Crítica - O Chamado 3


A maldição da franquia é não saber quando e muito menos como parar.

AVISO: A crítica abaixo contém SPOILERS. 

Perdi alguns minutinhos imaginando uma forma menos problemática de começar essa review, não decorrente de bloqueio, mas pelo fato desse filme ter me arrancado as palavras. Nem pense que por isso ele foi emocionante. A franquia da nossa queridinha cabeluda Samara Morgan insistiu no erro em trazê-la de volta num contexto com toda modernidade e esse blogueiro solitário cometeu o erro de assisti-lo. Inevitável, logicamente, afinal somos humanos, criaturas incorrigíveis, teimosas e imprudentes, sempre tendendo a bater na mesma tecla mesmo que ela nem funcione como antes ou passe a gerar problemas quando anteriormente eram maravilhas. Samara está de volta nesta tentativa de fechar uma trilogia com O Chamado 3 (Rings, no original), cuja trama amplia o teor de ameaça.

No meu entender, o longa começou errando. A sequência próloga passa-se em 2013, dois anos antes do período principal, com o personagem Carter (Zach Roerig, o Matt Donovan de The Vampire Diaries) a bordo de um avião onde revela a uma garota chamada Faith que viu a fita cassete de Samara Morgan. Nesta época tal tecnologia já estava ultrapassada. Correto? Pois é... O filme tem umas lacunas e segue-se com uma estruturação no mínimo estranha, com jogadas de informações que parecem ter pouca serventia aos envolvidos na situação. Nada parece importar. Nada parece transmitir impacto. Se filtrar o que teve de boas atuações, sobram Matilda Lutz e Johnny Galecki. E Vincent D'Onofrio, inclusive. O resto... deixa pra lá.

Agora o lance é compartilhar o vídeo. Você assiste o vídeo, recebe o prazo de 7 dias e deve convencer outra pessoa a assistir e livrar-se da maldição. O que de longe achei um alicerce frágil da trama. O personagem de Johnny Galecki (O eterno Leonard de The Big Bang Theory), chamado Gabriel executa-se como fio condutor, embora Julia receba todo o privilégio do protagonismo com mais intensidade do segundo ato em diante que é o ponto onde o professor universitário, que realiza um experimento com o vídeo num grupo denominado "Os Sete", fica para escanteio até ser jogado numa morte horrível (a morte em si, não a condução) mas que não ofereceu bom tratamento à ele.

Um detalhe curioso notado é que o longa aparenta se dividir em dois. Da cena entre Julia com seu namoradinho insípido Holt até a descoberta do conteúdo oculto na cópia do vídeo que Julia assistiu (para salvar o companheiro), temos um filme. Já na viagem até Sacrament Valley até o desfecho boring de tão previsível com a cremação dos ossos de Samara, há outro, imersivo num clima sombrio de apreensão que, todavia, não expressa fôlego para salvar o conjunto do marasmo - se nem as referências o fizeram, que dirá esse desenvolvimento.

E é dessa Parte 2 do filme que quero destrinchar um pouco mais, pois a primeira é dispensável (não estou dizendo para pular direto ao segundo ato, apenas que o primeiro não tem uma carga de importância para ser analisado tão profundamente). É aí que tudo ganha um ar de "tem que encerrar essa bagaça de uma vez porque com trilogia é assim". Ah, pera aí! Estamos falando de Samara Morgan, a entidade sobrenatural que nunca para, nem dorme. O ciclo é infindável. Os personagens são levados a quebrar a maldição sob a crença de que queimando a ossada estará libertando a alma. Chega no pós-clímax... aquela maldita percepção de que andei em círculos.

Acho que é bem isso que pode-se determinar desta inconsequente continuação: Dar uma volta completa numa rotatória esburacada e parar no mesmo ponto. O clímax dá à Samara um status passageiro de "heroína" ao matar seu pai, Galen Burke (D'Onofrio), que torna-se antagonista após a grande revelação sobre sua esposa, Evelyn Borden, que foi estuprada por ele (um ex-padre) e mantida em cativeiro grávida. Tudo o que se procede pouco antes desse momento soa extremamente cansativo para um filme com uma hora e quarenta minutos, o ritmo tem essa oscilação incômoda.

A trilha sonora e os efeitos ficaram na média. Além do mais, a montagem com as visões grotescas e tenebrosas dos créditos finais são boas demais para uma sequência cuja razão para existir se limita a arriscar seguimentos que ela mesma não tem confiança de executar e quando o tenta não consegue sem aquela forçaçãozinha de barra.

Considerações finais:

O Chamado 3 simboliza o fundo do poço no qual a franquia se jogou após um segundo filme cheio dos equívocos. Sendo direto e claro: Era melhor ter parado no primeiro filme estrelado pela Naomi Watts (será que os originais japoneses são melhores?). Não é apenas "maldição" do terceiro filme, é muito mais associado ao fato de desconhecer um limite. Se for para defini-lo numa analogia, está para um cão maluco correndo atrás do próprio rabo.

PS1: Jump Scare cadê você que tanto fez falta mesmo não podendo fazer milagre?

PS2: Aquele monte de cigarras me deu nos nervos, até virei o rosto, não minto. Sou meio entomofóbico (entomofobia é o medo e/ou aversão relacionado a insetos).

PS3: Única cena realmente tensa foi Samara saindo da TV. Reciclagem, mas bem conduzida.

NOTA: 4,5 - RUIM

Veria de novo? Não. 

*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://cinema10.com.br/filme/o-chamado-3

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