segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O Caminhante Invisível


Nas sombras mais vivas ele encontrou abrigo.

Nos dias mais claros sentiu a luz ofusca-lo.

Nas reuniões ditas sociais ele não falou, não viu, nem ouviu... não sentiu.

Um fantasma andarilho, ele era intangível... ser tocado não fazia parte da sina.

O fantasma que sentia medo de si mesmo... não via reflexo nas vidraças frias.

Tão frias quanto a sua alma.

De tanto persistir na exibição, acabou não influenciando, nem agradando ou desagradando.

De tanto querer ganhar, perder e fazer parte, no final não fez diferença.

De tanto desejar, acabou não tendo nada, nem algo ou alguém.

De tanto sonhar, tornou a ter sonos vazios.

De tanto amar, ficou sofrendo.

De tanto andar, acabou caindo.

De tanto viver, acabou morrendo.

De tanto tentar ser lembrado, acabou esquecido.

De tanto almejar ser notável... acabou não existindo.

2 comentários:

  1. Sinto que... bem, deixe. Belo texto.

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    Respostas
    1. Eu até perguntaria sobre o que diria, mas vejo que jamais saberei.
      Enfim, obrigado pela visita e pela leitura.

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