Insônia Estranha Insônia


Dia: 08/04/2014

Me sinto até meio sem jeito ao começar esse diário. Primeiro porque nunca fui de escrever coisas que ocorrem no meu dia-dia em um caderno qualquer. Segundo, porque estou deveras nervoso por este ser o primeiro dia nesta nova casa, a qual meus pais tiveram o prazer (ou nem tanto) de comprar para mim. Bem, decidi então escrever tudo o que ocorre à minha volta. Obviamente seria bem mais fácil discorrer tudo em um celular, mas meus pais muquiranas apenas permitiram a casa como presente. É um passatempo até interessante. Antes eu via como "coisa de menina". A sorte de poder morar sozinho já era sonhada por mim há tempos, no entanto, eu era motivo de chacota por isso. Questões como independência e tal. Não vou perder tempo descrevendo a casa, então, por enquanto, apenas esse pequeno texto de estreia ficará estampado nessa página.

Mal posso esperar pelas minhas próximas "aventuras" nesse bairro!

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Dia: 09/04/2014

Escola nova. #partiufazeramigos. Mas como todo primeiro dia de aula, esse teve seus poréns. Não consegui me comunicar tanto, acho que foi insegurança mesmo. Mas esse foi o menor dos problemas. Acontece que o psicólogo escolar de lá meio que se interessou de uma maneira estranha por mim. Não retribui, pois aqueles trejeitos me incomodaram, não por parecerem típicos de um homossexual, mas aquela empolgação toda... a impressão que tive foi a de que estávamos assistindo à uma palestra de um aspirante à louco. Sei não. Aquela animação toda me soou artificial demais. Depois que ela terminou - o assunto era bullying e insegurança social -, fui o último a sair. Notei durante todo aquele tempo que várias vezes ele olhava pra mim. Na saída, até olhei pra trás e certificar-me de que tudo estava bem.

Andei lentamente pelo corredor. Mas de repente veio aquela sensação de estar sendo perseguido. Aliás, perseguido e observado extremamente. Verifiquei o restante do corredor virando-me pra trás. Nenhuma alma perambulante vagando. Suspirei aliviado e segui de volta para a sala. Não era como uma verdadeira sensação de perseguição... estava mais pra desconforto mesmo. Como se algo estivesse se nutrindo de meus medos.

A aula fluiu normalmente. No final, para meu azar, eu e ele saímos juntos pelo portão. Antes de entrar no seu carro, ele me fitou por uns segundos. Fiquei andando pelo caminho de sempre, olhando discretamente pra trás. Foi o suficiente pra perceber.

Estou tentando até agora esquecer aquele olhar penetrante. Será que logo no primeiro dia ele já detectou meu problema e quer uma conversinha comigo na sua sala?

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Dia: 10/04/2014

No meio da aula de física ele entrou educadamente. Estava um pouco mais calmo, menos espalhafatoso. Nos dizia que pretendia selecionar três alunos que estivessem passando pelos problemas abordados na palestra para uma conversa na sua sala, nos próximos três dias. Para minha sorte, eu não fui escolhido. Na realidade, foi o professor que tomou a liberdade de escolher, por conhecer melhor a sala, levando em conta o fato dos veteranos estarem em maioria.

Sendo assim, baixei a cabeça suspirando de alívio. Sei lá. O que explica esse interesse, afinal? O curioso é que ele saiu bastante sério da sala. Nem ao menos agradeceu ao professor. Graças a um gordo que estava na minha frente, parece que ele não me viu.

Será amizade à primeira vista? Ele sorri pra mim sempre que me vê nos intervalos. Chuto que ele tenha seus quarenta e poucos anos. Enfim, isso não importa.

Ficarei mais atento nos próximos dias.

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Dia: 11/04/2014

Nada muito interessante ocorreu. Exceto o fato de um garoto da nona série ter cortado os pulsos no banheiro. Tentei pedir informações se ele era um dos alunos escolhidos do psicólogo, mas foi em vão. Ninguém soube afirmar nada a respeito. Mas tenho quase certeza de que sim.

