Capuz Vermelho #1: "Aqueles que se esgueiram nas sombras"


                                                                   INÍCIO 1ª TEMPORADA


CAPÍTULO 01: AQUELES QUE SE ESGUEIRAM NAS SOMBRAS. 

Inglaterra - Outubro de 1920.

6 meses depois.

Após um certo período desempenhando sua função como membro da sociedade mais secreta de toda a Inglaterra, Richard começava a levantar suspeitas, em relação à sua esposa, que passou a desconfiar do fato de o marido sair tarde da noite sempre que há lua cheia. Ela escrevia em seu pequeno diário tudo o que a atormentava desde então, discorrendo lamúrias do tipo "não recebo mais atenção adequada", "ele parece não me amar mais" etc.

Durante tal período, o cientista não se aguentou de tanta felicidade ao receber a notícia da gravidez de sua esposa. Por enquanto, tudo era um perfeito mar de despreocupação. Acreditava que o futuro herdeiro daria continuidade a seu legado na sociedade. Até descobrir, após 2 meses... que se tratava de uma menina. No exato momento da espantosa notícia, Campbell não havia decidido com certeza qual reação esboçar: medo ou alegria. Àquela altura, já sabia e temia pelo seu destino como um seguidor de Abamanu, a entidade divina conhecida como "aquele que trará de volta a escuridão".

No consultório, ambos conversavam com o médico sobre a descoberta.

- D-doutor... isso é mesmo verdade? - perguntou Richard, apreensivo.

- Sim, é verdade. Só tenho a desejar os meus sinceros parabéns. E que esta menina ilumine a vida de vocês. - disso o médico, entusiasmado.

- Deus o ouça doutor. Obrigada pela ajuda. - disse a esposa de Richard, Martha Campbell.

- O-obrigado também doutor... Martha e eu estamos deveras felizes com essa notícia. - afirmou Richard, suando constantemente.

Depois de saírem do consultório, ambos ficaram parados de frente um para o outro. Martha com os braços cruzados e sobrancelhas franzidas, denunciava uma certa insatisfação. Richard a olhou com estranheza.

- O que houve? Pensei que estivesse feliz. Não está feliz por estarmos esperando uma menina?

- É claro que estou. Mas acho que não posso dizer o mesmo de você, já que ficou nervoso o tempo todo. Aliás, nervoso não, estava com medo. - acusou Martha.

- Não entendo porque acha isso. O nervosismo é normal para qualquer futuro pai que está esperando um filho. E eu não estava com medo...

- Pára! Pára de mentir pra mim. O que me deixa com raiva é você estar saindo todas as noites que tem lua cheia, nos últimos meses tem sido bem frequente. Além disso, você tem agido estranho comigo. O que está havendo? O que está escondendo de mim?

- Olha, não é muito saudável você ficar assim irritada. Acontece que há dias em que vou até o jornal escrever algumas matérias com antecedência. O fato de ser em noites de lua cheia não passa de uma mera coincidência, sendo que mal reparo nisso. - justificou Richard colocando suas mãos nos ombros de Martha a fim de acalma-la.

- Ótimo... tudo bem. Acho que estou paranoica ao desconfiar de você assim... me desculpe. Mas me prometa que na próxima noite de lua cheia esteja ao meu lado na cama.

- Eu prometo. - disse Richard, abraçando-a em seguida.

"Estou com sérios problemas. Primeiro a notícia de que terei uma filha, agora minha esposa desconfiada de mim. O meu futuro naquele grupo pode estar arruinado se tudo isso chegar à um ponto crítico", pensou o cientista durante o forte abraço.

A preocupação foi sua companheira de todas as horas a partir do momento em que a notícia do sexo do bebê foi revelada. Em certo dia, em mais um culto ao "Deus da escuridão", Richard foi o último a chegar ao salão principal, sendo apenas 2 minutos atrasado. Constantes atrasos se mostravam frequentes após os seis meses, o que despertou desconfiança em quase todos os membros. O Mestre de Cerimônia, vestindo um capuz de um vermelho bem mais vivo que os dos demais, aproximou-se de Richard para cumprimenta-lo, além de adverti-lo. Ele aparentava ser bem mais velho que os outros, pela sua rouca voz.

- Bem-vindo novamente senhor Campbell. No entanto, devo reclamar mais uma vez de seu novo atraso. Saiba que se o fizer novamente na próxima reunião... não hesitarei em expulsa-lo. Fui suficientemente claro?

- Sim senhor. Lhe garanto que não irá acontecer de novo.

- Assim espero. Vá para seu lugar. Iremos começar imediatamente.

Todos os membros tinham de ficar em seus respectivos pontos, sendo 3 na esquerda e na direita. Isto era um método para que a oração fluísse de maneira equilibrada, e as palavras atingissem a estátua de Abamanu em ambos os lados. A estátua ficava no centro da sala. Abamanu representava-se como uma espécie de quimera. Possuía cabeça e corpo de lobo, patas de leão, pernas de lagarto (ou, muito provavelmente, de dragão) e uma cauda enorme de escorpião. Vestia uma reluzente armadura dourada e portava uma lança e um escudo na mão esquerda e direita respectivamente, ambos com significados distintos.

