confronta os lacaios de Kuratov com sua metralhadora giratória - ela fica perto de um tanque - e enquanto ele enfrenta o vilão diretamente em sua forma completa - com uma confiança enorme de que ia vencer e a garota invisível deitada no chão observando). O pior de tudo sobre o quarteto em linhas gerais é: São fracos perante o vilão-mor do filme.

O vilão lembra o Dr. X, do Action Man e os heróis para ele são como moscas. Kuratov foi obstáculo de uma camada só (tem-se um quê de T-X, de Exterminador do Futuro 3, com relação a manipulação das máquinas) e sua derrota foi grandemente cabulosa. A saída final pareceu tirada da cartola e jogada sem quase nenhum compromisso com a inteligência do espectador. Achei que fossem gritar juntos "Kaaaa.... Meeee.... Haaaa.... Meeeeee.... HAAAAAAA!!!" com aquela esfera de energia a la Dragon Ball Evolution. Esse é o famigerado poder da "amizade" (merece muitas aspas).

Em boa parte do segundo ato, a chefe do Patriot (Valeria Shkirando) executa o papel de "psicóloga", prestando um ombro amigo para que eles "chorem suas pitangas", ouvindo as histórias e desabafos de Landman, Ursus e Khan com diálogos tediosos, além da atuação que, de longe, é a menos natural dentre todas.

Pra não dizer que somente taquei pedras, tenho que admitir que o filme é bem-sucedido nas coreografias de luta e outros direcionamentos de ação que se equiparam aos moldes americanos. Xenia está para Viúva Negra, assim como Ursus para Hulk. Os efeitos especiais agem em conformidade ao nível do filme, com destaque para a transformação de Ursos que é bem vídeo-game, ao menos nesta parte o CGI escorrega um pouco.

Mas como eu disse certa vez: Não há estética boa (dentro do limite) que salve um roteiro galhofado.

Considerações finais:

Os Guardiões (Zaschitniki, no original) transparece suas boas intenções, em teoria compreensíveis, no entanto na prática são patéticas. Com poucos takes que proporcionam certa diversão, é um longa que piora sua trajetória ao se levar a sério quando não tem a proficiência de fazer o que acha que deve fazer. Não foi dessa vez para o cinema Russo emplacar no seu próprio modo de explorar o gênero super-heróis. Uma hora e trinta e oito minutos desperdiçados com sucesso. E quando isso acontece, meu caro leitor gasparzinho... não é de ficar putin, nem puto, é de ficar PUTASSO.

PS1: Senti a referência à Queda do Morcego quando Kuratov (vs. Landman) faz igual movimento de Bane contra Batman ao quebrar sua coluna vertebral. Pensando bem, não tenho certeza se foi.

PS2: Segundo o que li na Wikipédia, a produção do filme levou um bom tempo para encerrar o processo de lançamento. É, não compensou.

PS3: Me espantou ouvir Luiz Antonio Lobue (Piccolo) e Wendel Bezerra (Goku) na dublagem. Respectivamente, Landman e um âncora de telejornal qualquer.

PS4: Se Ursus podia voltar à sua forma antropomórfica, então por que ele entrou no elevador com Landman e Xenia na forma animalesca ocupando quase todo o espaço? Ele não é tão alto o bastante para não caber no elevador enquanto é meio homem meio urso, fora que ele aumenta uns centímetros quando se transforma completamente. Podia ser um lobo ou até mesmo um leão - nada contra ursos.

PS5: "Achamos novos guardiões", diz a chefe do Patriot. Seria ela um deles pelo que deu a entender a cena pós-créditos (quase que não vi pois já ia fechar a aba)? Mas a real pergunta é: Querem mesmo alavancar uma sequência para exibição cinematográfica? Faça-me o favor...

NOTA: 1,5 - PÉSSIMO

Veria de novo? Jamais. 


*A imagem acima é propriedade seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://www.adorocinema.com/filmes/filme-240563/trailer-19552865/
                                   https://omundoanimado.wordpress.com/2016/11/24/os-guardioes-assista-o-trailer-epico-do-filme-russo-de-super-herois/


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