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Dia: 14/04/2014

Estranho. Tive uma certa dificuldade para dormir ontem a noite. No relógio são 06:15. Me virei inúmeras vezes na cama, mas nenhum bocejo foi dado. No entanto, perto das 03:00 da manhã consegui pregar os olhos, mas estou insatisfeito. Nunca dormi tão pouco antes. Acho que é essa paranoia em relação ao psicólogo, só pode ser.

Quer saber? Vou ignora-lo de uma vez. É a única saída. Vou tomar um banho e ir pro colégio, sem nem lembrar da existência daquilo. Acho que um pouco de indiferença vai ajudar a para-lo.

Hoje, excepcionalmente, não escreverei à noite. O que significa que já prevejo uma onda de tédio invadindo meu campo de visão para as aulas de hoje.

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Dia: 17/04/2014

A escola está sendo um antro de tédio, francamente. Bem, estou estudando bastante, mas parece que ninguém lá se diverte ou ri algumas vezes. Eu até tentei animar o pessoal com umas piadas prontas, mas sem sucesso. Estou desapontado. Estes dois dias que passaram acabaram comigo. Não consegui ignorar o psicólogo, como eu havia planejado. É como se eu estivesse programado para olhar nos olhos dele assim que ele tem um vislumbre de mim, passando por qualquer parte da escola.

Isso está me enlouquecendo. Aqueles sorrisos, piscadelas... não entendo! O mesmo problema para dormir se repetiu nos dias anteriores. Melhor eu procurar um médico. Conversei sobre isso com um amigo meu de longa data pelo telefone, ele me disse para procurar um... psicólogo. Desliguei o telefone na cara dele, sem pensar. Não me arrependo, parecia até que ele estava me zoando.

E advinha só o nome do tal psicólogo que ele me indicou. Isso mesmo. O mesmo do colégio!

Que droga de vida nova que tô levando. Agora mal posso esperar pelas férias.

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Dia: 07/07/2014

Enfim chegaram as férias! Não imagina o quão feliz tô. Porém, andei olhando no espelho com mais frequência e notei que minhas olheiras estão maiores do que o normal. Sim, a insônia ficou mais forte com o passar dos dias, mesmo quando eu faltava a escola. Não sei o que está havendo comigo.

Mas enfim, não quero saber de desânimo. Vou aproveitar tudo o que tenho ao meu dispor. Ao menos ficarei um bom tempo sem olhar para aquele psicólogo estranho.

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Dia: 08/07/2014

Eu simplesmente não acredito! A pior coisa que podia acontecer nestas férias quase me matou de susto. Não sei se é algum tipo de sina ou coisa do tipo... mas na hora que vi eu congelei. Estado de choque que perdurou por uns 3 minutos, eu acho. Quando eu pensava que tudo não podia ficar ainda pior... esse merda de psicólogo resolve se mudar e se tornar o meu vizinho!

Não. Eu acho que vou tomar alguma providência. Mas vou pensar racionalmente, para não cometer alguma loucura daquelas. Assim que o caminhão da mudança foi embora, ele se virou e olhou fixamente para a frente da minha casa. Ele é algum clarividente, por sinal? Pois foi como se ele adivinhasse que eu morasse ali.

Logo quando fechei as cortinas da janela por onde eu estava olhando, percebi de relance que ele havia me visto. Caí pra trás. Contei até 10 a fim de me acalmar, e fui seguindo para meu único refúgio, no qual me encontro nesse momento.

Segui com meu dia jogando videogame, tentando esquecer isso tudo.

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Dia: 09/07/2014

Até que tive uma noite agradável. Não sei... talvez eu esteja errado sobre ele. Quando saí para tirar o lixo pra fora, de manhã bem cedo, coincidentemente ele também o fez. Fiquei espantado. O que era aquilo afinal? Continuei minha obrigação, até que ele decidiu o que eu achava improvável: falar comigo.

