Contos do Corvo #7



                                                           A CORTE DAS BONECAS

Em Missouri, na populosa Kansas City, uma nova loja de brinquedos tornava-se famosa logo em seus primeiros dias, mas precisamente na sua semana de lançamento. Era 1996, eu voava solitário, já tinha me cansado de bandos... acho que era minha fase meio misantropo. Tentei fazer amizade com alguns abutres, o cardápio deles para o jantar não era nada convidativo, mas até arrisquei saborear uns pedaços de carne crua de defuntos. Enfim, voltando à história, ninguém se importa com o que ocorreu à mim mesmo. Aquela loja atraía várias e várias crianças, de todos os bairros da cidade.

Cerca de um mês havia se passado e as vendas caíram drasticamente, para o azar do proprietário. Eu escutava com bastante frequência alguns comentários a respeito dele. Isso quando uma noval linha de bonecas passou a fazer parte do catálogo da loja. Curiosamente, elas não tinham uma embalagem comum... digo, sofisticada como as bonecas que meninas ricas e mimadas costumam ter. Elas simplesmente vinham em pequenas caixas de papelão cortadas, apenas os pés delas estavam grudados. Sem plástico nem etiqueta.

Elas tinham um aspecto tenebroso, pareciam ter sido criadas de qualquer jeito. Muitas eram pálidas, com enormes cabelos pretos e olhos grandes, sempre sorrindo. Mas a que se tornou a pedida unânime entre todas as meninas foi a de vestido branco, chamada de "Garota da Festa do Pijama".

As bonecas passaram a ficar no estoque principal. Em pouco tempo as vendas voltaram a aumentar vertiginosamente. Era bastante comum ver qualquer menina de 7 ou 9 anos com a "Garota da Festa do Pijama" nos braços, carregando para todos os lugares.

Certo dia, muitos meses depois do sucesso estrondoso da linha, uma garota de apenas 10 anos, na calada da noite, resolveu invadir a loja, certamente escondida dos pais. É aí que começa a lenda que se espalhou pelo país como um vírus epidêmico, depois da tragédia que abalou a todos.

A garota, mesmo no escuro da loja, desarrumou todas as bonecas, apenas para ter a oportunidade de brincar com várias delas ali. Passada uma hora, o vigia da loja correu para dentro depois de ouvir alguns barulhos. Com uma lanterna ele apontou para um corpo caído no chão...

Era a tal menina bisbilhoteira. Estava completamente ensanguentada, aparentemente degolada.

O vigia foi surpreendido por uma fileira de bonecas estranhas do lado dele. Estavam todas em pé, fora das prateleiras. Uma delas passou a mover o braço, outra começar a dar risadas escabrosas e uma outra mexer a cabeça.

Todas elas realizavam movimentos contínuos. Ele se perguntava que merda era aquela que estava acontecendo. De repente, a lanterna se apagou. O vigia saiu correndo direto para a porta de entrada para chamar uma ambulância ou a polícia.

A menina morta segurava justamente uma "Garota da Festa do Pijama". A polícia, tendo como única evidência do crime, apenas achou, ao lado do cadáver, um escrito no chão com sangue: "Ela aceitou ser parte da Corte".

A tragédia causara prejuízos imensos ao dono da loja, que foi obrigado a considerar as bonecas fora de circulação. Um ano depois a loja fechou após uma falência traumática para aquele homem.

Ninguém, nem mesmo a polícia encontrou o culpado daquele crime. Nem ao menos associaram o assassinato às bonecas.

Em tributo à morte da garota, todas as meninas que adquiriram as bonecas do mesmo modelo - a "Garota da Festa do Pijama, no caso - as queimaram no dia do enterro da garota teimosa. Motivaram-se a jogar todas as bonecas queimadas sobre o caixão dela.

Quatro anos depois eu voltei para aquela cidade após me lembrar do caso. A sensação do momento eram as bonecas que possuíam mecanismo de fala... e uma nova linha fazia sucesso.

Para o espanto dos pais das crianças, a boneca principal dessa nova coleção era exatamente a "Garota da Festa do Pijama", a qual todos pensavam ter sido tirada das vendas. Mais curioso era que havia apenas uma disponível... em uma loja não muito famosa, mas ainda sim ela estava lá, atraindo os olhares assustados das pessoas que se lembravam da tragédia.

Essa única boneca da coleção anterior estava meio suja de terra... e falava, assim como as outras da linha nova.

Rezava a lenda, segundo comentários e especulações de jovens que adoravam uma conspiração, que a criança que desobedecesse os pais e se sentisse atraída por uma boneca daquela coleção misteriosa teria um destino cruel sendo obrigada a fazer parte da tal Corte, tornando-se a nova líder...

Além disso, teorizavam que o dono fizera um pacto com o demônio para obter lucro e sucesso, e o mesmo havia lhe recomendado encomendar estoques daquela coleção de bonecas.

Até hoje, aquela "Garota da Festa do Pijama" continua ali... mofada na prateleira daquela loja.

Há quem diga que logo ao passar perto dela é possível sentir a presença da garota que morreu na loja falida. Até mesmo pessoas que nunca a conheceram dizem ver o rosto da menina em suas mentes quando se aproximam da boneca.

Por esta razão, a mesma jamais foi comprada. 


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Nota do autor:

Confesso que não me senti inspirado para fazer uma introdução decente, por esse motivo nosso corvo contador de histórias e os demais personagens, infelizmente, não apareceram, apenas ele narrando o conto. Desculpem por essa. Mas na próxima já é certo que ele voltará com tudo. Até ;)


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