Capuz Vermelho #2: "A Herdeira Amaldiçoada"


CAPÍTULO 02: A HERDEIRA AMALDIÇOADA. 


Inglaterra, 1938. (18 anos depois)

"OBS: Mãe, por favor, mostre esta carta à Rosie quando ela completar exatamente 18 anos. Ficarei agradecido se o fizer. Quando ela chegar à essa idade, terá o total direito de saber tudo sobre mim. 

Bem, não tenho muitas palavras em mente para expressar o quão abalado estou pela morte de sua mãe, Martha. Ela era uma mulher adorável e batalhadora, nunca se deu por vencida quando precisava enfrentar as intempéries que a vida nos trazia. Não tenho muito tempo... confesso que estou morrendo, por dentro e por fora. Apenas quero que entenda a verdadeira razão pela qual escolhi este caminho sem volta. 

Martha e eu estávamos em severas condições financeiras. Honestamente não enxergava uma solução, morreríamos de fome. Foi então que mantive contato com pessoas meio estranhas... elas me ofereceram uma proposta, e eu, ingênuo, acabei aceitando. Tratava-se de uma iniciação em uma sociedade secreta, conhecida como Red Wolfs (Lobos Vermelhos). Recebi o convite e um manual uma semana antes de começar. Nossa situação estava tão crítica que cheguei a pensar que não havia Deus algum... eu precisava seguir outra doutrina, mais firme, mais convicta, mais poderosa. Era pegar ou largar. Era a nossa única solução. Eu vi naquela entidade a salvação para mim e sua mãe. Não demorou para que eu conseguisse um emprego alternativo, em um jornal local, na redação. 

Eu louvei em agradecimento em todos os cultos por essa conquista. Com o tempo eu fui me tornando um membro efetivo para o clã. Entretanto, eles não me revelavam quase nada sobre os reais planos do nosso deus, chamado Abamanu. A única pessoa da família que sabia disso era sua avó. 

Eu somente sabia que ele retornaria... algum dia, para trazer uma nova era à humanidade. Quando eu e sua mãe descobrimos que o bebê era uma menina, eu fiquei assustado. Isto pelo fato de uma das regras mais rigorosas da sociedade ser de que todos os membros deveriam possuir apenas filhos homens. Caso contrário, tal membro seria considerado um herege e perseguido até a morte. 

Como estou prestes a me despedir deste mundo, quero que saiba que você está em perigo constante. Pois sem mim, já morto, os meus ex-colegas certamente virão atrás de você e usá-la como sacrifício para Abamanu. Você está segura na casa de sua avó, mas não por muito tempo. Só peço que, como medida de proteção, use meu manto vermelho, o qual eu vestia durante os cultos. Ele é sagrado, minha energia positiva está contida nele e você estará protegida até certo ponto. 

Quando chegar a perceber que está realmente ameaçada, fuja para bem longe. Fuja para um lugar inóspito, onde absolutamente ninguém desse maldito grupo possa encontra-la.

De preferência - agora falando com sua avó -, por favor, mãe, deixe que ela fuja com o filho daquele meu antigo colega da Universidade, que você bem conhece. Ele, no momento, está com apenas cinco anos, mas tenho certeza de que quando Rosie alcançar a idade citada ela estará em boa companhia. 

Rosie... mesmo tendo pegado-a brevemente no colo... amarei-a para sempre. 

Adeus. 

                                                                                                                         Richard Campbell



- E estas foram as últimas palavras escritas em um papel por seu pai. - disse a mãe de Richard para Rosie... ambas sentadas à mesa da sala, emocionadas com a carta.

- Eu não posso acreditar... Por que tinha que ser assim? - disse a garota, com as lágrimas ainda nos seus grandes olhos, prestes a escorrerem por sua pele cor de neve.

- Infelizmente seu pai ainda estava muito doente naquela época. Sofria de sérios problemas cardíacos, e às vezes não ligava quando eu lhe dava umas boas broncas.

- Então... nada disso teria acontecido se ele não tivesse encontrado esses homens. Estou completamente confusa... já não sei mais quem é o mocinho e o vilão dessa história.

- Acalme-se. Ainda há muitas respostas a conseguir. E você irá encontra-las... sei que vai. - disse a senhora, acariciando as brancas mãos de Rosie.

- Sabe, vó... já me perguntei inúmeras vezes sobre esse seu dom...

- Do que está falando?

Rosie apertou seu olhos, em sinal de uma análise profunda. Somente gostaria de saber de onde vinha tanta certeza sobre o que sua vó falava a respeito daquilo.

- Nada... deixa pra lá. - disse ela, levantando-se e enxugando as lágrimas, sorrindo levemente.

Pegando-as de surpresa, o irritante e estridente toque do telefone soou pela casa inteira. Rosie se prestou a atender, mas sua avó tomou a iniciativa mais rápido.

- Pode deixar, eu mesma atendo. - disse a senhora, passando na frente de Rosie com estranha rapidez.

