Sonhos
Oh, por favor, mentira sedutora, tenhas dó desta pobre alma deambulante que somente quer vivenciar um pouco da verdade que tu escondes.
Por que insiste em cegar-me com estas falsas memórias?
Aliás, falsas vivências... que nada mais são do que devaneios regados de ilusão, hipnotizadores esperando sua vítima sucumbir ao mundo que eles desejam que você veja.
Resvala-se rumo ao despertar, a alma falsamente empertigada.
O sobressalto leve vem com um arranco. De volta ao mundo em que nascestes.
Tentando, indefinidamente, ligar os eventos ocorridos no lugar onde estava...
Sobram-se apenas restos. Vagos, quase nulos.
Restos de pessoas que você nunca irá tocar ou ver.
Restos de momentos que nunca tornarão a ocorrer.
Restos de uma vida que você nunca terá.
O acordar precede a melancolia.
A mentira que brota da própria mente - até que se permita por inteiro - castigará todo e qualquer desejo provindo dela mesma... É aí que se entende, da pior forma, que sua psiquê nervosa brinca, ardilosamente, com o ser que a carrega.