Crítica - Pica-Pau: O Filme


Não vale nem uma Sessão da Tarde.

AVISO: Tá liberada a leitura para quem não se importa com spoilers de filmes que já pelo trailer não se espera boa coisa. Ainda mais se for fã do personagem acima. 

Pois é, não é "regra geral" trailers de filmes manipularem as expectativas do público e na hora do vamos ver acabar entregando um imenso presente de grego. Existem sim alguns casos onde a prévia diz muito da qualidade do material completo e não importa o quanto a montagem de seleção das cenas incorporadas à ela tente, se deixar aquele gostinho agridoce de uma produção minimamente duvidosa certamente é um mau sinal. Sem surpresa alguma, Pica-Pau faz parte deste grupo de filmes que não empolgam nada na primeira amostra de sua produção "cinematográfica" e nem precisa de análise minuciosa pra perceber que era tragédia anunciada. Com o live-action de Death Note, por exemplo, tive a mesma sensação. E na review do filme supracitado, eu tinha dado entender que há certas obras de animação dificultosas para converter de forma crível e coesa a um universo com personagens de carne e osso.

Parece que aqui ninguém envolvido teve um lampejo de lucidez para dar a cara à tapa e aceitar que certas obras são IMPOSSÍVEIS de se adaptar fielmente na transposição para o live-action. Já é complicado realizar isso com personagens de histórias em quadrinhos, que dirá com desenhos animados infantis que extrapolam em níveis absurdos a suspensão de descrença. A lógica é muito simples: atores reais em cenários reais interagindo com personagens, retirados de desenhos animados de sucesso, computadorizados num CGI pobre não é fórmula de sucesso entre os que cresceram assistindo às obras originais (há exceções, como Alvin e os Esquilos e Scooby-Doo: O mistério Começa - na minha opinião, claro). Fica tosco, risível e com ares de paródia. Esse filme, em especial, sequer dá para considerar paródia ou encarar como uma (me esforcei dobrado nisso), pois a paródia ela deve ser infame, provocativa e, acima de tudo, humorística e humor, meu caro leitor gasparzinho, é tudo o que esse filme não possui.

Sim, eu sabia que o resultado seria este e mesmo assim assisti porque adoro falar mal de uma coisa que é sabida que não vai me agradar de jeito nenhum. Eu consegui, pelo visto. Consegui perder uma hora e meia do meu tempo de forma incompensável com essa joça que finge homenagear um dos personagens mais amados e icônicos do mundo dos desenhos animados. O Pica-Pau da imagem acima não é o pássaro diabolicamente espevitado da animação. Passou loooonge. Faz travessuras? Faz. É sarcástico? Um pouco, muito pouco, aliás. Parece chupinhado da versão que participou do memorável episódio das Cataratas do Niágara, uma encarnação mais politicamente correta que não lembrava em nada o clássico biruta dos anos 40. Os traços identificáveis da versão "copiada" se limitam a aparência e nada mais. Um Pica-Pau feito para família, mas que não provoca um risinho, ele mais se assemelha a um bicho de pelúcia do personagem que ganhou vida própria.

É errado criticar quem detona o filme dizendo que está levando muito a sério um filme voltado unicamente para crianças. Eu não levo a sério a ideia, a concepção de um longa-metragem inspirado numa animação desprovida de elementos que funcionem no mundo real. Pica-Pau pertence aos desenhos e assim fica. Tudo o que for transposto, apesar das boas intenções, a essa mídia simplesmente não vai render um filme que faça jus ao personagem e que provoque nos espectadores os mesmos efeitos de quando se está assistindo a um episódio do desenho. É inconcebível. Daí a alternativa restante é criar um plot raso que se encaixe de maneira tão rasa quanto. Um casal deseja construir a casa dos sonhos numa floresta cujo morador é o Pica-Pau que fará de tudo para arruinar os planos dessa família que dá um show de insensatez (o que se salva é o garoto que fica abiguinho do Pica-Pau) ao ignorar o conselho da guarda florestal sobre o quanto esse projeto prejudicaria a importância ecológica do lugar. Tanto canto pra morar e escolhem logo viver numa luxuosa residência no meio do mato. É a cara da riqueza mesmo.