Ele me disse um empolgado "Bom dia". Óbvio que eu retribuí, da mesma forma, mas um pouco forçado. Ele não reparou bem na minha insegurança, então continuou a falar. Me elogiou pelo fato de que tenho boas notas. Perguntei como ele sabia disso. Ele respondeu que alguns professores comentam com ele sobre mim. Falei que me sinto lisonjeado, de um jeito bem forçado.

Conversamos bastante sobre o colégio, até entramos em nossas casas. Ele não parecia tão "louco", como naquele dia da palestra. Acho que no fundo ele é um cara tranquilo, sensato e amigável, pelo que pareceu.

É o que eu acho dele... até que alguma situação me prove o contrário. O que significa que ainda resta um pouco de desconfiança.

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Dia: 13/07/2014

Ah, estou piorando cada dia mais. Meus olhos estão secos e acho que emagreci bastante. Não consigo explicar com muita clareza. Nos últimos 3 dias, aliás nas noites, eu ouvia ruídos estranhos. Como se algo estivesse raspando ou arranhando uma parede. Passei as madrugadas inteiras jogando e ouvindo esses barulhos inquietantes. Olhei pela janela: apenas vi a rua sombria e deserta. Vasculhei todos os cômodos. Nenhum vestígio de um invasor.

Isto nos últimos dias que passaram... nem quero imaginar o que vou ouvir hoje.

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Dia: 14/07/2014

Acordei com uma preguiça monstruosa. Nem sei como encontrei forças pra colocar o lixo pra fora. E lá estava ele... também fazendo o mesmo. Ele notou minha aparência pálida. Me perguntou se estava bem. Respondi que sim. Ele perguntou se eu andei dormindo durante a noite. Nessa eu apenas assenti com a cabeça, enquanto eu jogava aquele saco enorme na lata.

Percebi que ele olhava para mim, com uma expressão preocupada. Antes que ele fizesse outra pergunta desnecessária, cortei o raciocínio dele com uma que fiz. Perguntei se ele havia escutado ruídos esquisitos no meio da noite. Ele disse que não, e até estranhou a maneira como perguntei.

Tenho quase certeza de que ele quer se aproveitar deste meu problema para me consultar. Mesmo eu o achando, até agora, um bom vizinho, ainda tenho minhas dúvidas. Ele entrou na casa meio preocupado. Talvez ele pense que eu esteja sofrendo de paranoia.

Na noite passada, continuei ouvindo os barulhos... um pouco mais agudos desta vez, sendo que parecia várias mãos arranhando uma parede seguido de um som semelhante à uma unha rasgando um quadro negro.

Eis mais um motivo para eu continuar passando as noites em claro.

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Dia: 15/07/2014

Liguei para aquele meu amigo hoje de manhã. Desabafei tudo o que está me atormentando atualmente, além de pedir desculpas por ter desligado daquela forma. No fim da nossa conversa, ele avisou que me mandaria uma carta, na qual ele diria algo importante e que seria a principal suspeita do que está ocorrendo comigo. Perguntei sobre porque ele escreveria uma carta sendo que ele poderia falar pra mim naquele instante. Ele deu a desculpa de que meu estado está crítico demais para dizer algo daquela natureza, levando em conta o tom da minha voz.

Estou me mordendo de curiosidade. Se esta carta for só mais uma zoação, juro que eu o mato. Não... talvez não seja. Pelo maneira como ele falou, parece ser bem sério.

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Dia: 16/07/2014

Ainda são 05:00 da manhã. Fazem exatamente 3 horas que estou debaixo desse cobertor. Larguei o joystick após ouvir algo parecido com um rosnado e corri para a cama. Estou com uma lanterna numa mão e a caneta na outra, então fica um pouco menos desconfortável pra escrever.

Estou sob completo domínio do medo. Mal consigo piscar. Meu Deus, essas férias estão sendo um pesadelo! O que está causando essa merda toda?

Será algo provindo de minha mente? Eu sei que não estou paranoico!

Vou fazer o seguinte: Assim que o medo cessar, vou procurar saber como são os métodos do psicólogo.