Já houve casos recentes de a estátua simplesmente emitir uma luz vermelha, começando pelos olhos de Abamanu. Isto fez com que a adoração e a crença fortalecessem-se rapidamente, tornando os cultos ainda mais intensos. Os membros acreditavam piamente que tal luz significava uma resposta do Deus, e interpretaram-a como um agradecimento por tamanha veneração. Além disso, é devido a este fato que a sociedade mantém os capuzes como vestimentas padrões do culto, e a cor vermelha (tanto dos capuzes quanto da luz) só elucidou que Abamanu está satisfeito com a adoração.

Richard, até então, permanecia como o mais crédulo da sociedade, chegando a exagerar em certos cultos, onde exigia mais poder por parte da oração. No dia em questão, após o término do culto, Richard foi o primeiro a sair, gerando curiosidade entre seus colegas.

- Para onde vai com tanta pressa, Campbell? - perguntou um membro, o qual chamava-se Ronnie.

- Não acho que seja necessário eu contar. - respondeu Richard, a passos largos.

- Ah, para com isso. Você está aqui há mais de 6 meses, e nunca trocamos umas ideias direito. Vamos, conte-me o que há. - disse Ronnie, colocando seu braço direito sobre o ombro de Richard.

O cientista e redator atormentado parou sua caminhada rumo à porta de saída para, relutantemente, revelar o que estava acontecendo.

- Está bem, já que insiste... Minha esposa está esperando um filho. Então, se me der licença, tenho que ir para estar junto dela.

- I-isso é ótimo Campbell! Os outros precisam saber disso agora mesmo. Eles vão ficar bastante orgulhosos de você, ainda mais se souberem que se trata de um menino... Por favor, me diga que é menino.

- S-sim... é um menino. Martha e eu já estamos planejando um quarto para o bebê. - disse Richard, apertando o punho esquerdo por tamanha pressão.

- Ufa, ainda bem. Não sei como se sentiria sendo o único do clã a não ter um filho. É desanimador pra mim. Mas estou feliz por você, meu caro.

- Obrigado. Mas faça-me o favor de não contar isso aos outros, principalmente ao Mestre. Ainda é meio cedo, se é que me entende. Ouviu bem? - ordenou Richard, com o dedo indicador trêmulo.

- Pode deixar. Sou especialista em guardar segredos. - disse Ronnie sorrindo.

Os dois caminharam juntos até a saída, conversando abertamente sobre assuntos considerados picantes.

- Engraçado... você é o único que não tira o capuz quando termina um culto. Mas me diz uma coisa... qual foi a noite mais alucinante que você já teve com sua esposa?

- Bem, foi uma em que eu estava bastante...

 Naquela noite tornaram-se bom amigos... pelo menos até os próximos 3 meses.


3 meses depois.

Em uma ensolarada tarde, Richard deu uma pausa em seus estudos científicos para visitar sua mãe, uma senhora com seus 60 e bem cuidados anos. A casa ficava próxima à um bosque bem arborizado, onde podia-se ouvir constantemente o canto de pássaros das mais variadas espécies. Batendo na porta da casa de sua mãe, Richard a esperava com ansiedade pois não a via desde que entrou para a sociedade.

Uma calorosa recepção foi dada pela gentil senhora, que havia interrompido seu tricô. Após beijos e frases típicas de quem não viu mais aquela pessoa, os dois entraram. Richard sentou-se na cadeira da mesa e sua mãe permaneceu na poltrona fazendo o tricô enquanto a conversava se mostrava produtiva.

- Bem, mãe, só queria dar uma notícia à senhora... é sobre a Martha...

- O quê? Não me diga que ela teve uma outra recaída com a depressão...

- Não, não é nada disso. Afinal, ela já superou isso faz tempo. A notícia que quero dar é a de que... teremos um bebê. É uma menina.

- Oh, que bom. Parabéns pela conquista. Mal posso esperar pra ver como é minha futura netinha.

- Tem certeza? A senhora não me parece muito contente...

- Eu estaria se... se você cuidasse mais de sua própria saúde.

- Mãe.. já faz alguns meses que não sinto mais dores no peito. Acho que isso é um bom sinal.

- Eu não sei... apenas tenho certeza de que estou com um mau pressentimento. - disse a senhora com um olhar preocupado.

O telefone havia tocado, assustando mais Richard do que sua mãe. O amado filho correu para atender a chamada e estranhou o fato, pois geralmente sua mãe quase nunca recebe ligações, a não ser dele ou de outros membros da família. Do outro lado da linha, era Martha... copiosamente aos prantos.

- R-Richard... preciso de você agora... acho que vai nascer!

- M-mas já? O médico havia dado previsão apenas para as duas próximas semanas!

- Pois é... vem logo!! Aaaaaahhh!! - gritava Martha, segurando a barriga firmemente.

- Tudo bem, já estou indo. Fique calma!

A mãe de Richard observou toda aquele nervosismo naturalmente. Para seu filho, ela tinha um certo dom de clarividência, ainda não confirmado e bastante misterioso.

