segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Casei-me com a escuridão


Sangue escorre pelas minhas mãos. Paredes caíram como cacos de vidro sobre mim. Estou soterrado, mas ainda restam-me forças para levantar.

Me levanto... vejo sorrisos ardilosos disfarçados com uma odiosa máscara amistosa. Por que conseguistes ver a verdade tão tarde?

Por que tive que me levantar? Agora penso que eu deveria estar abaixo destes escombros e encontrar conforto na escuridão que se formou.

Buscarei refúgio na única coisa que me abraçou mais forte que qualquer braço humano. Casei-me com a escuridão.

O criar de um elo e o destruir de outro. Agora que estou aqui, viverei nova vida junto à ela.

Quebrei as correntes que me amarravam àquele mundo, onde a podridão ascendente entrava pelas minhas narinas e afetava meu bom senso.

Doce escuridão. Me aceitastes como sou, o grande amor que sempre estive à espera. Viveremos atrelados à um mundo que nos pertence.

Geraremos lindos filhos. E o primeiro deles se chamará solidão.

2 comentários:

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