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Dia: 16/07/2014

Bati inúmeras vezes na porta da casa dele e nada. Pra onde será que ele foi? Havia uma carta presa embaixo da porta. Curioso como sou, abri-a. Era uma espécie de convite. Nele dizia: "Encontre-me hoje, às 20 horas, perto do pátio da escola em que trabalha. Faremos o que nos pediu."

Coloquei o bilhete de volta no envelope e deixei onde encontrei. Como se não bastasse todos aqueles trejeitos, aquele modo de olhar e sorrisos, ele me vem com essa. Mudei de ideia sobre a consulta. Esse cara está escondendo algo muito sinistro... e como tenho dormido muito pouco, não ousarei em tentar descobrir.

Só vou ficar aqui na janela. Esperando ele voltar. Abrindo uma pequena brecha na cortina e observar atentamente. Isso será entediante, mas necessário ao mesmo tempo.

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Dia:17/07/2014

Ontem à tarde consegui vê-lo chegar em casa. Foi exatamente as 17:00. Ele trazia uma pequena caixa de papelão. O curioso era o que continha dentro, claro. Seja o que for, fazia pequenos ruídos. Talvez fosse pelo balançar da caixa nas mãos dele. Ou provavelmente possa ser algo vivo contido lá. Um bichinho de estimação? Se for, qual é? Ai ai, a curiosidade está subindo à cabeça novamente. Preciso me controlar, antes que eu enlouqueça.

Peraí... acho que alguém está batendo na porta. Visitas? Não estou esperando ninguém... a não ser que... ah, só podia ser!

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Dia: 17/07/2014

Nem precisa adivinhar quem é. Era ele! Veio me pedir um pouco de sal. O que é até estranho. Será que é ele quem faz o almoço na casa? Não, obviamente ele não tem nenhuma empregada.

Eu nunca mais comentei com ele sobre os ruídos. Talvez ele não se importe. Estou bancando o paranoico compulsivo. Essa insônia está virando uma maldição. O que está a causando? Os barulhos à noite? O interesse estranho e assustador desse psicólogo por mim? Ou é apenas ansiedade por ainda não estar acostumado a morar sozinho?

Minha cabeça está confusa. Mas matarei estas dúvidas, custe o que custar.

Estou sentindo um cheiro muito estranho e forte...

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Dia: 18/07/2014

O dia de ontem seguiu normalmente. Saí um pouco de casa pra pedalar um pouco. O que não foi o suficiente para esquecer todo esse drama que vivo. Pessoas ao meu redor espantadas com minha magreza e minha palidez. Enfim, ignorei todas elas.

Quanto ao psicólogo, ele, ao que pareceu, permaneceu enfurnado em casa o dia todo. Minutos após ele vir me pedir sal, senti um cheiro forte, muito forte. Não restou dúvidas de que vinha da casa dele. Ele tem me olhado de maneira séria ultimamente. O estranho é que ele, até agora, não propôs nenhuma consulta a fim de tratar meu caso. Definitivamente ele é o cara mais estranho que já conheci, até agora.

Não sei... dias atrás ele parecia amigável comigo, depois passou para a fase preocupada e agora está sério, quase de cara fechada típica de um mau-humor de segunda-feira.

Eu deveria parar de esconder o que sinto e dizer à ele que não o consultarei até que todos os seus mistérios sejam desvendados... por mim.

Ontem à noite os barulhos continuaram. Dessa vez com uma adição: alguns gemidos selvagens, além dos sons de arranhão e rosnados. Mais audíveis e próximos.

O problema pode estar nesta casa.

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Dia: 19/07/2014

Fim de semana chegou. O único passatempo em que me refugio do tédio é escrever neste diário. Eram para estar escritos relatos de uma vida nova e próspera nestas folhas, e não um pesadelo vivenciado por um suposto paranoico, cuja dificuldade para dormir o consome a cada dia.

Hoje, logo quando acordei de um cochilo de, mais ou menos, uma hora e meia, levei um susto que quase me fez vomitar meu coração. Em uma parede da sala alguém escreveu, em letras garrafais, uma frase em inglês, supostamente com sangue: "There is no escape... there is no life".

