terça-feira, 20 de setembro de 2016

Diário de Vicky Hattori - A Origem da Violinista Mascarada (Parte 3)


3º DIA - ALERTA VERMELHO

28/06/2014

Desde a calourada tenho me sentido um pouco fora de mim, como se... eu estivesse dividindo minha mente e meus pensamentos com outra pessoa... telepaticamente, sei lá. Agora há pouco, pude sentir o ar se tornar mais gélido, mas isso não foi tudo. Estou assustada. Aquelas mensagens? É o de menos. Caí na besteira de lê-las. Minha grafia está um pouco irregular, não estranhe, pelo fato de eu ter quase enlouquecido de horror faz alguns minutos. Meus pais não leem meu diário... nem são muito invasivos, ainda bem.

Pra começar, o dono do livro ameaçou fazer coisas bárbaras comigo, dizendo saber onde meus pais moram e que iriam mata-los caso eu não devolvesse. A ameaça veio depois, depois da primeira mensagem que foi mais "amigável". Eu tenho um prazo para a devolução, é uma questão de vida ou morte, a segurança dos meus pais, de todos que conheço está por um fio. A última mensagem foi em voz, com um filtro sinistro, enviada há dez minutos, repetindo o que foi dito na mensagem anterior. São tantas preocupações que estão se sobressaindo á minha atenção com a faculdade que meu desempenho vai ser prejudicado, sem dúvidas.

Eu respondi esse babaca, quero só ver qual será a ameaça da vez. Resolvi dividir em fases: 1 -Demonstrei certeza de que vou devolver o livro a menos que me revele seu nome. Apenas seu nome - mensagem enviada há cinco minutos, resposta ainda à espera.
2 - Como estou em posse do livro e sei o nome de seu dono, tenho todo o direito de escolher o local do encontro onde vai ocorrer a devolução - ou uma troca, caso ele tenha roubado algo de mim na calourada, se é que ele estava lá, o que direciona à próxima fase dependendo de sua resposta.
3 - Caso ele concorde com minha posição, vou perguntar se ele estuda na Universidade **********. No entanto, se ele recusar responder e apenas aceitar que eu venha para o lugar, no dia marcado, eu paro por aqui e me silencio por ora. Nesse caso, para não correr o risco de sofrer ameaças mais ousadas, me limitei apenas à uma pergunta. Nunca se sabe o que um psicopata desse pode estar planejando. Se eu insistir demais, ele pode alterar os planos e idealizar uma emboscada para me sequestrar, se é que já não pensou nisso. Por outro lado, se ele responder, sem ameaças, confirmando a minha suspeita - mesmo que um frio "Sim" -, farei outra pergunta a respeito da calourada que teve há três dias. Perguntas mais incisivas é melhor deixar para o encontro marcado - se ele me garantir não estar armando nada para me pegar desprevenida. Se ele assumir a posição de fazer perguntas, não tenho outra saída a não ser mentir. Supondo que ele pergunte se eu abri o livro. Obviamente, responderei não. Mas se ele estava mesmo na festa, no meio daquele bando de insanos e pervertidos, e esqueceu do livro, talvez se lembre de como o livro estava, aberto ou destrancado. Estranho ele não ter mencionado nada sobre uma chave. Será que ele a tem? Ou está no meu quarto na faculdade? A última coisa que quero é envolver minha colega de quarto nisso.

Como se não bastasse, tive algumas visões assombrosas. Além do ar frio, pensei ter visto, em milissegundos, meus olhos completamente negros enquanto me olhava no espelho do banheiro. Pisquei várias vezes para ter certeza de que eu não estava alucinando. Depois eu levei susto... vendo minhas entranhas saindo para fora do meu corpo, saí correndo, gritando e chorando, e quando parei para ver estava tudo bem, minhas tripas não estavam feito fios emaranhados. No escuro do corredor tive a sensação de estar acompanhada mesmo sabendo que estava sozinha...


CONTINUA...


*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos ou intenções relativas a ferir direitos autorais. 



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