Crítica - Boneco do Mal


As trivialidades do tema sendo deixadas de lado para... nada.

AVISO: A crítica abaixo contém SPOILERS.

Após A Noiva, me veio à mente outro filme de terror a ser conferido por conta da minha nada cautelosa curiosidade. Quando digo isso, é que geralmente os filmes desse grupo costumam me dar uma impressão de que estou me metendo numa possível cilada onde meu precioso tempo é a vítima. Este teve sua estreia em 2016 e até recebeu visibilidade/divulgação na TV por meio de uma pegadinha de "câmera escondida" do Sílvio Santos. Primeiro de tudo, o longa propagandeia uma temática bem defasada no cinema de terror. Chucky e Annabelle estão aí como bons exemplos. Mas Boneco do Mal (The Boy, no original e igualmente genérico ao título traduzido) consegue um feito que se distancia dos dois citados e não pode ser parelho a eles em premissa.

Infelizmente, também não pode ser em qualidade narrativa. Temos uma babá chamada Greta (Lauren Cohan, a eterna Bella Talbot de Supernatural) que topa ser babá de uma criança responsabilizada por um casal de idosos, mas inesperadamente ela descobre que irá tomar conta de um boneco de porcelana com rostinho de criança-anjo. Numa situação verossimilhante, pelo menos no meu ver, uma pessoa em consciência sã acharia tudo aquilo uma brincadeira (uma pegadinha) e não perderia tempo cuidando de um menino sem vida e mimado por pais aparentemente malucos e sairia dali, talvez correndo, sem voltar atrás. Há empregos melhores por aí, ela é uma mulher adulta, não vejo porque não receber oportunidades mais rentáveis e que compensem o bem-estar. Mas daí acho que ela pensou: "Ah, mas fazer o quê, né? Não vou esperar as coisas caírem do céu, então, já que tô aqui, vou brincar de ser babá, vai ser molezinha...".

O aviso da Sra. Heelshire foi claro: Uma vez que não seguir as regras, algo terrível acontecerá. No primeiro ato tem-se uma mistura de babá em treinamento e indícios sobrenaturais vindos da criança, coisas bem típicas. O personagem Malcom, cuja maior função é despejar informações para Greta sobre a família Heelshire e o filho "estranho", é parte dos desdobramentos risivelmente previsíveis. Não, nem imaginava que ele ia fugir com ela no final para um futuro romântico a dois.

Greta se vê em um cenário clichê de um filme de terror, querendo despertar o espírito dentro do boneco e se esforçando para não parecer que tem um parafuso a menos ao crush. O longa tem mais calmaria do que uma atmosfera tenebrosa de fato. Determinados momentos do segundo ato causam longos bocejos. O jump scare precedido pela ausência de trilha sonora só é eficiente na cena em que ela analisa o quadro da família com o verdadeiro Brahms Heelshire que morreu ainda muito novo.

O que dizer sobre um filme que se vende como um terror despretensioso mas que no fim das contas não é nada disso que parecia? Sim, o boneco é um mero artifício para o falso revestimento de "terror". Não estou querendo dizer que o clichê era a saída, apenas que o filme não soube usar o que tinha lá no fundo. A história trágica do incêndio que matou a garota amiga de Brahms poderia ser utilizada em um filme melhor. Os dois primeiros atos são pura vibe de Chucky e no terceiro a aparição surpresa do ex de Greta, um cara obsessivo, para dar uma movimentadinha no negócio e logo em seguida vemos descortinar um "massacre da serra elétrica" de uma hora para outra. Como duas "representações" mal-feitas de dois clássicos. No ato final, tudo vira uma corrida para escapar do psicopata com máscara de boneco para ocultar o rosto deformado - e que tenta impor Síndrome de Estocolmo em Greta - conhecido como... Brahms Heelshire, o verdadeiro e único que escondeu os sapatos de Greta, arruinou a noite que ela teria com o namorado, mudava o boneco de lugar... porque morava nas paredes com tudo o que ele precisa, mas ele queria mesmo era uma mãe para mima-lo. Isso não foi salvação nenhuma para uma trama que já nasceu errada e não tinha lá muitos recursos para lapidar a si mesma e tornar-se interessante.

PS1: Greta podia ter enfiado aquela ferramenta no coração de Brahms. O cara levantava ela pelo pescoço querendo estrangula-la contra parede e ela tinha a arma numa mão e podia facilmente mirar no ponto mais vital. Fora que ele nem era tão rápido assim, apenas um homem preso aos mimos de infância que se enroscam com sua doença mental, logo, de certa forma, era frágil.

PS2: Por favor, que aquele Bramhs de porcelanato reconstituído não indique uma eventual sequência. Eu creio que não, já que o longa foi um fracasso de crítica - com muita razão.

Considerações finais:

Longe de ser memorável, Boneco do Mal não dispõe de uma estrutura roteirística que o faça algo a ser levado a sério. Tão insosso e inexpressivo quanto o boneco. Após o ato final, tudo parece vazio, como se nada tivesse acontecido. Nem a própria condução - bem média - colaborou para uma emoção esperada e/ou merecedora de um clímax. Ele fez o que filmes de bonecos assombrados não fizeram. Mas de que isso serviu? Uma caixinha de surpresas onde você gira a manivela e surge um palhaço sem graça que te oferece um nariz igual ao dele. Enfim. o tiro saiu pela culatra.

NOTA: 4,0 - RUIM 

Veria de novo? Não. 


*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://fultonpain.blogspot.com.br/2017/03/explicando-o-final-o-boneco-do-mal-filme.html

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