Contos do Corvo #13


"[...]E só assim ela descobrira que o espírito dele só poderia estar visível durante aquela chuva forte."

- Impressionante. - elogiou o corvo, sobre uma lápide e olhando para a menina. - Foi você mesmo quem escreveu? - perguntou, um tanto incrédulo.

- E por que está duvidando? - indagou ela, desconfiada, guardando o papel em seu vestido. - Isto aqui foi como um treinamento, mas na verdade acabou servindo para uma redação na escola.

- Como é mesmo? Treinamento?

- Sim. - ela sorrira levemente, encarando a névoa do cemitério. - Acho que... É, é isso, quero me tornar uma escritora de sucesso. Finalmente encontrei minha vocação.

- Virar especialista nesse ramo não torna o sucesso uma garantia. - aconselhou o corvo, inclinando-se um pouco para a pálida menina.

- Eu vou me esforçar, ora. - retrucou ela, dando de ombros.

- Será que sirvo para inspira-la? - questionou o corvo, curioso.

- Depende... - disse ela, pondo as mãos para trás e olhando o chão, parecendo entediada. - Toda aquela pilha de livros da escola não se comparava à saudade que eu tinha das suas histórias.

- Então considero isto um sim. - decretou ele, empolgado.

- Não sei dizer ainda se você pode ou não servir de inspiração... Todos gostaram do texto, acho que talvez eu tenha me inspirado no seu jeito de narrar.

- Ótimo. Mas olha... não sei se gostará de história de hoje... É curta, mas até eu fiquei meio assustado. Na verdade, mas desconfiado do que assustado... Ou os dois? Enfim, não importa. Aqui vai...

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                                                                      WELCOME TO HELL

Aconteceu ainda em minha temporada naquele país, mais precisamente no estado de Minnesota, mas não voava em bando, então foram dias bem solitários... e meio sinistros. Nos noticiários - eu bisbilhotava bastante as casas durante quase todos os dias - havia sido informado um desaparecimento misterioso de cinco jovens pesquisadores, recém-saídos da universidade e formados em paleontologia. Eles foram à uma ilha distante em busca de vestígios de vida antiga e fósseis. Cerca de duas semanas se passaram, sendo que o prazo estabelecido para o término da viagem era de cinco dias. Uma onda de preocupação tomou conta dos familiares daquelas pessoas...

E foi então que veio o pânico. Principalmente para os malucos por teorias de conspiração, mas no caso deles foi mais empolgação do que medo. Uma equipe de reforço se dirigiu à ilha com o objetivo de se certificar quanto à presença dos jovens, apoiando a ideia de que decidiram estender o prazo a fim de aprofundar as pesquisas e gerar resultados mais consistentes. Mas não foi bem assim, claro. Não estavam mais lá. Nenhum vestígio sequer foi encontrado. Nem roupas, aparelhos ou pegadas. Nada. Duas semanas após a confirmação do desaparecimento, os amantes das teorias piraram...

Um vídeo foi postado em um site de compartilhamento, cujo título era "Welcome to Hell", que, em tradução livre, quer dizer "Bem-vindo ao inferno".

Não lembro bem o número de visualizações, mas certamente foi o mais alto já registrado. O vídeo iniciava com uma câmera balançando, parecia alguém correndo pela floresta, pois dava para ver a terra e todo aquele mato mesmo com a qualidade questionável. Abafados, estavam gritos. Depois aumentaram de repente. A cena cortou para uma caverna ou algum lugar subterrâneo, bem escuro. O modo de visão noturna da câmera tinha sido acionado, mas ver aqueles tons de verde por mais de cinco minutos me doeu os olhos. Um dos jovens apareceu, abrindo uma porta. Podia-se ouvir até a respiração do "cinegrafista" e dos outros também que não apareciam.

Na sala surgiu uma menina agachada. Ela vestia uma camisola branca e era loira. Quando o rapaz tentou chamar sua atenção, ela virou-se para ele mostrando um belo rosto de criança... mas em seguida alterou-se para uma monstruosidade, com olhos e as órbitas negros e a boca aberta e alongando-se. Quase caí da janela quando ela gritou. A cena cortou depois que a cinegrafista correu na mesma hora que viu a verdadeira face da garota.

Esta são só as cenas mais vistas e pausadas: Um monstro medindo mais de dois metros, muito cabeludo e enrugado, engolindo um dos pesquisadores com sua enorme boca cheia de dentes pontudos. Uma gruta onde "homenzinhos" vermelhos andavam em fila carregando o que pareciam ser entranhas. Uma gangue de fatiadores com a máscara da peste perseguindo os jovens por um corredor escuro (havia pegado um deles e o matado brutalmente). Mas a cereja do bolo - e a gota d'água para o cinegrafista - foi ter descido mais a fundo e encontrado uma espécie de seita sombria. Um monte de corpos cobertos de preto se entrelaçavam, parecia uma montanha de serpentes negras. Não pareciam serem humanos... pois claramente tinha chifres, além de olhos e dentes brancos. Acima deles estavam os corpos retalhados dos quatro jovens prendidos em correntes no teto.

Curiosamente, um mês depois o "cinegrafista" surgiu na mídia, alegando ser um sobrevivente. Havia momentos em que seu humor alterava-se subitamente, ele ria loucamente e após um minuto falava vários palavrões e ficava agressivo. O destino foi um manicômio de segurança máxima. A avaliação dos psiquiatras foi minuciosa: Havia instantes em que ele falava dialetos de vários países, dos atuais aos extintos, até de trás para frente. Porém, também dizia coisas completamente sem sentido, e quando era perguntado afirmava ser a "língua que eles falavam".

Em um dos momentos racionais do jovem, chamaram um dos membros da equipe de reforço. Durante o interrogatório, ele contou sobre como retornou da ilha e como o que tinha visto estremeceu sua mente. Disse também que não filmou nem a metade do que postou na internet. Só publicou o que achou mais "apropriado" para as pessoas verem, mas também pensando nas mais sensíveis.

As filmagens restantes, as quais ele alegava serem mais perturbadoras do que as que postou, foram destruídas antes de seu retorno à cidade. Seus sintomas eram graves; Tremedeiras constantes e intensas, bipolaridade extrema, confusão mental e tendências suicidas.

Ele não soube como havia sobrevivido àquilo, mas que pensava em seus colegas de trabalho todas as noites. E pediu também que jamais fossem para lá.

Um tempo depois, uma equipe de cientistas quis tirar a prova definitiva e desmitificar os conceitos extraordinários que atribuíam à tragédia e que muitos tomavam como verdade.

Eles seguiram pela mesma rota marítima que os pesquisadores... mas a ilha havia desaparecido. 

E, ainda por cima, o vídeo foi deletado... e substituído por outro mais longo contendo as filmagens descartadas como uma "versão estendida". Na descrição dizia: "Através desta amostra nós ajudaremos a trazer o verdadeiro inferno". 

Alguns casos de psicose e insanidade foram noticiados... e o responsável por excluir o primeiro vídeo e por postar o segundo continuou um mistério. 



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