Algo como "Não existe escapatória... não existe vida". Meu sangue gelou completamente naquele instante. Eu imagino que alguém esteja minha ameaçando... mas não algo que fosse tão amedrontador. Verifiquei a tranca da porta. Estava intacta. As janelas em perfeito estado, todas elas.

Acho que não verei o psicólogo hoje. É uma pena, pois eu o perguntaria sobre o tal encontro de 2 dias atrás no colégio.

Agora vou ter que limpar essa sujeira.

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Dia: 19/07/2014

Já anoiteceu. Fiz várias buscas na internet sobre paranoia e insônia, como ambas estão, de fato, diretamente ligadas. O engraçado é que nos resultados estava o link de um blog parceiro do website oficial do colégio. Este blog pertencia ao psicólogo. Não fiquei surpreso. Cliquei sem hesitar e encontrei na home um longo e cansativo texto sobre aquilo que eu estava à procura.

Não o li todo, pois parecia ser mais longo do que a própria bíblia. Um texto comum, linguagem formal e simples, mas bem tedioso. Não sei de onde ele tirou tanta paciência pra escrever aquilo. Outra curiosidade interessante é que é o único texto do blog. O título me chamou atenção: "Paranoia e Insônia: As interessantes nuances".

Imprimi o texto inteiro e fui até a casa dele. Logo quando me atendeu, ele me deu um seco "oi". Retribuí. Mostrei à ele o texto e o elogiei forçadamente. Disse que eu estava passando pelo problema abordado, e ele se mostrou interessado, pois já imaginava que aquilo era meu caso.

Falei sobre a frase pintada na parede da sala. Não sei se foi encenação, mas ele se espantou de repente. No fim do papo, ele me garantiu avisar à polícia se caso eu encontrar alguém invadindo a casa. Eu tentei olhar um pouco para o interior. Inclinei um pouco a cabeça e vi algo semelhante à uma fogueira. Ele acha que eu não percebi que tentou ocultar o interior da casa quando se preparava pra fechar a porta.

Demos tchau um pro outro. Estou intrigado até agora. Decidi que vou esperar terminar as férias para tentar uma consulta com ele. Só por curiosidade...

Acho que passarei um tempo sem escrever. Talvez eu fique bem daqui pra frente.

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Dia: 20/07/2014

Bem, só parei para escrever para lamentar a morte daquele garoto da nona série que cortou os pulsos. A autópsia confirmou suicídio por auto-mutilação e, posteriormente, enforcamento.

Não deixo de especular que ele era um escolhido do psicólogo. Se for, minha desconfiança fará ainda mais sentido.


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Dia: 30/08/2014

Eu não sei mais o que fazer! Agora passo a ouvir vozes e gritos nesta casa, além de rugidos intensos de animais, quase soando como monstros. Já não consigo mais dormir. A duração dos cochilos caiu consideravelmente para 20 minutos! Liguei para os meus pais. Não acreditaram em uma palavra sequer do que eu disse. As férias já terminaram, mas nunca mais fui ao colégio. O psicólogo bate na minha porta todos os dias, querendo conversar. Aparentemente está preocupado comigo. Será?

Não, ele não está! Mandei ele ir pro inferno. Eu não deveria ter me mudado pra cá. Foi o pior erro da minha vida. Aí vem aquela vontade de morar com os pais novamente. Só estou deixando os dias passarem. Meus olhos... estão fundos e as olheiras já tomaram conta. Emagreci cerca de 12 quilos em menos de 2 meses!

E aquela carta que meu amigo me enviaria... nenhum sinal. Sinto uma presença nesta casa todas as vezes. Não estou sozinho.

Há mais alguém aqui...

Espera aí... que olhos são aqueles na brecha da porta???

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Dia: 15/07/2014

Acho que estou no limite. Esse psicólogo me liga todas as vezes. Bate na minha porta sempre que pode. Diz que quer me ver e me tratar. Não sei...

A começar pela voz dele. Um tanto mais rouca e um pouco grave, até mesmo no telefone.

Vou enlouquecer se as coisas continuarem assim. Não... acho que já estou louco!