- Alô.

- Err... Creio que seja da casa da senhora Campbell, certo?

- Bem... está falando com ela. Presumo que seja Hector, o filho do amigo de Richard.

- Sim, exatamente. Sou eu mesmo. Como eu havia dito na carta que enviei à senhora, liguei para avisar que estou indo hoje iniciar a viagem que o Sr. Campbell propôs em sua carta de despedida.

- Ótimo. Estou esperando-o... principalmente minha neta, ela está ansiosa para conhece-lo.

- Tudo bem. Virei assim que o sol se pôr. - disse o jovem caçador, quase aos risos.

Rosie a olhou com certa desconfiança. Seu olhar logo denunciou que a mesma pedia explicações a respeito do que sua avó aparentemente escondeu dela.

- O que houve? Ah sim, já sei...

- Por que a senhora insiste em esconder coisas importantes de mim?

- Rosie, entenda, por favor. Ele havia me enviado uma carta em resposta á cópia da carta de seu pai que eu escrevi e enviei pra ele, somada à algumas observações. Ele aceitou o pedido. Logo mais ele chegará. - disse a senhora, saindo da sala, emanando uma tranquilidade nunca antes vista.

- Err... vovó, o pai desse tal de Hector ainda é vivo? - perguntou Rosie, curiosa.

- Infelizmente não. Sua morte ainda permanece um mistério sem solução, mas rumores antigos diziam que ele foi assassinado por um monstro... ou algum animal selvagem.

- Nossa... eu nem imagino como ele deve estar se sentindo.

- Provavelmente o mesmo que você, só que duas vezes pior. Afinal, ele viu o corpo do pai estraçalhado no chão, e não duvido que ele tenha presenciado a morte.

A garota engoliu subitamente a saliva ao ouvir aquelas palavras. Sentiu um certo interesse em investigar tal caso, mesmo tendo sido encerrado há anos pela falta de pistas que ajudassem a dar um rumo melhor à investigação. Ficou por horas deitada na cama, olhando para o telhado desgastado e imaginando a fisionomia de seu futuro companheiro de viagem, enquanto sua avó preparava o jantar.

Horas de devaneios contínuos reavivou sua vontade de conhecer o mundo à sua volta de modo mais liberto. Durante toda a infância, Rosie era a criança irrequieta e sonhadora, mas que era vítima constante das limitações impostas pela vida, o que, de antemão, a fazia reprimir seus desejos mais intensos, os quais ela não imaginava que iriam surgir tão cedo.

Seus longos cabelos pretos brilhantes ocultava quase que totalmente o branco vivo do travesseiro. Umas fortes batidas na porta a despertou abruptamente de seu estado meditativo, fazendo-a correr diretamente à sala e saber de quem se tratava.

- Err.... olá!? - disse ela, logo ao abrir a porta.

Era Hector, aquele que a acompanharia em sua jornada para fugir dos olhos atentos dos "Lobos Vermelhos".

- Olá... você é a Rosie, não é mesmo? - perguntou timidamente.

- S-sim... minha avó está preparando o jantar. Seja bem-vindo. Pode entrar. - disse ela, abrindo mais a porta.

Hector vestia um sobretudo marrom, o qual escondia alguns truques para quando a situação exigisse. Seus apetrechos estavam praticamente visíveis, tais como: revólveres, flechas, um pequeno arco e adagas.

- Tudo bem... pode ficar à vontade. Ela não vai demorar.

- Assim espero. Mas não ficarei para o jantar. Devemos partir daqui a 30 minutos. - disse o caçador, sentando-se no sofá, expressando seriedade e firmeza, tanto na fala quanto no semblante.

- Você parece bem apressado...

- Bem, nunca gostei de esperar muito. Mas se quiser se sentar, podemos conversar um pouco... sobre seu pai e a ligação com os "Red Wolfs".

A jovem sentiu seu coração disparar repentinamente. Somente aquelas duas palavras a faziam tremer e arregalar os olhos, o que logo percebeu-se que a mesma não queria adentrar no assunto.

- Err... tudo bem. Pela sua expressão assustada, obviamente não quer falar sobre isso.

- Sim... eu não quero. É doloroso demais pra mim ter que remoer algo de um passado triste.

- Entendo... acredite, para mim também é... pois também perdi o meu pai... de uma maneira que jamais vou esquecer.

A avó de Rosie logo acabara de terminar sua obrigação final do dia. Adentrou na sala, interrompendo a conversação. Surpresa, ela se prestou a cumprimentar o jovem caçador.

- Olha quem está aqui... se não é Hector. - disse ela, aproximando-se sorridente.

- É uma prazer revê-la senhora Campbell. E uma honra também estar presente em sua casa.

- Realmente não parece aquele garoto espevitado de antes... estou orgulhosa de você pelo rumo que quis tomar. Rosie, você estará em ótima proteção, Hector possui uma bravura e determinação como ninguém. Consigo ver só de olhar nos olhos dele...