Agora posso entender a razão do live-action ter ficado fora de circulação nos cinemas norte-americanos, sendo despachado para o mercado home-vídeo (ou teve alguma exibição na TV, sei lá). Mas aqui no nosso brasilzão as salas o receberam de braços abraços por conta do forte apelo que o personagem tem e é o único motivo imaginável para dar visibilidade a esse filme que deveria ser transmitido no Cine Aventura (a sessão ainda existe?) da Record pouco tempo depois. Das atuações, o que sobra de razoável para bonzinho é o Timothy Omundson (o Caim de Supernatural) que interpreta o papel promovedor do maior clima de rivalidade com o Pica-Pau, mas ele não é nenhum Leôncio. Esqueça os antagonistas clássicos que sofreram nas mãos do Pica-Pau em anos de molecagens, trapaças e bicadas. E temos o maior destaque feminino (caindo fora na metade do filme pra nunca mais aparecer), Thaila Ayala interpretando... Thaila Ayala, mas sob a identidade de Vanessa, esposa do Lance (Omundson), e com um tempo de tela ínfimo. A saída dela abre espaço ao destaque àquela guarda lá que se aproxima do Lance e deixa no ar a iminência de um romance fofinho que não acontece.

O filme é (mal)dotado de conveniências que prefiro discorrer nuns PS mais abaixo. O Pica-Pau sofre uma "regeneração" no final que o atribui a um status de bicho de estimação de Lance e seu filho, mas continuando problemático. Não tão problemático quanto o filme em si. As peripécias que o Pica-Pau comete para atrasar a construção da casa fazem parecer as vídeo-cassetadas do Faustão uma obra-prima do humor. O CGI pouco ou quase nada ajuda, tornando-o extremamente destoante de tudo que o filme tenta (frustradamente) para fazê-lo parte do ambiente. Tudo bem, é meio injusto exigir uma retratação esteticamente convincente duma produção tão fundo de quintal.

O elenco mirim (incluindo Tommy, filho de Lance) parece saído de um filme do Didi e quando o motor do terceiro ato é resgatar o Pica-Pau de caçadores que o pegam numa facilidade incrível com uma arma de choque comum (sendo o pássaro tão veloz quanto o Flash, coisa de deixar o Gato a Jato se contorcendo de inveja), as coisa pioram e bastante. Dois caçadores vilões obcecados em capturar o pássaro de crista vermelha e conquistam a façanha da maneira mais porca que o roteiro encontrou. Os caras subjugarem as crianças até vai, mas chega a ser ridículo o Lance não reagir vendo que a dupla é paspalhona demais e não muito estratégica sendo que foi o contratante deles para pegar o Pica-Pau e teve um vislumbre do quanto eles são idiotas já que boa parte da armadilha fracassou e tiveram sucesso na captura do jeito fácil. E enquanto mostravam a bagaça toda lá pro Lance (com direito a Pica-Pau fake-fêmea como se a esperteza da ave travessa não tivesse sido constatada no início do filme), o Pica-Pau não teria observado ali escondido? Caramba, que taxidermistas burros, hein. Um bocado de animais maiores e mais perigosos empalhados no armazém mequetrefe deles e essa dificuldade toda pra pegar a merda de um pássaro?

O inteligente seria mostrar um esquema ao Lance do funcionamento do plano sem ser tão expostamente como foi, o que ainda assim não garantiria êxito, porque se trata do Pica-Pau, o único pássaro que fala como gente e tem fisionomia diferente dos outros, fato este aceitado por todos os personagens humanos atormentados por uma massa de computação gráfica ruim.

Considerações finais:

Pica-Pau: O Filme é, sem sombra de dúvidas, uma aposta que tinha absolutamente tudo para manchar a trajetória do personagem nas mídias, o que conta, nesse sentido, como um triste acerto (para o erro). Um longa que até desonra a essência do personagem, não é à altura do mesmo e que não deveria existir. A produção é embargada de situações que só faz rir quem tem idade de 10 anos pra baixo.

PS1: A gaiola que os caçadores/taxidermistas colocam o Pica-Pau tem grades com espaçamento viável para que ele saia dela facilmente. Fragilizaram e emburreceram o Pica-Pau para convir ao roteiro. Esse roteiro é pra jacu!

PS2: O Pica-Pau incendia 99,99% da casa, toda a madeira virou carvão, mas o desenho que ele fez dele com Lance e Tommy, um retrato de algo próximo de uma família que ele teria, foi encontrado (pelo próprio Lance) intacto mesmo tão queimado quantos os outros pedaços espalhados.

PS3: Puseram o episódio das Cataratas do Niágara depois dos créditos. Não sei se foi o site onde assisti que upou juntamente com o filme ou se esteve incluído nas cópias dubladas nos cinemas. Seja qual for a verdade, é uma ótima pedida e um consolo para esquecer esse desastre.

NOTA: 1,0 - PÉSSIMO 

Veria de novo? Nunca! 

*A imagem acima é propriedade de seu respectivo autor e foi usada para ilustrar esta postagem sem fins lucrativos. 

*Imagem retirada de: http://depositonerd.com.br/divulgado-o-teaser-trailer-do-pica-pau/

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