Me arrasto pelo cômodos dessa casa como um zumbi. Com medo, com frio... chorando.

Tudo está escuro, sombrio, nebuloso... estou a mercê da perdição completa!

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Dia: 02/10/2014

Aquele texto sobre paranoia e insônia no blog do psicólogo foi modificado!! Eu entreguei aquela impressão à ele para determinar se algo contido no texto  tivesse similaridades com meu caso.

Mas não! Ele simplesmente alterou boa parte daquilo. Estou revoltado. Ele inseriu termos novos, excluiu trechos e colocou outros completamente intrigantes.

Posso não ter lido tudo, mas percebi que pelo menos a introdução ele alterou.

Tudo está se agravando! Minha vida está um pesadelo contínuo!

Tudo isso só irá terminar quando eu ler a maldita carta que não chega.

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Dia: 10/10/2014

Ele ainda está ali. Batendo na porta. Pedindo, quase que desesperadamente, para me ver. Qual é o problema desse louco?

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Dia: 15/10/2014

Não consigo mais dormir.

Repito: EU NÃO CONSIGO MAIS DORMIR!

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Dia: 22/10/2014

São 00:25. Viaturas na casa do psicólogo!? Como assim?

Olhei pela janela. As luzes das sirenes iluminaram toda minha sala. Os policiais apreenderam vários livros pesados e velhos. Incluindo apetrechos estranhos, que pareciam mortais.

Alguém denunciou. Quem foi? Não faço ideia.

Antes de entrar no carro algemado, ele olhou para mim de maneira furiosa. Sim, em um único vislumbre na minha janela ele me viu! Estranhamente ele estava mais velho, com rugas no rosto e cabelos mais brancos.

Será que ele pensa que eu o denunciei?

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Dia: 23/10/2014

Finalmente. Até que enfim o correio deixou uma carta na caixa. Vou correndo busca-la!

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Dia: 23/10/2014

Era a carta de meu amigo, como previ. Ela está transcrevida abaixo. Estou em estado de choque e em pânico. Não quero esse fardo. Não quero viver assim. Mas tenho a solução perfeita para isso.

PS: Se você teve coragem de ler este diário até aqui, parabéns! Se estiver lendo esta página, significa que não estou mais vivo... se não consigo dormir neste mundo, talvez em outro eu me acostume.

"Olá Roger, espero que esteja e fique bem. Lembra daquela lenda sinistra sobre os metamorfos que eu te contei há anos? Acho que não, então vou reconta-la resumidamente:
Os metamorfos, como o próprio nome sugere, são seres com a capacidade de assumirem a forma tanto de animais quanto de pessoas. Eles possuem a habilidade de se nutrirem da energia vital de suas vítimas apenas as observando de longe, para se manterem jovens e fortes. Assim como um psicopata, ele não escolhe sua vítima. São como vampiros. Levando em consideração os seus sintomas, imaginei que pudesse estar sendo vítima de um. E acho que não tenho dúvidas. 

Tem mais uma coisa que também quero dizer. Aliás, revelar. É a mais importante e acho que você ficará bastante horrorizado. Seus pais são bastante amigos dos meus, sempre foram. Acontece que meus pais haviam agendado uma reunião com os seus no pátio da escola em que você estuda, as 20 horas. Ouvi eles conversarem na sala sobre isso. Depois minha mãe pegou um envelope e colocou um pequeno bilhete dentro. Aí que vem a parte importante: Durante a conversa, eles revelaram que eu e você somos parte de uma seita em nome de uma divindade não especificada. Logo, nossos pais são metamorfos! 

Não sei para quem eles mandaram o bilhete. Um metamorfo costuma manifestar seus anseios e habilidades a partir dos 18 anos. Ou seja, eu e você nos tornaremos metamorfos daqui a 1 ano! 

Não sei quanto à você Roger, mas eu vou viajar pelo mundo em busca de uma cura ou qualquer outra coisa que me tire essa maldição. Se caso eu conseguir, vou o mais rápido possível até você e lhe dar o antídoto. 

Mas aí depende de você. Irá ou não se juntar à eles? 

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