- Obrigado. A propósito, Rosie, você poderia se arrumar... nosso tempo de partida logo virá.

- Tudo bem. Vou me trocar. - disse ela, saindo rapidamente da sala.

- Ah, Rosie! - chamou a senhora.

- Sim, vovó. O que é?

- Não esqueça do mais importante.

- Sim... eu já sei. Foi a primeira coisa de que me lembrei.

Ao abrir seu guarda-roupa, a jovem teve um rápido e surpreendente vislumbre do manto que pertencera a seu pai. "Ué... não lembro de tê-lo deixado aqui. Deve ter sido a vovó", pensou ela, desconfiada. Cerca de 10 minutos passaram-se. Rosie surgiu na sala esbanjando um estilo até então nunca adotado por ela. Com botas, uma meia-arrastão e uma espécie de collant rubro, a jovem seguiu estonteante pela sala, surpreendendo positivamente sua avó e Hector. O vermelho vivo do capuz contribuiu para tamanha admiração.

- Você está... incrível. - disse Hector, sorrindo de modo tímido.

A bela jovem soltou um fraco "Obrigada". Não parecia ainda totalmente entusiasmada em fugir para tão longe, e na companhia de um, até aquele momento, estranho. Ainda que estivesse relutante, sua coragem era expressada com firmeza, ao menos por enquanto. A impressão errônea era de que ela estivesse com medo de seguir à uma perigosa jornada à lugares nunca antes tocados por seus pés. Mas entendia perfeitamente que era necessário...

Já próximos da partida, a ambígua despedida se fez quase que eterna, resumindo-se em abraços calorosos e uma certa indecisão sobre dizer "Adeus" ou um "Até logo". No fim, toda a confiança que aquela determinada senhora depositou em ambos parecia inabalável. Não chegou, em nenhum instante da despedida, a utilizar de sua suposta clarividência. Na realidade, ela se fez quase que inexistente. O que fora um alívio para Rosie, já que tal dom a afligia.

A noite caíra rápido no dia em questão. Uivos puderam ser ouvidos a uma longa distância por ambos, enquanto iniciavam a caminhada pela floresta, adentrando na quase inebriante escuridão. Hector estagnou-se ao ouvir os sons dos lobos... uma certa insegurança lhe tomou o fôlego.

- Por que paramos? - perguntou Rosie.

Hector apenas levantou a mão direita, pedindo uma espera.

- É bom me dizer o que está havendo. Aliás, você não me disse para onde estamos indo.

- Ainda bem... eles pararam.

- Eles quem?

- Alguns lobos que estão uivando a quilômetros daqui. Fiquei temeroso pelo fato de me lembrar do dia em que vi meu pai morrer.

- Bom, acho que é bem inconveniente eu perguntar algo em relação à isso agora. - disse Rosie, sensibilizada pela reação de Hector.

- Não, tudo bem. Quando estiver com vontade de perguntar algo sobre isso, não hesite, eu a responderei. Sobre nosso destino... bem, tenho este bloco de notas, serve como um guia. - disse o caçador, tirando um grosso e pequeno bloco de papéis um tanto amarelados. - Estamos partindo para um vilarejo próximo. Eu elaborei uma espécie de mapa escrito nesse bloco, com todos os lugares onde passaremos, no entanto, qualquer coisa que puder acontecer à nós pode mudar esse rumo traçado. Um amigo meu me ajudou a elabora-lo, em algumas partes. Ele é especialista em coletar informações sobre conspirações e tem informações cruciais sobre os "Red Wolfs".

- É sério!? Se houver uma chance de contacta-lo, vamos estar à um passo à frente muito mais cedo do que esperávamos. - empolgou-se Rosie.

- Porém... isto não será possível, pois ele morreu misteriosamente. Somente sua mão esquerda foi encontrada. Não duvido que a mesma criatura que matou o meu pai o decepou até a morte. Mas ele havia me dito, cerca de poucos dias antes de morrer, que tem um tio distante que já trabalhou como mordomo para um dos membros da sociedade. Ele mora exatamente neste vilarejo para onde estamos indo, especificamente na área nobre.

- E o que esse tio desse seu amigo tem de tão importante para ser investigado? - perguntou Rosie, dando continuidade à caminhada.

- Uma informação privilegiada é a de que ele é um colecionador... é muito provável que encontremos objetos que favoreçam nossa investigação. Só devemos tomar cuidado e estarmos atentos, pois há uma grande possibilidade de sermos perseguidos em uma das cidades, pelo fato dos membros terem se espalhado para diferentes lugares da Inglaterra. Ou eles estarão muito próximos de nós ou estaremos muito distante deles no decorrer da viagem.

Uma árdua e arriscada jornada se iniciara a partir daquele momento...

Enquanto as respostas não vinham, o tempo se tornara o elemento dúbio nesta imprevisível caçada e fuga...


                                                                   CONTINUA... 

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