Puro silêncio


Eu não sabia se conferia o relógio primeiro ou pisava no acelerador de tanta pressa e cansaço que pareciam fazer cabo de guerra da minha mente. Eu apenas queria cair na minha cama ou no meu sofá e recarregar as energias para uma nova jornada pesada de trabalho. Já estava próximo de casa quando ouvi um estampido, um estouro... abafado, mas amedrontador, dava impressão de ser um tiro de escopeta. Nessa hora meu corpo reagiu no modo piloto automático, em segundos saí do carro, bati com força a porta e corri para ver o que tinha acontecido. Minha esposa quase nunca espera eu chegar e as crianças jamais me viram entrar morto de cansado após o trabalho.

Aquilo era atípico. Logo acontecendo comigo, alguém preso na rotina que tem pavor de qualquer coisinha inesperada que apareça de diferente. Dei graças pela porta estar destrancada. Tudo no maior e mais pleno silêncio. De luz só a da lua pelas janelas. Que tiro foi aquele? Teria sido um tiro?

Minha espinha arrepiava a cada passo dado. Pus minha mala cautelosamente na poltrona, andando na ponta dos pés e os olhos passando por cada canto escuro. Parecia realmente não haver ninguém. Quase pus meus bofes para fora ao sentir pisar numa coisa no chão que fez o mínimo barulho possível. E se o assassino, seja lá quem fosse, fez aquilo pra chamar minha atenção sabendo que voltaria no horário informado pela minha esposa rendida com meus filhos, os três ameaçados de serem mortos se abrissem o bico? Sei lá! Era tanta paranoia na minha cabeça e eu ia vomitar de nervoso ali e acabar levando bala!

Peguei a merda do papel amassado e tinha algo escrito. Eu fui lendo e segurando com as duas mãos tremendo. Um bilhetinho sinistro: "Quatro regras: (1) Siga até a cozinha; (2) Não entre armado; (3) Negocie comigo; (4) Não interaja com sua família até fecharmos acordo."

Fiz tudo o que o bandido pediu... pediu não, exigiu. A porta da cozinha escancarada me bateu um frio prolongado na barriga, eu já estava suando gelado pelo corpo inteiro. Abri tão devagar que rangeu. Tentei ignorar os resíduos de sangue na maçaneta.

Jurei que só abriria os olhos quando entrasse. Alcancei o interruptor e arregalei os olhos por sentir uma outra mão sobre ele. Os dedos finos de unhas grandes desta mão acenderam as luzes.

Meu coração teve um baque com o estourar... de um lança-confetes.

A minha família e a da minha esposa, todo mundo reunido, começaram a cantar parabéns pra mim. A minha esposa veio até mim sorridente mostrando as palmas das mãos sujas de tinta vermelha que ela usou para escrever na faixa para escrever "Feliz Aniversário". Um dos meus filhos, o mais velho, me mostrou uma bexiga espocada pouco antes de eu chegar e confundi com disparo de arma. Eles riram de mim pela minha tremedeira e comecei a rir com eles como nunca antes.

Isso sim que eu chamo de festa-surpresa.

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N.A: E esta foi a minha primeira trollpasta 😄

Este conto foi escrito e publicado exclusivamente para o Universo Leitura. Caso o encontre em algum outro site com créditos e fonte ausentes, não hesite em avisar! 

*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: https://www.spiritfanfiction.com/historia/pendant-3901484/capitulo2

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