Crítica - Mulher-Maravilha


Uma aventura digna da heroína.

AVISO: A crítica abaixo contém SPOILERS. 


Ao longo da história dos filmes de super-heróis foram poucas as vezes nas quais testemunhamos uma atenção dada às mulheres que combatem vilões diversos com suas habilidades extraordinárias e em nenhuma delas viu-se um funcionamento que chegasse à altura dessas personagens. Me refiro a presepadas desastrosas como o filme da Supergirl de 1984, Mulher-Gato com Halle Barry e a Elektra do mesmo universo do fracassado Demolidor (cujo ator, numa virada surpreendente, hoje integra o time principal de personagens do ainda meio perdido Universo Cinemático DC do qual também faz parte a maior super-heroína da editora que felizmente não teve o mesmo azar nas telonas que as predecessoras citadas). Chega então Mulher-Maravilha como um farol de luz esperançosa.

Se algum viajante do futuro me dissesse há 15 anos que a personagem que conheci (que na época mal conhecia bem, mas já considerava pacas) no desenho da Liga da Justiça ganharia um filme longa-metragem fazendo jus a tudo o que ela representa, eu, sem dúvida alguma, não teria acreditado. Até porque pouco antes da série animada da Liga pintar nas telinhas, DC para mim era só Batman e Superman e personagens como Flash, Lanterna Verde, Caçador de Marte e Mulher-Gavião ainda eram figurinhas novatas ao meu conhecimento mas não menos interessantes. O filme dirigido por Patty Jenkins tem a competência ímpar de inspirar novas transposições de heroínas às telonas. Tanto é que própria Marvel já agilizou a produção do filme da Capitã Marvel e até recentemente um filme solo para Viúva Negra. E a própria Warner/DC, diante do sucesso da voz feminina da trindade heroica, está aprontando trabalhos referentes à Batgirl e às Sereias de Gotham.

Somado à esse mérito singular, o longa executa a proeza de recriar uma ambientação fiel do contexto histórico (Primeira Guerra Mundial) de modo que torne fácil a imersão àquele mundo ao qual Diana observa com tristeza perante a todo o sofrimento das vítimas do conflito entre os homens. O confronto armado da primeira grande guerra é terreno fértil para o deus Ares, a ameaça-mor, interpretado por Daniel Thewlis (o professor Lupin de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) numa performance meio caricata e, de fato, rasa. Tá, ele é o vingativo deus grego da guerra, quer espalhar o caos no mundo inteiro, só que a retratação no terceiro ato beirou a algo próximo de um vilão de tokusatsu assim que ele traja-se com sua "armadura" com falas bem genéricas praticamente do tipo "Hahaha, você não pode me derrotar, eu vou te destruir, eu sou mais forte!". A maneira como ele é derrotado também não foi lá das mais críveis, no melhor estilo feitiço virando contra feiticeiro. Diana perdeu a espada, perdeu o laço, sobraram os acessórios mais poderosos, os famosos braceletes.

A aliança de Diana com Steve Trevor (Chris Pine) fomenta empatia (algo que Diana emana o tempo todo ao se deparar com o sofrido e atormentado mundo dos homens), de fazer você torcer por aquele casal até o fim... e no fim tudo acaba bem trágico (para Trevor), mas o bom é que o entrosamento dos dois é bem resolvido sem apelações para romancezinho água com açúcar ou exageros que destaquem isso, particularmente achei o interesse romântico partilhado entre eles bastante comedido. Inclusive, é com ambos que o filme apresenta os melhores diálogos, muito embora o texto não seja dos mais ricos e complexos. Não apenas da dupla como também dos companheiros de Trevor que constroem uma química divertida em cada cena, das mais sérias às mais relativamente cômicas.

Voltando a falar sobre o terceiro ato, a batalha final contra Ares no aeroporto sopra ecos sutis da batalha contra o Apocalypse em Batman VS. Superman, evocando essa lembrança em alguns trechos e diferente de muitos, não torci o nariz para a luta em si, achei bem orquestrada para um filme de origem. Das três melhores sequências de ação, apenas uma se sobressai largamente. Quando Diana, cansada de seguir os planos de Trevor, decide ir para o campo de batalha enfrentar a tropa inimiga sozinha e a extensão dessa cena é de encher os olhos com coreografias de luta bem segmentadas e empolgantes e uso do slow-motion reforçando ao invés de se mostrar desnecessário. Definitivamente, um dos momentos-chave da produção (Diana ali expõe a público seu senso de justiça amplificado pelo senso de moralidade), onde ocorre o registro em fotografia, a mesma vista em BvS e que, por sinal, aqui, é utilizada como um "portal" para mergulhar no passado.

Eu esperava um filme de origem convencional, não minto. Tudo começar no presente com monólogo da própria Diana enquanto a mesma entra no Museu do Louvre para em seguida tratar da proposta como um flashback estendido deu um ar episódico. Olhar para foto e lembrar do passado com nostalgia. Porém, em nada prejudica o que foi mostrado e como foi mostrado. Dá para relevar esse seguimento diferenciado na cena final com o monólogo que encerra com grandiosidade esse filme tão centrado e com uma protagonista de tamanha força para carregar uma história para chamar de sua.

Considerações finais:

Fato é que Mulher-Maravilha é um tremendo acerto por parte da DC Films como um filme de origem seguro em vários aspectos (técnicos e narrativos) -provando que Gal Gadot foi uma escolha correta - e que tem um paralelo interessante com O Homem de Aço sobre experiência. Assim como na produção mencionada vimos um Superman em treinamento, inexperiente e imaturo, em seu filme solo Diana Prince transpareceu exatamente a mesma postura diante de um mundo novo que ela se prestou a proteger em nome do bem maior. Finalmente me sinto menos descrente em relação a como super-heroínas podem ser representadas nos cinemas graças a importância que esse filme (intencionalmente ou não) resolveu lapidar.

PS1: A paleta de cores também é de encher os olhos nos melhores momentos. Quadrinesco ao extremo.

PS2: No meu ver, o primeiro ato ser dedicado inteiramente às amazonas e à própria Diana em plena construção do seu eu heroico foi bem encaixado. A partir da "fuga" de Themyscira, o filme relega as guerreiras ao esquecimento justamente para focar no que é essencial dali em diante, então não faria sentido intercalar a missão de Diana, Trevor e cia com mais cenas de Hipólita e as demais sobre o quanto essa partida da filha gerada do barro (o que nos Novos 52 é tido como mentira, ela é filha de Zeus) abalou as estruturas. Entendi que as amazonas tocaram o foda-se e Hipólita sofreu sozinha com a decisão de Diana em ir com um macho para o mundo dos mortais.

PS3: Teve um vibe tão Xena nos combates entre as amazonas. Deu vontade de rever a série. Quem dera um filme da Princesa Guerreira nessa pegada... eu ia infartar.

NOTA: 9,0 - ÓTIMO

Veria de novo? Com certeza. 

*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://www.heroisdateve.com.br/mulher-maravilha-filme-ganha-novo-comercial-estendido-e-poster/

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