domingo, 13 de setembro de 2015

Silêncio


E a voz que antes gritava por clemência, por fim, cala-se. Vertigem vagarosa. Queda iminente. Inexorável realidade.

O corpo atrofia em uma pesarosa lentidão. Os milésimos, segundos, minutos e dias escapam pelos dedos como meros grãos de areia... levados sem rumo pela brisa fria... fria como este corpo.

Para quê continuar expelindo palavras que não alcançam aqueles que você esperava?

Fechando-se no exíguo vácuo, o corpo tomba em declínio, sem afinco, até desintegrar-se por inteiro...

Sem mente... sem corpo... sem alma... O que resta?

Quão frágeis somos mediante à efemeridade implacável desta vã passagem a qual todos são compelidos a seguir.

A sinfonia lúgubre tocada momentaneamente sobre a terra úmida na qual reside os ínfimos resquícios de um ser cuja matéria tornou-se a inexistir.

A melodia deixa de se propagar e o silêncio toma seu retorno... Fixo e impenetrável.

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