Contos do Corvo #8


Naquela noite, o corvo postava-se sobre uma lápide mais distante, silenciando-se rapidamente após mais uma história relatada. O ouvinte em questão naquele instante era a menina, sentada na úmida terra de pouca grama do mórbido local. A garota, ávida e admirada pela maneira da ave de contar os casos estranhos que provavelmente presenciou, fitava-o por minutos a fio.

- Nossa... agora fiquei curiosa pra encontrar essa boneca. - disse ela, pensativa. - Eu a compraria, sem medo.

- Sério? - o corvo estava incrédulo - Na certa, se juntaria à elas. Não pense que seu destino seria diferente.

- Eu acharia divertido. - disse, despreocupada. - Só pra ver o mundo de outra forma... ter uma vida diferente.

- Entendo. - disse o corvo, visivelmente desinteressado. - Quer ouvir mais outra? - perguntou, de modo apressado.

- Uma breve sinopse antes seria bem-vinda. - exigiu a menina, em um tom mais crítico.

- Ué, que papo é esse de sinopse? Uma palavra nova que você aprendeu hoje na escola? - zombou o corvo, ácido.

- Não. - disse a menina, friamente, porém sem aborrecimento. - Mas como a história que contou antes foi tão boa, pensei que seria interessante ouvir uma sinopse antes da próxima.

- Não sou escritor. - retorquiu ele, entediado. - E também não manjo dessas frescuras de sinopse, gosto de surpreender. E não nos faça perder tempo me explicando a importância disso.

- Tudo bem. - concordou a menina, sentando-se melhor. - Onde está o senhor coveiro?

- Deve estar espalhando seus resmungos em outro lugar. - disse o corvo, sem pena da figura do pobre trabalhador. - Hoje sentirei falta dele...

- Como disse? - perguntou ela, cética.

- É. - confirmou ele, assentindo devagar. - A história que contarei agora me faz lembrar dele... Quer ouvir?

- Ainda pergunta!? Só se for agora. Vai, conta. - empolgou-se a menina, apurando seus ouvidos ao máximo.

- Muito bem... Houve uma época, não muito antiga, mas também não muito recente... em que uma senhora bem velha alegrava os dias de inúmeras crianças...

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                                                                       VOVÓ BENNA

Em uma floresta, localizada nas proximidades de Londres, na Inglaterra, vivia uma pequena população de um vilarejo de classe média. O que com certeza chamava a atenção da maioria era uma discreta cabana... onde apenas as crianças da vila sabiam quem residia nela.

Todos a chamavam de "vovó Benna". A casa, por sinal, era dada como desocupada pelas pessoas que passavam por ela. Várias ligações para a prefeitura solicitando uma demolição da casa eram inúteis. As crianças sempre mostravam-se contras ao ato, afirmando que certamente morava alguém ali.

Os pais mal sabiam que seus filhos recebiam doces de presente... sempre quando batiam na porta da gentil senhora. Os pirralhos mentiam, na maior cara-de-pau, que compravam na doceria da cidade. Os adultos, é claro, não caíram na conversa fiada. A mentira, por fim, fora desmascarada quando uma garota se viu pressionada a dizer a verdade... após muitos castigos e palmadas.

Ela disse que uma velha muito estranha, todavia simpática, dava doces de graça para qualquer criança que fosse bater na casa dela. A menina deu uma descrição completa, como se estivesse submetida a um interrogatório policial. A velha tinha longos cabelos brancos, quase cinzas, a pele pálida e enrugada e sempre usava um vestido preto sem nenhum detalhe. Os olhos eram penetrantes, vermelhos e grandes, quase saltando.

Bem, digamos, que, após a verdade ser revelada e espalhada, todos os pais orientaram seus filhos a não entrarem em contato com a velha, com o argumento de que não se sabia de onde vinham os doces que ela fazia... se é que ela fazia.

Passaram-se, então, duas semanas.

Um fatídico fenômeno que ocorreu fez com que todos sentissem uma vontade imensa de invadir aquela cabana e ver o que havia lá dentro. Todas as crianças, sem exceção, acordaram com suas peles e órgãos liquefeitos instantaneamente. Basicamente, seus corpos viraram "mingau".

Sobraram apenas os ossos, frágeis e quebradiços, poderiam se fragmentar facilmente com uma martelada só. Os pais, horrorizados ao ver nas camas de seus filhos aquele monte de gosma borbulhante e fervendo, tiveram de entrar em um consenso: Invadir a casa da velha.

Com o desejo de vingança pulsando nas veias, aquela multidão de pessoas, que tragicamente perderam seus herdeiros, se armavam com espingardas, facões, tridentes, pistolas e outros tipos de armas que você possa imaginar.

Destruíram a porta com um chute violento. Todos entraram alvoroçados, mirando em todos os cantos da casa. Só encontraram um caldeirão. É óbvio que pensavam ser uma bruxa.

Quase isso. Também havia uma tumba e ao seu lado uma estátua de uma criatura macabra, de aspecto demoníaco, com enormes chifres.

Um cântico pagão foi encontrado em um bilhete, identificado por uma das pessoas, que, convenientemente, era um demonólogo.

"Fiz o meu trabalho. Apenas o meu humilde trabalho. Esta casa está protegida e abençoada por meu lorde a quem sirvo eternamente. Não ousem me acordar de meu longo sono"

Logo olharam para a tumba. Não hesitaram em abrir a tampa pesada de mármore.

No interior, estava um corpo... putrificado e esquelético. Como uma múmia.

O demonólogo fez questão de chamar a atenção da comunidade científica de Londres para examinar o cadáver. Após inúmeros testes, declararam que o corpo possuía mais de 2 mil anos.

O homem não conseguiu identificar a entidade com a qual ela matinha contato...

Os doces possuíam o formato de pequenos bonecos com faces sorridentes de crianças. Os rostos da última leva daquelas balas foram reconhecidos pela população...

Eram as almas de seus filhos aprisionadas... esperando para serem devoradas.


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