- Desculpe ter que sair assim, mãe... mas acontece que Martha irá dar à luz agora mesmo. - disse ele, pegando seu casaco.

- Como eu imaginava. - disse ela, voltando sua atenção novamente para o tricô.

- Como assim mãe? O que quer dizer?

- Apenas vá filho. Mas lembre-se do que eu disse. Quando imagino que algo está prestes a acontecer, eu sempre estou certa.

Richard permaneceu por poucos segundos refletindo sobre aquele suposto aviso, mas tratou de sair o mais depressa que pudesse ao bater a porta com força. Sua mãe levantou-se da poltrona apenas para observa-lo correr floresta adentro. Afastou as cortinas e avistou seu filho já um pouco longe dali com sua visão inabalável aos efeitos do envelhecimento.

- Eu poderia chorar tanto de tristeza quanto de alegria... mas algo me diz que devo permanecer séria e enfrentar essa tempestade que está por vir. - disse ela, lamentando precocemente algo que ela mesma pressagiou.

Chegando em casa, após cerca de meia hora correndo, Richard se deparou com sua esposa sendo amparada por vizinhos, incluindo uma parteira bastante famosa no bairro onde moravam. Martha gesticulou com a mão chamando Richard para ajuda-la. O mesmo se prestou a enxugar suas lágrimas, enquanto ela respirava ofegante, mal conseguindo balbuciar uma só palavra.

- R-R-Richard... e-eu... preciso te contar uma coisa... aaahhh!!

- O quê? Já está me assustando com isso tudo... tenho medo do que irá dizer. - disse Richard, com os olhos já marejados.

- É sobre o bebê... f-fui a-ao médico... as escondidas... e ele me r-revelou...

- Vamos... fale, você consegue!

- M-me revelou... que... a g-gravidez é de risco... aaaaaahhhh!!!

O tempo parou para Richard naquele instante. Em completo estado de choque, o medo lhe subiu à cabeça como nenhuma outra emoção o havia feito antes. A parteira, vendo o estado da pobre mulher, logo se pôs a interferir e realizar seu trabalho.

- Melhor que vá para fora. Agora que ela disse isso... acho bom você começar a rezar pelas vidas de ambos. - aconselhou ela à Richard.

Passaram-se exatamente uma hora. Assim que a porta se abriu, Richard pôde ver, pela primeira vez, o rosto de sua filha, nos braços de um dos vizinhos. Ele a segurou calmamente e emocionado. A parteira logo veio atrás, com uma expressão tão séria que chegava a ser aterradora. Richard olhou fixamente nos olhos dela... pronto para fazer a pergunta mais torturante.

- O que houve com Martha?

- Eu lamento senhor Campbell... infelizmente... ela não sobreviveu.

Um silêncio perturbador se fez quase que permanente no local. Os vizinhos saíram um por um... todos comentando o ocorrido bastante comovidos. O recém-viúvo abaixou a cabeça e seguiu na direção em que veio da casa de sua mãe carregando o bebê. Depois da declaração de Martha, obviamente ele já temia por aquilo, logo a surpresa pela morte da esposa não foi sequer notada ou expressada. Já era quase final de tarde... a luz do sol, já em seus derradeiros momentos, cintilava os rostos de ambos. Lágrimas caiam abrilhantadas pela luz.

A única pessoa realmente confiável da sua família que tinha condições e, principalmente, disposição para cuidar da pequena era a sua própria mãe. Ao bater na porta, ela logo foi surpreendida pelo que seus incrédulos olhos enxergavam. Uma enxurrada de notícias devastadoras a abalou profundamente. Enquanto a senhora acalentava a pequena recém-nascida, Richard foi até seu antigo quarto escrever uma carta... em seguida a deixando em cima da cama de sua mãe.

- Aonde pensa que vai? - perguntou sua mãe.

- Por favor mãe... cuide dela como se fosse a filha que você nunca teve. Eu não estou me sentindo muito bem... um doente cardíaco como eu jamais cuidaria bem dessa criança. Eu ficaria muito agradecido se o fizesse... por mim e pela Martha. - disse Richard, próximo de sair da casa.

- Está bem... tenho certeza que ela sentirá sua falta.

- Eu também acho... melhor eu ir. - disse ele, virando as costas e caminhando lentamente. - Ah, e mais uma coisa: Ela vai se chamar Rosie.

- Tudo bem filho... seu pedido é uma ordem. Vou registra-la com esse belo nome que escolheu.

Ao caminhar pela floresta, desnorteado e feliz ao mesmo tempo, em uma estranha e confusa dança de sentimentos opostos, Richard se perdeu... e desfaleceu sobre aquela terra após o último bater de seu coração.

Enquanto isso, escondido em arbustos e vigiando precisamente a mãe de Richard e o bebê, um estranho homem encapuzado se encontrava nas sombras da floresta, próximo à casa da senhora. Aquela informação valiosa que estava vendo o fez aguardar uma futura recompensa.

- O Mestre não vai gostar nem um pouco disso... que pena Campbell... e que pena também de sua pobre filhinha... o sacrifício deve ser feito.


                                                                   CONTINUA... 

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